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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Dica de Livro: Artemis Fowl

Artemis Fowl é o Menino Prodígio do Crime numa série de cinco livros publicados atualmente e com mais um pronto pra ser lançado.

Acredito que tenha sido uma espécie de resposta do autor Eoin Colfer ao sucesso de Harry Potter.

Só que Artemis não é um aprendiz de mago e (pelo menos no primeiro livro) quase nada bonzinho.
Herdeiro de uma rica família de trapaceiros e criminosos, ele é obrigado a assumir a cabeça da família depois que seu pai desaparece misteriosamente tentando fazer um negócio legítimo e sua mãe fica depressiva.

Dono de uma inteligência incomum pra alguém de sua idade, Artemis (de apenas 12 anos) bola esquemas mirabolantes, até que se depara com algo que só existia em suas fantasias de infância: as fadas existem!

No primeiro livro, montando um estrategema sórdido e acompanhado de seu mordomo-guarda-costas-matador Butler, ele bola um plano pra sequestrar uma fada e fazê-la entregar toda sua magia e o lendário ouro das fadas.

O problema é que o mundo das fadas não é mais tão mágico e inocente como mostram os livros infantis. É o que ele descobre ao sequestrar a elfa Holly Short, capitã da LEPrecon, a polícia do mundo das fadas.

Caberá ao povo das fadas (moradores do subterrâneo), auxiliados pelo centauro-engenheiro Potrus e pelo anão-ladrão Palha Escavator enfrentarem Artemis e libertarem a capitã Holly.

Mas o garoto-da-lama (como o povo das fadas chamam as pessoas da superfície) não vai ser tão fácil de enganar quanto eles esperam. E isso é só o primeiro livro!

Com uma narrativa bastante dinâmica, cinematográfica e cheia de reviravoltas, o autor conseguiu me prender o suficiente pra ler os primeiro quatro livros quase um depois do outro (e depois de dois anos de espera já me preparo pra ler o quinto). Muito Bom!

Breve resumo dos outros Livros

No segundo livro Artemis Fowl: Uma Aventura no Ártico, Ártemis obtém pistas do paradeiro de seu pai no Círculo Ártico enquanto a LEPrecon encontra bandidos Goblins com armamentos sofisticados demais pra sua própria inteligência. Todas as pistas apontam pra Ártemis, que dessa vez não tem nada a ver com a história. Dessa vez ele será obrigado a ajudar o povo das fadas em troca de ajuda pra resgatar seu pai da Máfia Russa.

No terceiro livro, Ártemis Fowl: O Código Eterno, Ártemis constrói um supercomputador com tecnologia roubada do mundo das fadas e tenta chantagear um empresário americano inescrupuloso chamado John Spiro pedindo uma enorme quantia em ouro em troca de não colocar sua invenção no mercado e abalar a economia mundial. O problema é que algo sai errado, o computador é roubado e Butler fica mortalmente ferido. A capitã Holly Short vai investigar o uso da tecnologia das fadas e acaba obrigada a ajudar Ártemis a recuperar o computador antes que o código eterno que o bloqueia seja desvendado e o povo das fadas acabe exposto ao humanos.
O quarto livro, Ártemis Fowl: A Vingança de Opala, começa com Ártemis sem nenhuma memória do povo das fadas ou de suas aventuras anteriores (isso é explicado no final do terceiro livro). É então que Opala Koboi, a elfa que deu armas aos Goblins no segundo livro, foge da cadeia e arma uma arapuca pra capitã Holly Short. Acusada de traição, Holly terá que fugir pra superfície e procurar o único que pode ajudá-la a provar sua inocência: Ártemis Fowl. Ele terá que recuperar sua memória, ajudar a capitã e impedir os planos de Opala para destruir a cidade das fadas.

Em relação ao quinto livro, Ártemis Fowl: A Colônia Perdida, só posso dizer que lerei brevemente.

Os dois primeiros livros são com certeza os mais eletrizantes. Tanto que ganharam vários prêmios de literatura infanto-juvenil da Inglaterra e fora dela.
Um sexto livro chamado Artemis Fowl: Time Paradox está pra ser lançado lá fora e especula-se que chegue no final do ano ao Brasil.

Um filme sobre o Artemis está sendo preparado há algum tempo em Hollywood, mas o projeto sempre engasga e pára por alguma coisa. Boatos sobre atores, roteiristas e diretores invadem os sites de entretenimento vez ou outra.

