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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Dica de Livro: Coisas Frágeis

Devo ficar afastado daqui durante um tempo, já que as provas começam essa semana.

Então vou tentar falar um pouco sobre esse livro que comecei a ler já tem quase um ano e só terminei agora.

Calma, calma. Não é que o livro seja difícil ou qualquer coisa assim. É um livro de contos. E bons contos geralmente são melhores apreciados se lidos com um espaço de tempo de um para o outro.

E são contos escritos por um dos meus autores favoritos: Neil Gaiman.

Ele já foi citado aqui no blog algumas vezes, mas não custa nada recapitular.

Gaiman é um escritor nascido e criado na Inglaterra que alcançou fama mundial por ter escrito todas as histórias das 75 edições da série em quadrinhos Sandman, para a editora DCComics americana.

Pra quem não sabe Sandman (ou Morpheus) é a personificação dos sonhos e faz parte de uma família de sete irmãos conhecida como Perpétuos.

São eles Destino, Morte, Sonho (o próprio Sandman), Desejo e Desespero (gêmeos), Delírio (que já foi Deleite) e Destruição. São entidades mais poderosas que deuses (já que não precisam serem adorados pra existirem), mas que estão abaixo dos humanos na escala de importância do universo, já que dependem de vida inteligente pra existir. Qualquer dia falarei mais deles aqui.

Antes de Sandman porém, Gaiman já era jornalista e escritor na Inglaterra e de vez em quando tinha alguns contos publicados em publicações coletivas. A primeira coletânea de contos só dele, com histórias dessa primeira fase pré-Sandman chama-se Fumaça e Espelhos: Contos e Ilusões e foi publicada aqui no Brasil em 2002.

O livro que acabo de ler é a segunda coletânea de contos do autor chamada de Coisas Frágeis (Editora Conrad, 2008, 205 pág.) e reúne contos escritos por ele depois do sucesso da série Sandman.

Alguns contos inclusive já haviam saído em publicações estrangeiras e entram aqui por uma questão de homenagem do autor ao tentar captar estilos ou se aventurar em universos de seus autores favoritos.

A edição brasileira contém 9 contos e Gaiman fez questão de falar de como foi escrever cada um deles na introdução. A grande maioria foi feita por encomenda a pedido de editores, amigos escritores e até de uma das filhas dele, mas isso não diminui sua qualidade.

Vou tentar falar dos que mais gostei.

"Um Estudo em Esmeralda" se passa na Inglaterra vitoriana do século XIX e mostra o famoso detetive Sherlock Holmes conhecendo seu parceiro John Watson enquanto tenta desvendar um assassinato na família real inglesa. Só que a família real inglesa não pertence muito a esse mundo. Gaiman diz ter sido uma tentativa de juntar as aventuras de Sherlock Holmes com o universo de montros de H.P. Lovecraft. Arrepiante!

"Golias" foi escrita para o site do filme Matrix e publicada meses antes do filme estrear nos cinemas. É a carta de despedida de um sujeito a sua esposa. Ele conta como descobriu que o mundo era uma mentira tendo sua vida reiniciada por duas vezes dentro devido a uma falha na Matrix causada por ataque alienígena a Terra do mundo real. O mais interessante é a passagem de tempo no mundo real em comparação com o tempo dentro da Matrix.

"O Pássaro-do-Sol" foi uma tentativa de Gaiman homenagear R. A. Lafferty, escritor falecido em 2002, ao mesmo tempo que atendia ao desejo de sua filha de um conto como presente de aniversário. É a história de um clube gastronômico que se entediava de já terem experimentado todo tipo de animal que há para se comer no mundo, desde abutres e morcegos até pandas e mamutes achados preservados em blocos de gelo. É então que um de seus integrantes mais antigos e excêntricos propõe uma caça ao misterioso Pássaro-do-Sol. A aparição de uma Fênix no final é bastante empolgante.

