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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Dica de Desenho: Avatar - A Lenda de Aang

Tenho assistido muita coisa nessas férias, mas nada foi tão legal quanto assistir ao final dessa série.A série começou a ser exibida em 2005 no canal a cabo americano Nickelodeon e terminou agora em 2008.

Se correr ainda dá pra pegar o final na
Globo.

Foram 61 episódios de humor, companheirismo, lutas, decepções, descobertas, traições, amizade, romance e um desenvolvimento e evolução jamais visto em personagens de um desenho animado norte-americano. Pelo menos por mim.

No Japão isso acontece há quase 40 anos nos Animês (como são chamados os desenhos locais), mas dificilmente acontecia na televisão de origem americana. E eles se superaram dessa vez. Tanto que muita gente acredita que Avatar é um desenho japonês e não americano.

Tá certo que o desenho foi todo animado por orientais, mas seus idealizadores, criadores e quase todos seus escritores e dubladores orinais são americanos.

E essa foi a grande jogada da Nickelodeon, apostar na qualidade superior de animação da terra do sol nascente pra fazer uma grande aposta em sua grade. Viva a globalização!

Imagino que o desenho tenha nascido como uma resposta aos animês e mangás que invadiram em peso a cultura ocidental de uns 10 anos pra cá.

Difícil você acompanhar crianças e adolescentes hoje em dia sem que conheça algum herói japonês lutador atormentado por desafios a princípio intransponíveis, mas que se fortalece a medida que a história passa e acaba superando tudo por causa da determinação, do amor e amizade de seus companheiros.

Avatar é bem assim.

Antigamente o mundo era divido em quatro nações: a Nação do Fogo, a Tribo da água, o Reino da Terra e os Nômades do Ar. Algumas pessoas nascidas em cada nação podiam ser treinadas para dominar mentalmente seu elemento de origem.

Mas hoje o mundo está diferente. A Nação do Fogo começou a 100 anos uma guerra que está ameaçando o equilíbrio do mundo.

Quase todas as tribos da água foram dizimadas. O reino da terra persiste mas só restam poucas cidades livres e a capital. E os Nômades do Ar foram completamente extintos.

Cabe ao Avatar, um espírito que encarna uma vez a cada geração para guiar a humanidade com sabedoria ao mundo espiritual, trazer o equilíbrio de volta. Mas ele sumiu sem deixar vestígios há quase 100 anos.

Aang é um garoto-monge de 12 anos que ficou congelado num iceberg por um século até ser libertado por uma casal de irmãos que moram no gelado pólo sul.

Aang é um dominador de ar. Pode dobrar o vento a sua vontade para planar, saltar, correr e, principalmente, lutar utilizando rajadas e outras formas mais complexas para atingir seus inimigos numa base que lembra muito o kung-fu chinês e outras formas de luta orientais.

Acontece que Aang também é o Avatar, o único humano que pode controlar todos os quatro elementos.
O problema é que ele, antes de ser congelado, só tinha aprendido a controlar o ar.
O casal de irmãos Sokka e Katara fazem parte de uma tribo denominada Tribo da Água do Sul e, ao descobrirem que Aang é o Avatar, se comprometem a ajudá-lo a aprender a dominar a água, a terra e o fogo para que possa acabar com a guerra começada pela Nação do Fogo a 100 anos.

Aang é o último nômade do ar vivo. E, além de ser o último de seu povo, ainda recai sobre ele a responsabilidade de salvar o mundo. Será que é muito pra alguém de apenas 12 anos? Com certeza.

A princípio Aang só quer saber de se divertir com seus novos amigos, mas a medida que a história passa ele observa o mal causado pela guerra e também o poder que a esperança trazida pelo seu retorno desperta nas pessoas.

Demora um pouco, mas ele acaba assumindo seu destino. Porém, mesmo se convencendo de que tem que salvar o mundo, isso não quer dizer que vai ser fácil.