Outra coisa interessante são os códigos inseridos pelo autor Eion Colfer nos rodapés das páginas de cada livro. No primeiro livro Artemis só consegue contatar o povo das fadas depois que decifra o dificílimo idioma do povo. Desde então o autor coloca frases cifradas, saudações e brincadeiras em cada livro baseando-se no código explicado por Artemis na primeira história.

Existem muitas comunidades no orkut e milhares de sites de fãs na internet criados pra discutir Artemis e os códigos que o autor Eoin Colfer inventa. Uma bom entretenimento pra quem gosta de desafios: a diversão não termina depois que a história acaba.

Uma adaptação em forma de HQ do primeiro livro da série foi lançada na Bienal do Livro de São Paulo agora em agosto. Eu tratei de garantir a minha. Bem legal pra quem não leu o livro, mas nem tanto para quem leu.

O autor prefere focar na ação e a história perde um pouco de seu charme terminando muito rápido e ficando muito superficial.

Mas não pense que só crianças ou adolescentes podem apreciar as histórias de Artemis. A narrativa fluida de Eoin Colfer tem o frescor das boas histórias: não subestimam a inteligência de seu leitor, ou seja, servem pra todas as idades.
E eu ainda prefiro Artemis ao Harry Pottter.
Valeu!

sábado, 23 de agosto de 2008

Filme: Fonte da vida

Uma linda história de amor que ultrapassa os séculos. Uma busca obsessiva pela manutenção da vida.

Um filme tocante e extremamente sensível. Mas também controverso. Ou você gosta ou não.

Fiz uma sessão particular na casa de um amigo e ninguém gostou.

Acho que é tudo uma questão de entendimento. Se bem que eu mesmo admito que a história dá margens a algumas interpretações.
O filme tem três momentos distintos.

Começa com um explorador espanhol no século XV prestes a descobrir a lendária Árvore da Vida que cura todos os males e concede a juventude a quem bebe de sua seiva.

Passa rapidamente pra um futuro distante onde um monge viaja numa bolha transparente pelo espaço na companhia de uma árvore em direção a uma estrela moribunda.
Volta pro presente onde um médico faz pesquisas em macacos na intenção de poder curar o tumor que ataca sua própria esposa.As três histórias se alternam durante o filme inteiro indo e voltando até o clímax.

O que liga estas três histórias, a princípio, é o ator Hugh Jackman (o Wolverine do filme dos X-men) que faz todos os três papéis masculinos.

Mas, à medida que o filme avança, percebemos outras ligações entre as histórias.

Além da linda atriz Rachel Weisz (aquelas dos primeiros filmes da Múmia), que faz o papel feminino e também aparece nas três histórias, temos a árvore como elemento constante no filme, além da busca obsessiva dos três homens pela cura e manutenção da vida.Conforme assistimos, obtemos várias pistas de que os três homens podem muito bem ser a mesma pessoa.

É aí que o filme começa a ficar confuso pra maioria das pessoas, pois ao concluir as três linhas narrativas o diretor Darren Aronofsky (autor dos filmes Pi e Requiem para um sonho) provoca interações entre elas que acabam deixando margens a muitas interpretações.

Admito que fiquei confuso e saí do cinema pensativo igual a maioria das pessoas, mas agora penso que o final não podia ser diferente.

Na comunidade do filme no orkut as pessoas discutem algumas destas interpretações. Tem gente que diz que único plano existente é o do médico, sendo os outros dois planos uma interpretação mental criados pelo diretor pra explicar a motivação do personagem.

Na primeira vez que vi o filme, saí do cinema pensando quase isso. Achava que o passado e o suposto futuro seriam uma metáfora pra contar a história de amor do médico pela sua esposa, mas agora que já vi o filme três vezes acho algo um pouco diferente.

Pra mim o passado é mesmo uma metáfora criada pela esposa do médico para retratar a busca frenética do marido por algo que possa salvá-la. Tal qual um cavaleiro explorador fanático faria em devoção a amada sua Rainha.

Já o futuro seria o próprio médico após ter alcançado a imortalidade, mas ainda obsessivo, agora tal qual um monge por sua rotina em busca da iluminação. É aí que o filme acaba, num misto de frustração e desespero que só termina quando ele faz o que sua esposa pedia pra ele há muitos anos atrás.

A iluminação final pode vir das coisas mais simples.
É claro que vocês podem discordar de mim, mas só depois de terem visto o filme, né?