"O Monarca do Vale" se passa dois anos depois do fim do romance Deuses Americanos (também escrito por Gaiman). Shadow (o personagem principal do romance) está viajando pela Europa quando encontra na Escócia uma chance de ganhar um bom dinheiro sendo segurança de uma festa particular. Mas nem tudo é o que parece e alguns ricaços parecem estar dispostos a se aproveitarem de sua semi-divindade. Podem esperar participações especiais de deuses e monstros de mitos antigos. O autor até pede para fazerem uma comparação de uma personagem recente da atriz Angelina Jolie com um personagem presente neste conto.

Nos outros cinco contos restantes ainda há homenagens às Crônicas de Nárnia, treinos para romances posteriores, inspirações no movimento punk e até uma história inspirada num desenho de Frank Frazetta (dei uma pesquisada rápida e acho que é esse aí do lado).

Gaiman já esteve três ou quatro vezes no Brasil sendo a última delas em 2008 na FLIP (Feira Literária) em Paraty. Suas vindas são famosas pelas filas de autógrafos gigantescas.

Eu mesmo cheguei a me aventurar numa dessas na Bienal do Livro aqui no Rio em 2001 e peguei um autógrafo numa edição de contos organizados por ele, mas escritos por outros autores, sobre o universo do personagem Sandman.

Posso ser meio suspeito pra falar, mas suas histórias valem muito a pena.

Só não espere resultados muito comuns nas histórias saídas da mente desse que é um dos melhores escritores de fantasia-suspense-terror em atividade atualmente.

Como ele mesmo diz na introdução: muitos contos são pensados de um jeito, mas ao serem escritos assumem caminhos próprios e completamente inesperados.

Valeu!

sábado, 14 de março de 2009

Dica de filme e livro: Stardust – O mistério da Estrela

Aproveitando que o trabalho está apenas começando a engrenar e a semana de provas ainda está um pouco longe, decidi fazer mais uma postagem.

Acabo de ler a versão em livro simples de O Mistério da Estrela e editada aqui no Brasil pela Rocco editores em 2008.

E em homenagem a uma colega de trabalho que citou o filme essa semana vou comentar sobre a história.

Stardust (seu nome original) é uma história escrita por Neil Gaiman na forma de um livro ilustrado pelo desenhista Charles Vess, publicado em 1998 pela editora de quadrinhos DC Comics.

Apesar de ser ilustrada e publicada por uma editora de quadrinhos, Stardust não é uma história em quadrinhos.

Gaiman a escreveu na forma de livro e pediu a seu amigo Charles Vess que ilustrasse algumas passagens da história para DC Comics publicá-la.

Gaiman já era um sucesso na ocasião, mas isso era devido a seus roteiros em quadrinhos para a série adulta Sandman e não por causa de seus textos literários.

Só pra situar: a série Sandman foi uma das responsáveis pela criação do selo VERTIGO da DC, que só publica quadrinhos com temática adulta (não confundir com pornográfica) e geralmente fora do universo de super-heróis da editora. A série durou 75 edições e ganhou vários prêmios por seus roteiros (todos escritos por Gaiman), sendo a primeira série em quadrinhos a ganhar em premiações exclusivamente literárias.

Stardust pode então ser considerado o primeiro romance publicado por Neil Gaiman (que já escreveu seis ou sete romances que figuraram na lista do New York Times desde então).

A história se passa no século XIX no vilarejo de Muralha, na área rural da Inglaterra.

O vilarejo tem esse nome por fazer fronteira com um gigantesco muro de pedra que atinge toda a extensão leste da cidade.

O muro tem uma única abertura que leva ao vilarejo e essa abertura é sempre vigiada por dois habitantes da cidade. O motivo dessa vigília é o fato de que quem ultrapassa o muro ou volta louco, ou não costuma voltar.

Dustan Thorn é um rapaz simples e trabalhador que morre de vontade de conhecer o outro lado muro.

Ele tem essa oportunidade na única ocasião que a passagem fica desprotegida. Isso se dá por causa da feira de variedades que acontece do lado de lá do muro de nove em nove anos.

É uma feira mágica. Artefatos e animais estranhos, coisas nunca vistas do lado de cá são negociadas na feira e o preço nem sempre precisa ser dinheiro (podem ser coisas que você nunca recuperará).

