Uma mesma história de amor dividida em dois filmes simples, porém maravilhosos.
É o que esperar de Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol.

A moça é uma universitária francesa de 23 anos e chama-se Celine (Julie Delpy) e o rapaz é um jovem americano chamado Jesse (Ethan Hawke) que está terminando suas férias pela Europa.
Dito assim parece só mais uma história de amor hollywoodiana, mas não é nada disso.
O filme mostra como o verdadeiro amor realmente acontece.
Não espere grandes emoções, reviravoltas, mal-entendidos, desavenças bobas e exageros presentes normalmente nesse gênero de filme.
O filme é só conversa. Conversa e andança. Andanças pela belíssima capital austríaca, Viena. E só isso é necessário pra você ser conquistado. E pra Jesse conquistar Celine, claro.

O mais interessante é o que os atores conseguiram fazer tudo parecer tão natural que você se imagina dizendo aquelas coisas. Eu mesmo já usei frases do filme em algumas ocasiões.
São os diálogos que fizeram os dois se apaixonar. E esses mesmo diálogos, as vezes comuns e banais e outras vezes filosóficos e existenciais, são o que faz você ficar ligado no filme e torcer para que o casal fique junto no final.

São os diálogos que fizeram os dois se apaixonar. E esses mesmo diálogos, as vezes comuns e banais e outras vezes filosóficos e existenciais, são o que faz você ficar ligado no filme e torcer para que o casal fique junto no final.
Mas não espere um final holywoodiano pra esse filme que passa longe do convencional. Na verdade, o final é aquele prescrito desde o início, mas uma promessa de reencontro que faz com que ele fique em aberto é um dos trunfos do filme.
Bom pra se usar em aulas de literatura ou escrita criativa. Que pena que eu só trabalho com matemática.
O segundo filme demorou nove anos até ser produzido e filmado, pois tanto o diretor quanto os atores tinham medo de uma continuação estragar a história original.
E não é que a continuação ficou ainda melhor?

A produção, que também foi dirigida e escrita por Richard Linklater, teve colaboração no roteiro do casal de atores (Ethan Hawke e Julie Delpy), que voltaram felizes pros papéis e colocaram visões e experiências próprias nos diálogos.
Jesse está em Paris, no final da turnê de promoção de seu livro. É entrevistado em uma livraria sobre a história de seu livro, no qual um jovem americano se apaixona por uma jovem francesa e passam a noite juntos em Viena, quando encontra Celine na mesma livraria.

Logo no início no filme ficamos sabendo se eles realmente se reecontraram depois de Viena. E pra quem possa estar se perguntando isso só posso dizer: assista!
A estrutura do filme é até mais simples do que o primeiro e ele se passa quase que em tempo real num longo passeio de 1h20min pela cidade de Paris (que por si só já dispensa comentários).

Mas há algo a mais.

É claro que a experiência dos anos e o fato dos próprios atores terem colaborado na escrita do texto deve ter ajudado muito nesse sentido.
Um dos destaques vai pra uma discussão emocionada dentro de um carro quase no fim do filme de como a noite de nove anos atrás afetou suas vidas para sempre.
É interessante também como o reencontro vai despertando novamente um tipo de magia e romance que ambos achavam ter perdido.

Apesar dos dois atores praticamente se igualarem na interpretação dramática, Julie Delpy se sobressae por seu talento musical ao compor e interpretar quatro músicas pra trilha do filme. Sendo uma delas a emocionante e reveladora valsa que Celine toca em seu violão pra Jesse nos minutos finais.
Se depois de ler isso você ficar interessado em ver os dois filmes é essencial saber disso: são duas longas conversas feitas em passeios de quase 1h30min de duração cada em lindas cidades européias.

Só assim você vai ser capaz de ver o casal descobrindo o amor e absorver apropriadamente alguns dos conceitos que os autores quiseram passar na história.
Eu, por exemplo, aprecio muito a versão dublada por tornar mais rápido e fácil de entender alguns diálogos.
Altamente recomendado.
Valeu!