Acima de tudo não passa de uma história de amor com momentos emocionantes e uma linda fotografia, repleta de imagens belíssimas banhadas constantemente por luzes douradas (nas três histórias), além da trilha sonora que me fez chorar em alguns momentos.

Eu recomendo, mas.... será que você gostaria do filme?
Valeu!

sábado, 26 de julho de 2008

Dica de Quadrinhos: Y – O último homem

Essa foi uma série que me deixou bastante apreensivo e preocupado.

O que aconteceria se os homens (e machos com cromossomo Y) morressem de uma hora pra outra?

É claro que nem todos morreram. O jovem Yorick Brown, de vinte e poucos anos, ainda está vivo. Bem como seu macaquinho Ampersand. Mas não se sabe como. Ou mesmo porquê.

Se isso acontecesse comigo ou com você, com certeza imaginaríamos mil coisas, muitas delas de ordem sexual, mas a verdade é que algumas fantasias deveriam existir apenas dentro da nossa própria cabeça, pois são desastrosas quando aplicadas na vida real.

Brian K. Vaughn não fez isso. Ele tentou realizar essa fantasia masculina primordial ao escrever uma série de quadrinhos pelo selo Vertigo da editora americana DC Comics (a mesma de Batman, Superman e companhia).

Pra quem não sabe o selo Vertigo é um braço da DC Comics especializado em quadrinhos com temática adulta (não confundir com pornográfica) e foi o lar de séries aclamadas e polêmicas como Sandman de Neil Gaiman, Preacher de Garth Ennis, John Constantine: HellBlazer e muitas outras.

Num mundo bem parecido com o nosso, os homens começam a morrer de uma hora pra outra. Em questão de poucos segundos todos os seres vivos com o cromossomo Y em sua genética começam a passar mal, vomitarem sangue e desfalecem, deixando um rastro de destruição sobre a Terra.

Aviões despencam em pleno vôo. Acidentes de trânsito deixam vias congestionadas. Usinas nucleares acusam vazamentos de radiação. A bolsa de Tóquio fica silenciosa. Um jogo de futebol feminino no Brasil é interrompido, pois o juiz, seus ajudantes e maior parte da torcida cai ao chão. Um ônibus espacial perde contato com o centro de controle na NASA. Serviços essenciais de rádio, telefone e até mesmo a televisão param de repente sem maior explicação.Enfim, um verdadeiro prenúncio do apocalipse.

Não demora para notar que todos que ainda estão vivos e ilesos são mulheres. Menos Yorick. E seu macaquinho Ampersand, é claro.
Yorick é um jovem desempregado, formado em Letras, que estuda a arte do ilusionismo (a mesma arte de Houdini, David Blaine, Mister M e outros) e é apaixonado por sua namorada. No momento do desastre, ele falava com ela pelo viva-voz do telefone enquanto tentava sair de uma camisa de força pendurado de cabeça pra baixo no batente da porta de seu apartamento em Nova York.

Sua namorada estava na Austrália há algum tempo num programa de ajuda humanitária e não queria sair de lá tão cedo. Yorick acabara de lhe dizer que estava meio agorafóbico, não saía de casa há alguns dias e sentia muito a falta dela, proponde-lhe casamento logo em seguida. Foi quando aconteceu a tragédia. A maioria dos homens e machos do planeta estavam mortos.

E isso foi só a primeira edição de uma série de 60 números (cinco anos de publicação) que começa a ser publicada regularmente (espero eu) pela editora PixelMedia aqui no Brasil agora em julho.

A série original acabou em janeiro nos EUA e foi líder de vendas e crítica do selo Vertigo durante quase toda sua publicação.

Yorick primeiro vai atrás de sua mãe, que é deputada e mora em Washington. Depois procura sua irmã, uma paramédica que acaba entrando pra um grupo perigoso denominado Amazonas. Não achando sua irmã, tenta ajudar uma famosa biotecnóloga a entender o porquê da tragédia, mas é perseguido pelas Amazonas e caçado por outros grupos militares que ficam sabendo de sua existência. Isso complica muito a situação, quando só o que queria era ir até a Austrália saber a resposta de sua namorada ao seu pedido de casamento.

Tudo isso na companhia de Ampersand e de sua guarda-costas: a misteriosa Agente 355 da organização conhecida como Culper Ring, uma agência de espionagem que existiu de verdade, sendo criada por George Washington em 1778 e que estaria ativa secretamente (na ficção, é claro) até hoje sob ordem direta do presidente americano regente.