A série teve três temporadas a cada uma delas foi nomeada como livro.
O Livro 1: Água tem 20 episódios em que Aang é revivido, viaja com seus amigos, visita várias cidades, conhece o terror da guerra, interage com pessoas boas e más de ambos os lados, é abordado por antigos amigos (alguns vivos, outros não), é caçado constantemente pelo príncipe de 16 anos Zuko, o herdeiro do trono da Nação do Fogo, além de aprender junto com Katara o domínio da técnica de dobrar a água.


O Livro 2: Terra tem mais 20 episódios em que Aang e seus amigos se juntam a Toph, uma menina cega de 12 anos mestra em domínio de terra, que vai tentar ensinar ao Avatar sua técnica.

As coisas ficam mais complexas e eles começam a tentar parar a guerra tentando de todo jeito chegar a capital do reino da terra, a cidade murada de Ba Sing Se, onde as coisas nem sempre são o que parecem.

Testemunham também o príncipe Zuko ser caçado por seu próprio exército e fugir vivendo disfarçado com seu sábio e misterioso tio Iroh, um antigo general da nação do fogo que sofreu uma grande transformação ao ser derrotado e perder seu filho anos atrás nos muros de Ba Sing Se.O Livro 3: Fogo é o último e tem 21 episódios. Começa com um Aang ferido quase mortalmente após enfrentar a irmã de Zuko, a fria e calculista Azula, princesa da Nação do Fogo e uma das poucas dominadoras de fogo que conseguem evocar o relâmpago, uma forma mais refinada de domínio de fogo.

Aang ainda tem que encontrar um professor de dominação de fogo e seu grande dilema é descobrir o que fazer quando enfrentar o Senhor do Fogo.

Será que um monge treinado pra perdoar, ser tolerante, amoroso e compreensivo seria capaz de matar? O final é bem interessante.
As lutas bem próximas a estilos reais de arte marcial é uma das coisas que mais me atraíram na série a princípio.

Alguns anos atrás tive alguma experiência com Tai Chi Chuan, uma forma meditativa e não-agressiva de kung-fu, e reconheci vários movimentos do Tai Chi logo na abertura dos episódios.

Outra coisa interessante é observar a evolução dos personagens.

Sokka começa como um adolescente preconceituoso e medroso e acaba se tornando responsável, tolerante e, apesar de não manipular elemento algum, vira um valioso espadachim e estrategista, sempre tendo idéias melhores das de Aang e Katara.
Katara é uma dobradora de água puramente instintiva e um pouco apagada no início, mas ao arrumar um professor pro Aang, se torna forte e valorosa mostrando sua força diversas vezes chegando, no decorrer da série, a manipular a água de plantas, de seu próprio suor e, até mesmo, do sangue dos outros.

Bem legal.

Mas Zuko é quem mais muda.

No livro 1 ele era apenas um príncipe mimado, banido e bastante convencido de sua própria superiodade, que achava que recuperaria sua honra se capturasse o Avatar, mas a convivência com seu tio Iroh o faz perceber que honra não tem nada a ver com fazer mal a pessoas e sim fazer bem aos outros e a si mesmo. Uma grande lição de vida.

Mas muita coisa acontece até ele entender isso somente no livro 3.Resumindo tudo: Avatar - a Lenda de Aang é um desenho animado americano que bebe diretamente de fontes de filosofia oriental e contém grandes lições de compaixão, amor a vida, amizade e responsabilidade, intercalados com humor no estilo pastelão (característico do principal púlbico-alvo de 12 anos) e ótimas cenas de luta que não devem nada a filmes como Matrix ou O Tigre e o Dragão.
Com certeza é algo que passaria para os meus filhos. RECOMENDADÍSSIMO!

Valeu!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dica de Livro e Seriado: Dexter

Mês de janeiro na área. Férias pela metade. E eu aqui arrumando um tempinho pra escrever no blog.

