Cavaleiros templários, profecias, strip-tease, poderes psíquicos, depressão econômica, curas milagrosas, aberrações, cartas de tarô e um circo envolto em misticismo.
São alguns dos temas abordados na série Carnivale, umas das produções mais caras e elogiadas da HBO nessa década.
A série, exibida de 2003 a 2005, foi criada e produzida por Daniel Knauf.
Teve apenas 24 episódios divididos em duas temporadas e conta duas histórias que começam paralelas, mas com elementos que vão aproximando-as cada vez mais.
Uma delas é a de Ben Hawkins (Nick Stahl), um jovem com poderes de cura que é acolhido por um circo (que dá nome a série). O circo é comandado pelo misterioso Gerente, que nunca sai de seu trailer e passa suas ordens pelo anão Samson (Michael J. Anderson), a única pessoa autorizada a vê-lo.

Ben e Justin são perturbados pelos mesmos sonhos que prenunciam algo terrível que está por vir.
Ambientada em 1934, num Estados Unidos pós-crise de 29, a série prima pela fidelidade com que retrata a sofrida vida dos americanos da época. A crise econômica deixou marcas profundas na sociedade americana e muitos foram obrigados a rever seus valores morais para conseguir por algum alimento em suas mesas.
O show de strip-tease do circo, por exemplo, é comandado por uma família, em que o patriarca Stumpy (Toby Huss), apresenta sua esposa Rita Sue (Cynthia Ettinger) e as duas filhas para dançar para a platéia e eventualmente “receber” clientes especiais em troca do sustento.
A pobreza é elemento recorrente na série. Roupas sujas e rostos empoeirados permeiam todos os episódios com uma impressionante reconstrução de época por parte da produção.
A série chegou a ter a maior estréia (até então) de uma série da HBO e custava 4 milhões de dólares por episódio só pra manter a qualidade da ambientação e o elenco fixo de 11 pessoas.
Ganhadora de vários prêmios, a série tem atores que não deixam nada a desejar, diga-se de passagem.
Michael J. Anderson, o anão Samson, é extremamente convincente como administrador do circo. Dá um show de atuação, sabendo ser sensível e firme nas horas certas. É uma pena que não existam mais papéis assim para pessoas como ele. Sua interpretação dos monólogos de introdução das temporadas é arrepiante.
Outro destaque é Clancy Brown, que fez o vilão Kurgan no primeiro filme do Highlander, interpretando um Irmão Justin dividido entre valores cristãos e a ambição crescente causada pela melhora no controle de suas habilidades.
Durante toda a série, Justin e Ben terão que aprender a controlar seus poderes e descobrir porque sonham um com o outro.
Uma série cheia de simbolismo onde nada é o que parece e muito menos explicado gratuitamente.
Muitos espectadores alegaram ter abandonado a série na época da exibição por causa de sua intrincada mitologia, já que os escritores não perdiam tempo explicando tudo de novo a cada episódio.
Alguns jornalistas chegam a compará-la com LOST em termos de complexidade.
Alguns jornalistas chegam a compará-la com LOST em termos de complexidade.
Apesar disso a série tem uma base de fãs fiéis que aumenta a cada divulgação dela pela internet. Pena que não teve mais episódios.
O conflito principal é resolvido no fim da 2ª. Temporada, mas são deixadas algumas pontas soltas que estenderiam a história.

O autor Daniel Knauf, não cansa de declarar que havia planejado 6 temporadas para a série. É uma pena que isso não ocorreu.
Seu cancelamento depois de duas temporadas se deveu em grande parte ao seu alto custo, já que o nível de espectadores se manteve bastante aceitável para uma série de tv a cabo.
Dá pra encontrar fácil para venda o box de DVDs com as duas temporadas completas da série.
Grande drama sobrenatural tanto pela produção e ambientação, quanto pela história complexa e intrigante, é o que esperar de Carnivale.
Recomendado!
Pra fechar o post, transcrevo o monólogo de Samson na abertura da série:
“Antes do início, depois da grande guerra entre Céu e Inferno, Deus criou a Terra e deu o domínio dela a um engenhoso macaco chamado Homem.
Em cada geração tem nascido uma criatura de luz e uma de trevas. E grandes exércitos lutam a noite na antiga guerra entre o bem e o mal.
Havia magia, então. Nobreza, e uma crueldade inimaginável. E assim foi, até o dia em que um falso sol explodiu sobre a trindade.
E o homem, desde então, vaga pelo mundo, buscando uma razão.”
Valeu!