É interessante notar o tipo de discussão que o autor propõe na série. Não é só uma obra de suspense ou aventura. A todo momento os personagens citam a história americana e fazem comentários sobre o sistema político e social vigente. (O primeiro número tem até um comentário maldoso sobre Hillary Clinton).

A trama é muito bem contada e boa pra se fazer pensar. Será que um mundo governado por mulheres seria muito diferente do de hoje? Isso é que me deixou preocupado...

O escritor Brian K. Vaughn foi aclamado com essa série, recebeu vários prêmios e escreveu outros quadrinhos para a DC Comics e sua rival Marvel, além de já ter escrito mais de quatro episódios da série LOST (continuando escalado pra próxima temporada) e atualmente trabalha para levar Y – O Ùltimo Homem ao cinema.

Será que isso acontece antes de terminarem a publicação por aqui?

Não li todos os 60 números da série (na verdade só li mesmo os cinco primeiros), mas ela pode ser encontrada facilmente em sites pra download na Internet. Se der sorte algum grupo de fãs já pode até ter traduzido todos os números. Não custa procurar.

Mas como não gosto de ler por computador prefiro esperar a publicação completa da série (se bem que isso deve demorar um pouquinho...).
Muitas conspirações, revelações e reviravoltas ainda virão (já vi até um bebê menino e um homem de cabelos brancos em imagens de outro site, será Yorick?) e espero que consiga ler a série toda sem ter que apelar pro computador. Tomara que saia completa aqui no Brasil.

Valeu!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Dica de Animê: Beck – Mongolian Chop Squad

Antes de mais nada quero começar justificando para os meus leitores (todos os três) minha prolongada ausência de três meses de postagens nesse blog: meu trabalho triplicou.

Em conseqüência o dinheiro deveria ter aumentado também, mas não vi a cor dele ainda. Espero que chegue logo.

É claro que não fiquei culturalmente alienado nesse período e vou aproveitar minhas férias pra tentar passar aqui algumas impressões e sugestões do que li, ouvi e assisti nesses três meses.

Começo com o animê Beck: Mongolian Chop Squad que me surpreendeu maravilhosamente.

(Pra quem não sabe Animê é um termo usado pra definir mundialmente os desenhos animados japoneses, cuja qualidade de produção é muito superior do que a americana.)

Beck é um desenho que fala sobre música. E também sobre a formação, amizades, brigas, inspiração e descontinuidade de uma banda de rock formada por adolescentes japoneses (mas que podia se situar em qualquer lugar do mundo).

É a história de Yukio Tanaka, apelidado de Koyuki, um jovem de 14 anos no último ano do Ensino Fundamental que até hoje não teve um grande destaque em nada em sua vida. Não tira notas altas e não inspira grandes paixões, além de ser constantemente importunado por colegas no colégio.

Num belo dia, depois de ter apanhado no colégio, volta pra casa sozinho quando encontra um cachorro muito estranho (com a pele cheia de remendos a la Frankenstein) sendo importunado por alguns garotinhos na rua.

Koyuki se identifica na hora com o pobre animal e o defende, colocando os garotos pra correr. Decide levar a cão pra casa, mas seu dono Ryusuke Minami, de 16 anos, aparece e leva o cachorro, não esquecendo de agradecer Yukio por tê-lo defendido.

Acontece que Ryusuke, apesar da pouca idade, é um grande guitarrista que acaba de retornar ao Japão depois de viver muitos anos nos Estados Unidos e acaba convidando Koyuki pra assistir ao show da banda dele dali há alguns dias.

Koyuki fica com os ouvidos doendo depois do show, mas não pode esconder o deslumbramento pelo som que acabara de escutar. Até aquele momento tudo de música que ele conhecia era uma cantora pop no estilo de Britney Spears. É só depois de ouvir Ryusuke que ele começa a descobrir o bom e velho Rock´n Roll.

Procura ouvir tudo o que é Rock e, por conta disso, faz alguns amigos no colégio. Começa a freqüentar a casa de Ryusuke e ganha de presente dele um violão antigo. É então que Ryusuke lhe conta que sua banda acaba de se separar e ele pretende montar a melhor banda de rock do Japão.

Koyuki se inspira na determinação do novo amigo e trata de aprender a tocar o instrumento que lhe foi presenteado.