Hoje a dica é sobre um livro que virou seriado de TV. E sobre o próprio seriado, que terminarei de assistir ainda nessas férias.

Comentarei sobre o livro e depois falarei um pouco sobre o seriado de TV, que há dois anos figura na lista dos melhores seriados policiais americanos.

Também, a proposta da série é (se não original) no mínimo diferente, porém muito bem executada.

Dexter: a mão esquerda de Deus é um livro de Jeff Lindsay lançado em 2004 nos EUA e que só chegou em julho de 2008 aqui no Brasil.

Dexter Morgan é um rapaz inteligente, simpático, bastante higiênico, bem-apessoado, além de ter um bom emprego e ser até (por que não?) bonito.

Um tipo de rapaz que você com certeza apresentaria a sua família ou gostaria que uma filha lhe apresentasse.

Mas Dexter tem um problema: é um assassino. Desses que matam sempre. Um assassino serial (ou serial killer, se preferir) que trabalha de perito pra polícia de Miami. Seu diferencial é que ele só mata outros assassinos.Dexter foi adotado aos três anos de idade por um policial que o encontrou em uma cena de crime (que será um dos mistérios da história). Quando o garoto fez 10 anos, o pai, percebendo o desejo do filho em matar e destroçar coisas vivas, resolve ensiná-lo a aplacar seu desejo utilizando seus instintos de policial.

E entre lições de como fingir que é parte da sociedade e de como abordar uma presa de caça, o pai vai aos poucos gravando na mente do filho um rígido código de conduta. Código esse que o ensina só a caçar animais ou pessoas como ele, gente que merece.
O livro começa com Dexter perseguindo um padre na saída de uma apresentação do coral de uma igreja católica. Após capturar o padre, eles chegam numa construção abandonada onde vários corpos de crianças mortas estavam dispostos sobre a mesa. Dexter faz o padre olhar as crianças mortas e o padre acaba confessando ser o responsável pelas mortes. De acordo com o código de seu pai, isso era tudo que Dexter precisava. O padre nunca mais veria a luz do dia.

Na manhã seguinte Dexter é chamado para periciar uma cena de crime. Foi chamado por sua irmã Deborah, que trabalha na patrulha como guardinha e estava trabalhando disfarçada como prostituta.

Ela pede ao irmão que a ajude a solucionar esse crime, pois seu maior sonho era entrar na Homicídios, departamento que investiga os assassinatos.

Dexter é um perito especializado em borrifos de sangue, mas esse caso é diferente.

Uma mulher foi desmembrada e teve seus membros embrulhados separadamente. O problema é que não há sangue. Nenhum. E isso deixa Dexter maravilhado.

Esse é só o começo do livro que é narrado sempre em primeira pessoa, ou seja, a história é contada sempre do ponto de vista de Dexter e somos confrontados com sua mente sombria, incapaz de se emocionar, mas cheia de humor negro.É um dos ponto altos do livro. O suspense da perseguição ao assassino que não deixa sangue em paralelo as tentativas de Dexter de manter relações pessoais com amigos, irmã e até mesmo uma namorada, em face da admiração que passa a sentir pelo serial killer rival.Admiração essa sempre conflitante, pois se de um lado ele encontra alguém igual a ele, por outro seu desejo e o código de seu pai lhe dizem que esse ele poderia matar sem culpa.

A primeira temporada da série televisiva é bastante fiel ao livro, chegando até a ser melhor.

Michael C. Hall (famoso pela série A Sete Palmos do canal HBO) faz um Dexter sublime que interpreta o assassino de assassinos com um expressividade contida, mas percebível e em perfeita sincronia com a narração dos pensamentos da própria personagem (mantida na série). O ator já ganhou vários prêmios, entre os principais do circuito televisivo, desde que a série estreou em 2006.

A grande diferença da série pro livro é claro são os outros personagens. Enquanto no livro alguns colegas de Dexter fazem só a "figuração" por assim dizer, na série eles são personagens complexos que vão sendo aprofundados pelos autores a medidade que os episódios avançam.

