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sábado, 5 de abril de 2008

EXPERIÊNCIA MULTIMÍDIA - Na Natureza Selvagem

Mês de março acabou. Meu aniversário passou. Uma experiência ruim subindo favelas no Rio ficou para trás.

Mas deu pra tirar algo de bom disso tudo. E foi graças a dica de um amigo.

Na natureza selvagem (Into the wild, 2007) é a história real de Christopher Johnson McCandless. Um jovem que se forma na faculdade com 22 anos, mas ao contrário de outros jovens não tem pretensões de arrumar um bom emprego, constituir família ou mesmo ganhar dinheiro. Sua intenção era realizar a aventura de sua vida.

Chris abandona (quase que literalmente) os pais e a irmã após a formatura e embarca numa viagem de dois anos por todo os Estados Unidos munido apenas da roupa do corpo, mochila com alguns acessórios e um carro que comprara com seu próprio esforço (e que não passaria da primeira semana de viagem).

O sonho de Chris era ir pro Alaska. Desde pequeno ele gostava de acampar com os pais e os avós. Leitor inveterado, seu tema preferido eram livros que falavam da vida selvagem. Seus autores prediletos eram Henry David Thoreau, Jack London e Leon Tolstoi. Autores que exaltavam a natureza e a capacidade do homem de viver sem os confortos da vida moderna.

Chris passa um ano e meio viajando pelos Estado Unidos, sem residência fixa e sem emprego certo, chegando até a remar pelo México e voltar, antes de tentar sua aventura final no Alaska. Até mesmo um nome diferente do seu ele assume. Em vários registros ele foi identificado como Alexander Supertramp, apesar de usar o nome e o sobrenome em ocasiões alternadas.

Esse treino de mais de um ano perambulando sem destino lhe deu a confiança necessária para entrar na natureza selvagem, como escrito por ele num dos cartões que enviou pra um amigo que fez numa das viagens.

Só que o sonho de Chris lhe valeu mais do que poderia pagar. Seu corpo foi encontrado em agosto de 1992 dentro de um ônibus abandonado que servia de abrigo para mineradores no meio da floresta na região de Fairbanks, estado do Alaska, EUA.

A suspeita é de que tenha morrido de fome e inanição, após comer por engano uma planta venenosa que tira gradativamente a força dos membros se ingerida continuamente.

Minha experiência com essa história começou ativamente com esse amigo que falou sobre o filme dirigido por Sean Penn e estrelado por Emile Hirsch.

Mas antes disso eu já tinha ouvido falar no filme por causa da trilha sonora de Eddie Vedder, o vocalista do Pearl Jam, uma das minhas bandas de Rock favoritas.

Baixei a trilha na internet, gostei e me interessei mais pela história.

Acabei não resistindo, e mesmo com as vacas magras de início de ano comprei o livro escrito por John Krakauer. Li num final de semana para só depois assitir ao filme.

O livro é meio que uma extensão e atualização da matéria escrita pelo autor sobre a vida de Chris numa conhecida revista de viagens americana em janeiro de 1993.

O autor teve acesso a vários documentos, pertences, além de diários e fotos tirados por McCandless durante a jornada. Também entrevistou várias pessoas que possam ter tido algum contato com Chris nesses dois anos que passou longe da família.

Família essa que teve o último contato com Chris na ocasião da formatura, onde fizeram ele prometer tentar um curso de Direito durante um jantar de comemoração. McCandless nunca mais falou nem com os pais, nem com a irmã depois disso.

Seu rompimento familiar e sua excursão pela América são retratados pelo autor como uma forma de tentar achar a própria personalidade, depois de anos de decepções e repressão familiar por parte dos pais.

O autor (ele mesmo um trilheiro e alpinista) ainda inclui no livro narrativas de outros viajantes semelhantes a Chris que também tiveram fins parecidos, além de uma experiência própria, como uma forma de tentar achar um motivo, ou mesmo justificar as decisões e o amor do rapaz pela natureza.

O filme, apesar de se tratar só da história de Chris, vai na onda do livro e aproveita todo o caminho que Krakauer já tinha aberto em sua pesquisas e mais uma ou duas cenas que o livro não chega a descrever.

Sean Penn acerta o filme nos detalhes. A escolha e direcionamento dos atores revelam atuações minimalistas e nem um pouco forçadas de todo o elenco, em especial para Emile Hirsch, que teve que emagrecer bastante durante a filmagem por causa da transformação de Chriss. Mas o maior destaque acabam sendo a trilha sonora e a fotografia.

Filmado nos mesmos lugares em que McCandless teria passado, o filme traz paisagens belíssimas que quase chegam a justificar o desejo do jovem de se viver ali longe de todos.

As músicas de Eddie Vedder, compostas especialmente pro filme, revelam o clima ideal e quase que traduzem os pensamentos do jovem pro espectador.

Dizem que o filme demorou dez anos pra ser feito, pois Penn quis acertar todos os detalhes com o autor do livro, a família e os personagens envolvidos nas viagens de Chriss pela América. Que bom que conseguiu. Fez um filme bem legal e fiel ao livro, apesar do final trágico.

Assisti ao filme com minha família na sala lá de casa depois de baixá-lo, colocar legendas e convertê-lo pro formato de DVD players. (A quem possa interessar: Não pretendo abrir um comércio, e só faço isso pra meu uso pessoal.)

Minha mãe, obviamente, não gostou do filme, pois sentiu mais a dor dos pais do que tentou entender o sonho de Chriss.

Acho que meu pai e meu irmão gostaram do filme, pois conseguiram perceber que depois de tudo que havia passado, uma das últimas coisa que McCandless escreve em um de seus livros é: A Felicidade só é verdadeira quando compartilhada.

E essa é a grande mensagem que a história trágica desse jovem passa. E por isso eu quis compartilhar com todos.

Valeu!

3 comentários:

Estela disse...

Fiquei curiosa para ver o filme.
Bjs.
Estela

Joana disse...

Que papo é esse de subur favela, tá doido?

ArnalDuda Siqueira disse...

Subir favela não deve ser uma coisa boa nem pra quem mora lá.

Mas eu tentei dar aula por um tempo. Não deu.

Valeu!

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