Esse é pontapé inicial pra formação da banda Beck (nome do cachorro de Ryusuke), que mais tarde ficaria conhecida nos EUA como Mongolian Chop Squad (coisa de gravadora, vai entender...), e também é o início de uma série de 26 episódios que mostram o cotidiano de uma banda de rock tentando alcançar a fama.
O que me surpreendeu nesse desenho, além da qualidade de animação (que por vezes parece ter sido feita diretamente sobre filmagens de movimentos humanos) e da ótima trilha sonora original, é o andamento natural da trama, que confere um grau de realismo à história. A maior parte do tempo temos a perspectiva de Koyuki sobre tudo e, como um adolescente de 14 anos, o autor faz questão de mostrar vários aspectos cotidianos da vida do garoto e como a descoberta da música muda seu comportamento e sua maneira de encarar a vida pra uma forma bem melhor.

Por exemplo: ele se reaproxima de uma velha amiga de jardim de infância e por causa dela passa a freqüentar uma piscina da região onde conhece o senhor Saitou, um ex-nadador olímpico de 44 anos que é fã dos Beatles e acaba ensinando Koyuki a tocar violão e a treiná-lo duramente para as competições de natação da escola (onde ele se destaca e surpreende a todos).

Saitou também fica sendo responsável pela primeira apresentação ao vivo de Koyuki como guitarrista e é dele a letra na primeira composição original de Koyuki.

A maneira evolutiva de como a história é contada é que me fez pensar na naturalidade de tudo aquilo. Coisas assim bem que poderiam acontecer mesmo (se é que não acontecem) na vida real. Já ouvi dizerem que as parcerias saem de onde menos se espera.

Os 26 episódios compreendem dois anos e meio na vida de Koyuki, desde o primeiro encontro com Ryusuke, passando pelas aulas com Saitou, pela formação da banda, pelo reconhecimento no colégio, pelo primeiro beijo (na irmã mais nova de Ryusuke: Maho), pelo primeiro CD independente, pela troca de bateirista, pela evolução do som da banda, pela contratação por uma gravadora pequena, pelo convite pra um grande festival, pelas brigas e, finalmente, por uma turnê pela América.

Coisas até bem previsíveis de se acontecer em histórias desse tipo, mas contadas com uma naturalidade e suavidade que me surpreenderam.

Mas é claro que não foi somente isso que ocupou os 26 episódios. Tem também uma sub-trama de suspense protagonizada por Ryusuke, seu cachorro misterioso e sua guitarra cheia de buracos de bala (que se chama Lucille como a de B.B. King). Isso complica um pouco a vida da banda, mas no final tudo acaba bem.

Além, é claro, das participações relâmpago de diversas personalidades e estrelas do Rock antigas e atuais.

Me lembrou muito meus anseios de adolescência, onde depois de assistir a shows de bandas desconhecidas em porões escuros, pensava: será que eu faria sucesso numa banda?

De vez em quando ainda penso nisso. A vida bem que poderia ser assim, né?

Valeu!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Dica de Quadrinhos: XIII - O Número da Aventura

Personagens carismáticos, bons diálogos, uma grande conspiração, trama cheia de reviravoltas, desenhos num estilo realista médio e cores chapadas (exaltando a aparência antiga) é o que esperar de XIII- O Número da Aventura.
Uma história francesa de espionagem e teorias de conspirações escrita por Jean Van Hamme e desenhada por William Vance com muita ação e aventura típicas de bons filmes da década de 60, 70 e início dos 80.

No início parece muito com A Identidade Bourne (livro de Robert Ludlum e filme com Matt Damon), mas acaba seguindo caminhos bem diferentes.

Um homem ferido a tiros é achado numa praia da costa dos Estados Unidos e resgatado por um casal de idosos. Eles percebem o número XIII (treze em romanos) tatuado na frente do seu ombro esquerdo.

O homem desperta sem saber quem é, e nenhuma memória de como foi parar na praia ou mesmo de sua vida anterior. Logo, logo, homens misteriosos aparecem a sua procura e pertubam a paz dos moradores do local tentando matá-lo.

O homem se descobre dono de várias habilidades e acaba matando seus perseguidores. Acha uma foto sua carimbada, onde aparece abraçado a uma mulher, num bolso de um dos mortos e decide investigar a origem da foto.

Acaba caindo nas mãos de outros homens que parecem conhecê-lo, consegue fugir de dentro de um banco com uma mala de dinheiro numa sequência espetacular, mas é capturado pelo FBI em seguida.