Dexter continua, é claro, sendo o personagem principal, mas os escritores do seriado acertaram em cheio ao dar conflitos aos colegas de trabalho de Dexter, pois isso só aumentou a dimensão humana do próprio monstro-psicopata que é o personagem-título.

Outra mudança óbvia na série é a presença de vários outros assassinos caçados por Dexter. No livro ele só chega a matar três pessoas enquanto persegue o assassino principal. Fazer isso na série é um pouco mais complicado, pois cada episódio tem que consistir numa história fechada apesar de fazer parte do todo que é o primeiro ano.

É claro que não é em todo episódio que ele mata alguém, mas no total dos 12 episódios da primeira temporada ele mata bem mais gente que no livro.
Até agora só assisti até a metade da primeira temporada, mas gostei muito até aqui. O que já andei lendo em alguns sites de fãs é em relação ao final ser um pouco diferente do final do livro, mas nada que mude absurdamente a intenção do autor Jeff Lindsay.

O seriado acaba de terminar a exibição da terceira temporada lá fora, sendo que a segunda está quase terminando por aqui no canal a cabo FX e por enquanto só a primeira saiu em DVD.E existem ainda mais três livros com o personagem, sendo que apenas o primeiro foi lançado no Brasil.

Resta ficar na torcida pros outros livros serem traduzidos rapidamente e pra lançaram os outros dois anos da série em DVD (já que o canal FX não é dos mais assistidos na TV a cabo).

Apesar do motivo sanguinário, não é preciso tanto estômago pra apreciar a série. Mas é necessário ter a mente aberta e alguma inteligência pra captar o sarcasmo e ironia das frases ditas por Dexter, característicos do humor negro da série.

Uma boa pedida pra quem quer fugir do convencional.

Valeu!
Ps.: um blog com boas notícias e informações da série: http://dexterlords.blogspot.com/

domingo, 21 de dezembro de 2008

Dica de Quadrinhos: Supremo, a história do ano

Depois de MoonShadow aproveito para postar mais um texto dando dica sobre quadrinhos.

Esse eu escrevi em 2006, mas dei uma atualizada antes de postar aqui.

Boa pedida pra quem gosta de super-heróis.

Supremo, a história do ano.
Comprei em dezembro/2005, numa banca aqui do RJ, uma caixa com as três edições da editora Brainstore por apenas R$49,90 (Tava R$89,90 no submarino).

Supremo é uma espécie de Super-homem do universo de heróis da editora Image Comics, uma rival das poderosas Marvel Comics (lar do Homem-aranha, Hulk, X-men e etc.) e DC Comics (lar de Batman, Superman, Liga da Justiça e etc.).

Só pra situar: a Image Comics foi formada no início dos anos 90 por desenhistas de sucesso insatisfeitos com o tratamento dado na Marvel e na DC. Depois disso, uma avalanche de novos personagens, quase todos copiados de outras editoras, invadiu as bancas e foi sucesso por um tempo (principalmente pelos desenhos), mas isso não durou muito. Logo, o público, e os donos da editora, é claro, perceberam que apenas bons desenhos não sustentavam as vendas.

Foi por causa disso que roteiristas profissionais foram chamados para tentar salvar as vendas dos personagens da editora.

O inglês Alan Moore, escritor de V de vingança, Do inferno, Watchmen e outros, foi um deles e nos presenteou com Supremo, a história do ano.

Supremo começou a atuar como Kid Supremo nos anos 30, cresceu (abandonando o título de Kid), fez muitos amigos e (mais ainda) inimigos, sofreu várias reformulações, mas ainda está na ativa hoje em dia.

A história começa quando Supremo acaba de voltar do espaço depois de uma longa viagem e encontra algo de errado com a realidade. Sem aviso, é abordado por quatro versões diferentes dele mesmo.

