É, a Disney parece ter desistido mesmo das animações em 2D.
É o que se conclui ao final da sessão de Enrolados (Tangled, 2011) dos diretores Nathan Greno e Byron Howard.
Todo feito em computação gráfica o filme tem a quantidade de acertos suficientes para dar um novo fôlego às clássicas animações fantásticas da casa. Mesmo que essas não mais sejam feitas à mão.
O único e mais importante porém foi a versão brasileira da película.

Adaptação muita bem feita de um dos mais famosos contos dos Irmãos Grimm, o roteiro acerta por fugir da fórmula clássica, incluindo a narração dinâmica e atual de Flynn que já começa revelando um fato importante do fim da trama, além de várias tiradas engraçadas que normalmente não se encontra num filme de princesas da Disney.
Ponto positivo para a vivacidade e personalidades muito bem definidas dos personagens principais, que vez ou outra fazem comentários inesperados sobre o absurdo de situações em que se encontram.
O ruim, a meu ver, foram as músicas cantadas pelos personagens que não empolgam e não dão profundidade a trama, ou seja, o filme poderia passar muito bem (e conquistar um público bem maior) sem toda aquela cantoria.
Parte técnica invejável com cenas belíssimas aproveitadas ao máximo em 3D, mas que podem passar por 2D numa boa sem perda de beleza.
A expressividade de animação dos personagens impressiona bastante e o cabelo de Rapunzel, que deve ter sido extensivamente trabalhado pelos animadores, assume uma textura quase que real em várias cenas.
Isso, junto com o roteiro bastante “esperto” pra um filme de meninas, acaba sendo um ponto crucial para o sucesso internacional do filme que com certeza merece ser visto e apreciado pelo enfim retomado padrão Disney de qualidade no mundo todo. Menos no Brasil, infelizmente.
O problema por aqui foi a versão brasileira. Não toda ela, claro, mas sim a voz do apresentador de TV Luciano Huck interpretando o ladrão e co-protagonista Flynn Ryder.
Huck até tenta, mas sua falta de estudo de interpretação é evidente principalmente no excesso de empolgação de suas falas. O volume de sua voz parece sempre o mesmo tanto nas cenas felizes, quanto nas tristes, não combinando em nada com as expressões do personagem animado.
Isso sem falar que a superexposição de sua figura e voz na TV podem levar o expectador a esperar uma de suas frases de efeito (“Som na caixa maestro Billy” ou “Está começando o Caldeirããããoo”) serem ditas a qualquer momento atrapalhando a inserção no filme e conseqüente apreciação da história.
Pra entender do que falo veja um trecho do filme com essa dublagem:
O pior é que todas as prévias e trailers divulgados até o lançamento contavam com a voz de um dublador profissional, com entonação bem diferente de Luciano Huck, ou seja, a dublagem parece ter sido (re-)feita as pressas.

É claro que se você fizer um esforço e ignorar esse fato pode até se divertir com um dos últimos contos de fadas clássicos a serem explorados na telona.
Uma animação de princesa que inova por ter um personagem masculino igualmente cativante e importante que foi estragado pela dublagem brasileira.
Recomendado (a versão legendada, claro).
Valeu!
2 comentários:
a dublagem com o luciano huck ficou meia estranha mesmo xD
A VOZ DO LUCIANO HUCK FICOU PARECENDO DE MALANDRO, MAS ATÉ CAIU BEM PARA O PERSONAGEM QUE ERA UM LADRÃO. DE QUALQUER FORMA O FILME É ÓTIMO!
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