Os federais o interrogam e acabam lhe contando que ele foi o atirador responsável pelo Dia do Sol Negro, o assassinato do presidente dos Estados Unidos, que tinha acontecido dois meses antes.
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É aqui que começa uma grande caçada de gato e rato entre o espião amnésico, agentes do governo e também misteriosos homens liderados pelo cruel Mangusto, que querem eliminar o agente Treze a qualquer custo para impedi-lo de descobrir quem é o número um da conspiração (e de quebra sua própria identidade).
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Fiquei tão empolgado depois de ler o 3o. número que fiz questão de colocar o 1o. na mão de meu pai pra ele ler. Ele não lê quadrinhos há muito tempo, mas já começeu a ler a 3a. edição. (E tá demorando muito pra ler o resto.)

Apesar de parecer antiga, pois começou a ser publicada há 24 anos, a história continua bem atual e ainda não chegou ao seu final.

É claro que o auge e desfecho da conspiração presidencial acontece na já quinta história (terceira edição brasileira), mas o autor consegue inserir a cada história novos fatos e dúvidas sobre a real identidade do agente Treze, o que dá um novo gás a série, já que o amnésico continua a investigar seu passado.
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Isso foi o grande diferencial responsável pela longevidade e sucesso da série nesses anos todos.

E apesar de 24 anos parecer muito tempo pra nós, vale lembrar que a série começou numa publicação semanal, onde uma página por semana era publicada. Apenas depois da quarta história (200 semanas ou quatro anos) começou a sair em álbuns separados. E na Europa, apesar dos autores trabalharem em vários projetos diferentes, a estabilidade do mercado permite que publiquem um álbum de cada projeto por ano, podendo assim primarem mais pela qualidade das histórias.

Os álbuns brasileiros foram mensais e compilaram 2 álbuns franceses, ou seja, pra uma série que até agora tem quase 25 anos de vida e 18 álbuns originais tivemos por aqui 9 números publicados desde 2006 e estamos sem novas histórias do agente amnésico desde o início de 2007.
Os autores prometem terminar a série em breve. Espero que não demore pra sair o final no Brasil.

O agente Treze até agora já teve 5 identidades comprovadas, mas nenhuma confirmada de verdade. Apesar disso, posso dizer que é um prazer vê-lo investigar cada nova pista e se meter em novas encrencas e aventuras junto com o paternal general Carrington e a sexy major Jones.

O sucesso da série foi tanto na Europa que já gerou inúmeras adaptações pra outras mídias, inclusive um jogo bem legal de Playstation 2 e uns dois filmes pra TV com Stephen Dorff (como Treze) e Val Kilmer (como o Magusto) que devem sair em breve.
Um dos melhores lançamentos dessa safra de europeus da editora PANINI.
Valeu!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Dica de Livro: O Homem do Castelo Alto

Philip K. Dick (1928-1982) foi um cara revolucionário.

Mas, ao contrário da maioria dos escritores de ficção científica, ele não estava muito interessado em inventar modas ou prever tecnologias futuristas (apesar disso estar presente em suas obras).

Seu maior mérito foi dissecar a natureza dupla do ser humano.

Autores como Isaac Asimov, por exemplo, exploraram muito bem o dilema do que é ser humano através de comparações com robôs e inteligências artificiais, mas não chegam aos pés de Dick quando o assunto é duplicidade.

As obras mais conhecidas dele atestam isso.

Blade Runner- o caçador de andróides (com Harrison Ford), Vingador do Futuro (com Arnold Schwarzenegger), Minority Report- a nova lei (com Tom Cruise), O Homem Duplo (com Keanu Reeves), O Pagamento (com Ben Afleck) são alguns filmes baseados em livros e contos de Philip K. Dick.

Holywood deve ter fila de atores sempre que um filme baseado em obras dele é anunciado (é só olhar o naipe dos que estrelaram esses filmes).

No livro O Homem do Castelo Alto (Editora Aleph, 2007), escrito em 1962, essa duplicidade humana parece se estender pra própria realidade.

O que aconteceria se a Alemanha e o Japão tivessem ganho a 2a. Guerra Mundial? É o ponto de partida do livro.

A história se passa na década de 1960 e através dos olhos de quatro personagens principais (e alguns secundários), somos apresentados à situação política, econômica e social de um mundo dividido entre as duas principais potências do Eixo.