Entre elas: um rato gigante estilo Supermouse, uma sexy mulher negra com cabelo Black Power e o primeiro Supremo dos anos 40 (que só dava grandes saltos e não voava).

Por achar ser culpa deles a realidade estar estranha, Supremo os ataca e eles lutam por um breve período.
As versões acabam lhe convencendo a acompanha-los através de um portal.

Uma cidadela gigantesca os espera e Supremo descobre que o local é uma espécie de limbo pra onde iam todas as versões do Supremo e também de amigos, parceiros e mascotes do Supremo que já tinham tido sua chance e não faziam mais parte da cronologia atual do personagem.

Ele encontra desde cachorros e macacos Supremos até reis Supremos e Supremos alienígenas, além de todas as suas namoradinhas de infância, seus parceiros mirins e seus amigos repórteres que trabalharam com ele no rádio.

É claro que o Supremo atual não se lembra de nenhum daqueles, então lhe é explicado que ele obteve uma honra que nenhum Supremo jamais teve: visitar a dimensão Suprema antes de iniciar sua vida na cronologia atual.

Ele é saudado por todos os Supremos e então volta a Terra pra iniciar sua própria cronologia.

A partir desse início incomum (que só poderia ter saído da cabeça do Moore), Supremo assume seu novo emprego de desenhista de quadrinhos de super-herois (um campo ótimo pro Moore colocar suas opiniões sobre a mitologia e o mercado na boca de outros personagens) e visita locais de seu passado.

Cada vez que ele chega em algum lugar importante somos brindados com histórias inteiras do passado do Supremo (mudando inclusive o estilo do desenho pra um mais parecido com o dos anos 40, 50 ou 60) e assim ele vai recuperando sua memória aos poucos.

Velhos amigos reaparecem, Aliados voltam a ativa, parceiros mirins são reencontrados e antigos vilões ressurgem mais poderosos, porém com o mesmo ódio.

É nessa história que o personagem criado pelo infame desenhista (e dublê de roteirista) Rob Liefeld deixa de ser apenas um plágio para se tornar uma grande homenagem do escrito Alan Moore ao Homem de Aço ou simplesmente "a história definitiva do Super-Homem" como disseram alguns veículos de imprensa na época do lançamento.

A maioria dos personagens que já tiveram alguma importância na história do Homem de aço nesses 70 anos de existência tem suas versões nessa história do Supremo.

Até mesmo os nomes de personagens com consoantes duplas aparecem ali (é só ver seu arqui-inimigo Darius Dax, o gênio do crime, pra citar um dos exemplos).

Moore passeia com maestria por todos os clichês de histórias clássicas de super-heróis sem ser repetitivo ou previsível (tem até uma máquina do Darius Dax que transfere poderes!). Bem legal!

Em relação a edição da Brainstore: pra começo de conversa a impressão não tá muito boa. Os desenhos (na maioria feito por artistas seguidores do estilo musculoso dos anos 90) estão desfocados e borrados, o que dificulta um pouco a apreciação da revista.

Se o leitor conseguir superar esse detalhe a chance de se gostar da história é grande. (Também, é padrão Alan Moore de qualidade, né?)

Outra coisa: quem for comprar a revista pela capa esperando ver desenhos do quadrinista e pintor Alex Ross pode se decepcionar, pois além da capa, a única contribuição artística de Ross na revista são duas páginas de rascunhos pra um novo uniforme (que nem aparece na história) do personagem no final de cada edição.
Há pouco tempo a editora Devir lançou uma nova edição nacional de Supremo, a história do ano, inclusive com um quarto álbum escrito pelo Moore intitulado A Era Moderna (que a Brainstore não chegou a lançar), mas não vi nenhuma das novas edições ainda pra avaliar se a impressão melhorou. Espero que sim, pois a história merece.

Resumindo: Supremo de Alan Moore é uma ÓTIMA pedida pra quem é fã incondicional do gênero super-herói (com destaque pro Super-homem, é claro) e estiver disposto a ignorar alguns erros e decepções da edição da Brainstore pra apreciar as idéias, textos, homenagens e maluquices do escritor inglês Alan Moore.

