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sábado, 16 de janeiro de 2010

Filme: 500 dias com ela (500 days of Summer)

Quem nunca fantasiou com o amor?

Alguns dizem que todos temos alguém certo pra encontrar, uma alma gêmea.
Outros dizem que não passa de um mito inventado para estimular a reprodução da nossa espécie.

São duas opiniões contraditórias, cada uma defendida por uma parte do casal do filme 500 dias com Ela (500 days of Summer, 2009) do diretor Marc Webb.

Roteirizado por Scott Neustadter e Michael H. Weber, o filme, conforme o título diz, conta a história dos 500 dias de uma paixão.

A chamada do cartaz do filme já resume bastante a história.
Rapaz encontra moça. Rapaz se apaixona. Moça não.

Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um arquiteto frustrado que trabalha numa empresa que confecciona cartões de saudação (Natal, Aniversário e etc). Também é o rapaz que acredita piamente no amor. Summer Finn (Zoey Deschanel) é a assistente recém-contratada da firma que acha que o amor  não existe. Os dois se envolvem e se separam, mas acabam se aproximando novamente.

Não conto mais para não estragar, mas basta saber que o roteiro foi escrito de forma não-linear, ou seja, o início do filme não é necessariamente o início do romance entre os dois.
Eles já começam separados e através de uma amostragem aparentemente aleatória de dias - ou seja, indo do dia 290 até o 28, depois para o 240 e voltando ao dia 12 e assim por diante - vamos desvendando o que os levou até ali e principalmente como essa história poderá acabar.

Um tipo de montagem que subverte a expectativa do públicos de romances criando uma ótima surpresa. Você fica em dúvida até o último momento sobre o que vai acontecer.

O diretor abusa de recursos cinematográficos variados que deixam o filme bastante simpático ao ilustrar o olhar pessoal de Tom sobre sua trajetória com Summer.

Por exemplo, há o uso de um narrador que, apesar de não falar o tempo todo, pontua de maneira bem-humorada o início, o meio e o fim da trama, dando um toque de contos de fada ao filme, que é  contemporâneo até demais.

Outro exemplo é ao contar fatos do passado fazendo a tela diminuir, ficando na proporção de TV(4:3), e assumindo um tom documental em preto-e-branco, lembrando filmes educativos americanos da década de 50 e 60.

Um recurso utilizado competentemente é a tela dividida ao meio em três momentos do filme. O melhor deles é a seqüência que ilustra a ida de Tom a uma festa, mostrando sua expectativa de um lado e a realidade do outro. Com a realidade impiedosamente tomando a tela inteira no fim da seqüência. Poesia pura.
Destaque também para a sequência que mostra a tristeza de Tom indo ao cinema e se vendo atuando em cenas famosas de filmes da Nouvelle Vague (movimento de cineastas franceses dos anos 60), com direito a jogar xadrez com o cupido e tudo.

Não há do que reclamar dos atores. Joseph Gordon-Levitt, que ficou famoso por comédias de TV, está mais contido que de costume e até consegue convencer como sofredor apaixonado. Zoey Deschanel também está bem, mas podia estar mais expressiva.
O destaque mesmo fica para Chloe Moretz, que interpreta Rachel, a irmã mais nova de Tom. Com apenas 12 anos, ela acaba roubando todas as cenas em que aparece ao dar sérios conselhos sentimentais para tentar levantar a moral do irmão.

Um ponto importante que vale ressaltar é o título original, 500 days of Summer, que faz referência a personagem e também a uma das quatro estações, já que summer em inglês é verão. Numa tradução literal, o título seria 500 dias de verão. Isso também rende uma inesperada piada final ao filme. Coisas que se perdem na tradução.

Um filme de amor com uma trama meio comum, mas montada de forma excepcional e ilustrada com vários recursos que declaram o amor dos autores ao cinema e te fazem pensar que um filme pode sim, ser considerado poesia. Grande filme de estréia do diretor de videoclipes Marc Webb.

Recomendado.

Valeu!

2 comentários:

nana disse...

ahh eu quero assistir esse rs

Luciano disse...

Fala Duda blz?! Muito bom cara, vi no último fim de semana e tinha quase certeza que vc tinha feito alguma resenha sobre ele. Muito foda a parte que mostra a expectativa e a realidade, enfim, a realidade pode ser bem cruel mesmo. um abraço aew véio!


Luciano - ETJLN

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