Os personagens principais são: um negociante de antiguidades americano de relativo sucesso; um artesão (um judeu que esconde sua identidade) que acaba de ser demitido da fábrica que falsifica essas antiguidades; um alto ministro do interior japonês que coleciona antiguidades americanas; e a ex-mulher do artesão que mora num estado distante e acaba sem querer se envolvendo numa conspiração alemã.

O fio de ligação de todas as histórias é um livro chamado O Gafanhoto Torna-se Pesado, lido em algum momento por todos os personagens que descreveria um mundo em que o Japão e Alemanha tivessem perdido a guerra. O Homem do Castelo Alto seria o autor desse livro dentro do livro, e provocaria algumas ações um pouco desesperadas de alguns personagens.

Outro artefato importante na história é o I Ching, o chamado Livro das Mutações, uma espécie de oráculo utilizado há alguns milhares de anos pelos chineses aqui no nosso mundo e plenamente conhecido e usado na história na parte "japonesa" dos Estados Unidos.

O interessante é notar que o autor demonstra realmente conhecer o oráculo e chega a citar vários trechos de suas linhas de acordo com as jogadas de moedas ou varetas feitas pelos personagens.

A pesquisa de Dick foi muito bem feita. Ele estudou a fundo a 2a. Guerra Mundial, além de ter alegar ter lido várias livros sobre o assunto e seus personagens, principalmente uma obra chamada A Ascensão e queda do Terceiro Reich, sobre a situação alemã antes, durante e depois da guerra.

Seus personagens são bastante críveis e a maneira dele traduzir seus sentimentos, pensamentos e preocupações prendem a atenção do leitor na primeira metade da história.

Depois da metade, quando você acha que não vai acontecer mais nada, Dick introduz de maneira bem peculiar a idéia de uma guerra fria entre Japão e Alemanha mostrando que mesmo uma aliança vitoriosa não fica junta pra sempre (situação preocupante entre os EUA e a URSS na década de 1960).

E isso leva o livro de maneira soberba a seu surpreendente (e um pouco anti-climático) final.

E apesar de ficar aquele gostinho de quero mais, penso que não poderia terminar de outra maneira. Afinal, a vida continua quer queiramos ou não. E o que é verdadeiro?

Não é a toa que livro ganhou vários prêmios destinados não só a livros de ficção científica.

A dobradinha ficção-na-realidade, realidade-na-ficção daria muito o que falar em várias obras posteriores como o filme Matrix (só pra citar uma das mais conhecidas).

E apesar de ser taxado como ficção científica, o livro não nos mostra muitos avanços tecnológicos estando mais pra uma ficção alternativa, gênero nomeado de uns 20 vinte anos pra cá.

Entretanto, pelo conjunto da obra, Philip K. Dick acabou ficando pra história como um grande escritor de ficção científica, mas pra mim n´O Homem do Castelo Alto, ele demonstrou seu talento pra ser conhecido como um grande escritor e ponto.

Valeu!

sábado, 5 de abril de 2008

EXPERIÊNCIA MULTIMÍDIA - Na Natureza Selvagem

Mês de março acabou. Meu aniversário passou. Uma experiência ruim subindo favelas no Rio ficou para trás.

Mas deu pra tirar algo de bom disso tudo. E foi graças a dica de um amigo.

Na natureza selvagem (Into the wild, 2007) é a história real de Christopher Johnson McCandless. Um jovem que se forma na faculdade com 22 anos, mas ao contrário de outros jovens não tem pretensões de arrumar um bom emprego, constituir família ou mesmo ganhar dinheiro. Sua intenção era realizar a aventura de sua vida.

Chris abandona (quase que literalmente) os pais e a irmã após a formatura e embarca numa viagem de dois anos por todo os Estados Unidos munido apenas da roupa do corpo, mochila com alguns acessórios e um carro que comprara com seu próprio esforço (e que não passaria da primeira semana de viagem).

O sonho de Chris era ir pro Alaska. Desde pequeno ele gostava de acampar com os pais e os avós. Leitor inveterado, seu tema preferido eram livros que falavam da vida selvagem. Seus autores prediletos eram Henry David Thoreau, Jack London e Leon Tolstoi. Autores que exaltavam a natureza e a capacidade do homem de viver sem os confortos da vida moderna.