Pessoas de toda a parte do mundo vêm à feira e Dunstan acaba ganhando de um viajante que abriga em sua casa a chance de atender o desejo de seu coração.

É então que ele passa a noite com uma linda e misteriosa atendente de barraca com estranhas orelhas pontudas.

Nove meses depois da feira uma cesta com um bebê dentro é entregue aos guardiões do muro com um nome escrito num bilhete: Tristran Thorn.

Tristran cresce e, ao fazer 18 anos, faz uma promessa a Victoria Forrester, a jovem mais bonita do vilarejo, de que traria a estrela que acabara de cair pra ela se ela prometesse dar-lhe o que quisesse na volta.

É então que começa a aventura de Tristran nas terras além-muro atrás da estrela, que nas terras mágicas se revela, para a surpresa de Tristran e do leitor, uma linda jovem de pele clara e cabelos loiros quase prateados, chamada Yvaine.
O problema é que uma estrela cair além do muro é algo muito raro e, além dos perigos desconhecidos da terra mágica, Tristran terá que enfrentar pessoas com intenções não tão boas quanto as dele em relação a jovem estrela.

Fantasia de primeira como nenhuma outra.

Bruxas, príncipes, unicórnios, árvores e animais falantes, navios voadores e outras esquisitices mágicas permeiam toda a história que, apesar disso tudo, contém várias passagens que não são para crianças.

Gaiman fez questão de escrever uma fantasia para adultos, por isso não se incomode ao passar por uma cena de sexo mais detalhada ou uma cena de morte mais esmiuçada e com mais sangue do que o necessário.

Minha história com o livro começou no início de 2002, quando ele teve sua primeira edição brasileira.

Acompanhei o lançamento pelos sites de notícia e fiquei bastante ansioso para obtê-lo. E eu penei pra comprá-lo. Só fui adquiri-la em meados de 2003.

Ainda não trabalhava na época e tinha que dar espaço as minhas nerdices com a mesada que recebia dos meus pais.

Conhecia pouco o trabalho do Gaiman (apenas duas ou três edições de Sandman), mas era completamente tarado por histórias mágicas ou medievais.

Juntei vários meses (um pouquinho a cada mês) de mesada pra conseguir comprar essa pérola ilustrada por Charles Vess e não me arrependi.

Mágica, mistério, suspense e aventura na medida certa (além de belas imagens).

Minha única crítica (se é que posso dizer assim, pois adorei a obra) é que a história demora um pouco pra engrenar e chegar na parte mágica e interessante, mas depois é só alegria.

Já o filme não tem esse problema.

A produção é de 2007 e foi dirigida por Matthew Vaughn.

Tem boas atuações com conhecidos e premiados atores.

Robert de Niro é um dos destaques como o engraçadíssimo Capitão Shakespeare do navio voador (personagem que não existe no livro).

Michelle Pfeiffer é outro e está muito sexy como a rainha das Bruxas.

Também há participações de Peter O´Toole como rei da Fortaleza da Tempestade e Ian McKellen como narrador da história.

Sem falar na talentosa Claire Danes, que faz a estrela caída.

No filme, a magia não demora tanto pra acontecer como no livro, mas a história foi encurtada e abrandada demais, perdendo muito que dava charme a ela.

Uma das coisas que mudaram no filme foi o final.

O livro é uma experiência meio contra-corrente em que Gaiman escolheu por dar ênfase ao prazer das descobertas e da aventura, então não há um clímax grandioso e cheio de ação como no fim do filme.

Outra diferença é que no livro se passam muitos anos antes de Tristran aceitar seu destino.

Uma coisa que também foi boa no filme, além das atuações e participações, é a trilha sonora. Ela dá um ótimo gás às cenas de ação e chega a empolgar bastante.Portanto, apesar de ser diferente, o filme ainda consegue emocionar ao evocar passagens dignas de contos de fada, porém num contexto diferente de histórias infantis.

Espero poder mostrar o livro e o filme pra minha filha (ou filho) um dia. Pulando as partes sangrentas e o sexo, é claro.

Recomendadíssimo!

Valeu!

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