Um filme capaz de despertar emoções como raiva, humor, nojo e compaixão acaba sendo um filme difícil de definir. Mas nem por isso deixa de ser um filme muito interessante.
Na verdade uma história sobre segregação embalada pelas emoções acima num fundo de ficção científica é o que esperar de Distrito 9 (África do Sul/Nova Zelândia, 2009) que estréia hoje (16/10/2009) nos cinemas de todo o Brasil.

Os primeiros 20 minutos de filme são praticamente um documentário que apresenta uma seqüência extremamente dinâmica e bem montada de imagens de telejornais, de câmeras caseiras e depoimentos de especialistas, servindo para introduzir a idéia de que alienígenas vivendo na Terra pode não ser tão glamuroso como nossa ficção de massa apresenta.
Preconceito, roubos, mortes e desconfiança cercam a opinião geral sobre os aliens, que tem dificuldade em se comunicar e carecem de explicação para sua situação ou mesmo iniciativa própria. Um dos especialistas define a colônia de aliens como sendo uma colônia de operários semi-analfabetos que perdeu seus líderes, por isso essa indefinição sobre de onde vieram, pra onde iriam e porquê não podem sair daqui.



Essa mudança no olhar da câmera não é feita de maneira muito fluida e chega a confundir o espectador médio na primeira metade do filme. Apesar disso, a dicotomia de linguagens apresentadas (ficção-narrativa em contraponto com a documental) acaba sendo o ponto forte do filme já que muitas explicações referentes a narrativa podem ser dadas no depoimento dos especialistas e repórteres sem interferir nas falas dos personagens centrais, além de dar um ar de verossimilhança a história.
Destaco positivamente a fotografia e a direção de arte por adaptar com sucesso vários tipos de lentes de câmera para compor a parte documental do filme e também pela criação da gigantesca nave desativada como importante paisagem-personagem do filme. A imagem do sol se pondo atrás da nave, que paira como uma espécie de montanha flutuante (e também como se vigiasse a todos), chega a ser assustadora de tão real.
Na verdade, realidade parece ser a palavra de ordem do diretor Neill Blomkamp ao tentar contar a história, que num determinado momento passa a mostrar sem pudor (apesar de manter uma certa distância) todo o sangue do confronto entre humanos e “camarões” (como nós apelidamos os aliens), ou seja, não se espante de ver braços decepados, cabeças explodindo e coisas assim, que apesar de nojentas, não chegam a prejudicar a história.

Sem falar que o roteiro é bastante coerente e não subestima o espectador ao comentar assuntos como o uso de tecnlogia alienígena e estudo da anatomia dos camarões pelos humanos.
Outra jogada interessante é a campanha de divulgação do filme que chega nas capitais de maneira incisiva e misteriosa com cartazes do tipo “Apenas para humanos” colados em pontos de ônibus, portas de supermercados e etc.
Grande mosaico de linguagens cinematográficas e variedade emocional é o que esperar desse filme que está sendo alardeado como o mais criativo do ano pela imprensa e com absoluta razão.
Recomendado.
Valeu!!