Chris passa um ano e meio viajando pelos Estado Unidos, sem residência fixa e sem emprego certo, chegando até a remar pelo México e voltar, antes de tentar sua aventura final no Alaska. Até mesmo um nome diferente do seu ele assume. Em vários registros ele foi identificado como Alexander Supertramp, apesar de usar o nome e o sobrenome em ocasiões alternadas.

Esse treino de mais de um ano perambulando sem destino lhe deu a confiança necessária para entrar na natureza selvagem, como escrito por ele num dos cartões que enviou pra um amigo que fez numa das viagens.

Só que o sonho de Chris lhe valeu mais do que poderia pagar. Seu corpo foi encontrado em agosto de 1992 dentro de um ônibus abandonado que servia de abrigo para mineradores no meio da floresta na região de Fairbanks, estado do Alaska, EUA.

A suspeita é de que tenha morrido de fome e inanição, após comer por engano uma planta venenosa que tira gradativamente a força dos membros se ingerida continuamente.

Minha experiência com essa história começou ativamente com esse amigo que falou sobre o filme dirigido por Sean Penn e estrelado por Emile Hirsch.

Mas antes disso eu já tinha ouvido falar no filme por causa da trilha sonora de Eddie Vedder, o vocalista do Pearl Jam, uma das minhas bandas de Rock favoritas.

Baixei a trilha na internet, gostei e me interessei mais pela história.

Acabei não resistindo, e mesmo com as vacas magras de início de ano comprei o livro escrito por John Krakauer. Li num final de semana para só depois assitir ao filme.

O livro é meio que uma extensão e atualização da matéria escrita pelo autor sobre a vida de Chris numa conhecida revista de viagens americana em janeiro de 1993.

O autor teve acesso a vários documentos, pertences, além de diários e fotos tirados por McCandless durante a jornada. Também entrevistou várias pessoas que possam ter tido algum contato com Chris nesses dois anos que passou longe da família.

Família essa que teve o último contato com Chris na ocasião da formatura, onde fizeram ele prometer tentar um curso de Direito durante um jantar de comemoração. McCandless nunca mais falou nem com os pais, nem com a irmã depois disso.

Seu rompimento familiar e sua excursão pela América são retratados pelo autor como uma forma de tentar achar a própria personalidade, depois de anos de decepções e repressão familiar por parte dos pais.

O autor (ele mesmo um trilheiro e alpinista) ainda inclui no livro narrativas de outros viajantes semelhantes a Chris que também tiveram fins parecidos, além de uma experiência própria, como uma forma de tentar achar um motivo, ou mesmo justificar as decisões e o amor do rapaz pela natureza.

O filme, apesar de se tratar só da história de Chris, vai na onda do livro e aproveita todo o caminho que Krakauer já tinha aberto em sua pesquisas e mais uma ou duas cenas que o livro não chega a descrever.

Sean Penn acerta o filme nos detalhes. A escolha e direcionamento dos atores revelam atuações minimalistas e nem um pouco forçadas de todo o elenco, em especial para Emile Hirsch, que teve que emagrecer bastante durante a filmagem por causa da transformação de Chriss. Mas o maior destaque acabam sendo a trilha sonora e a fotografia.

Filmado nos mesmos lugares em que McCandless teria passado, o filme traz paisagens belíssimas que quase chegam a justificar o desejo do jovem de se viver ali longe de todos.

As músicas de Eddie Vedder, compostas especialmente pro filme, revelam o clima ideal e quase que traduzem os pensamentos do jovem pro espectador.

Dizem que o filme demorou dez anos pra ser feito, pois Penn quis acertar todos os detalhes com o autor do livro, a família e os personagens envolvidos nas viagens de Chriss pela América. Que bom que conseguiu. Fez um filme bem legal e fiel ao livro, apesar do final trágico.

Assisti ao filme com minha família na sala lá de casa depois de baixá-lo, colocar legendas e convertê-lo pro formato de DVD players. (A quem possa interessar: Não pretendo abrir um comércio, e só faço isso pra meu uso pessoal.)

Minha mãe, obviamente, não gostou do filme, pois sentiu mais a dor dos pais do que tentou entender o sonho de Chriss.

Acho que meu pai e meu irmão gostaram do filme, pois conseguiram perceber que depois de tudo que havia passado, uma das últimas coisa que McCandless escreve em um de seus livros é: A Felicidade só é verdadeira quando compartilhada.

E essa é a grande mensagem que a história trágica desse jovem passa. E por isso eu quis compartilhar com todos.

Valeu!
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