Valeu!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Dica de Quadrinhos: MoonShadow

Fim-de-ano logo aí, férias começando e o blog voltando.

Como já fazia um tempo que não escrevia nada aí vai uma dica de um dos meus quadrinhos preferidos e que marcou muito uma época da minha vida.

Numa época diferente da atual, em que os quadrinhos pintados eram visto com estranheza e uma série em 12 edições em formato americano era coisa difícil de se imaginar no Brasil, a editora Globo teva a coragem de lançar MoonShadow: Um conto de fadas para adultos nas bancas nacionais.

Escrita por J. M. DeMatteis e ilustrada por pintores do nível de Jon J. Muth, Kent Williams e George Pratt, essa série (lançada lá fora em 1985 e editada aqui em 1990) conta a história de vida do personagem título, desde antes de sua concepção até a perda de sua inocência, aos 16 anos.

Com grande influência da cultura hippie norte-americana (da qual a mãe de Moonshadow fez parte), refletida principalmente nos nomes de lugares e personagens, DeMatteis (que era conhecido até então pelo seu trabalho na Liga da Justiça em sua fase engraçada) arma a história do despertar de um menino para a fase adulta recheada de referências literárias, aventura, suspense, loucura, situações engraçadas, críticas a guerra, amor, morte, questionamento da própria existência e do lugar que cada um ocupa no universo e, enfim, tudo aquilo que nos acompanha na entrada para a maturidade.

Sob o ponto de vista de um Moonshadow há muito já adulto, começamos acompanhando a história de sua mãe, a hippie Sunflower, de como ela foi raptada, largada, casada, engravidada, e largada novamente pelos alienígenas G L'Doses, grandes bolas brilhantes e sorridentes sem nenhum propósito compreensível de existência, a não ser capricho, no auge dos protestos contra a guerra do Vietnã.

Nascido num lugar chamado de Zôo, onde viviam seres de várias outras raças também raptados e largados lá sem nenhum motivo aparente pelos caprichosos GL'Doses, o garoto cresce acompanhado pelo amor incondicional de sua mãe e tendo como únicos amigos: um gato preto chamado Frodo; um bicho, de origem desconhecida, peludo, mau-humorado, boca-suja e louco por sexo, conhecido como Ira (que lembra o primo It da Família Adams na aparência); e, a pedido de sua mãe, a maior e mais incrível biblioteca da Terra, único presente que recebera de seu sorridente pai desde de seu nascimento.

Ouvindo as histórias da mãe, se aventurando no meio de alienígenas pelo Zôo com Frodo, ocasionalmente sendo enxotado e xingado pela escolhida figura paterna de Ira (a quem amava apesar de tudo) e amando e devorando as histórias dos livros de sua biblioteca, Moonshadow se torna um adolescente sensível e sonhador.
Até que aos 14 anos, seu pai (a bola brilhante e sorridente) o expulsa do Zôo, junto com sua mãe, Frodo, Ira e uma nave especialmente preparada pra eles, sem nenhum motivo aparente.

É então que ele inicia, em sua próprias palavras: "sua jornada para o despertar", conhecendo a morte, a loucura, a guerra e o amor até sua entrada na vida adulta.

Quando comprei todas as doze edições juntas num sebo em 1997, admito que não dei muito crédito e só procurava algo pra fugir da espera pelas histórias do Super-Homem e dos X-men que demoravam um mês inteirinho pra continuar nas bancas. Foi só começar a ler pra ter aquela impressão de estar segurando ouro nas mãos.

Foi a melhor história que tinha lido até então.

É claro que isso já tem mais de dez anos e eu tinha praticamente a mesma idade de Moonshadow.

Tive que relê-la há pouco tempo pra poder detalhar melhor minha opinião e, principalmente, ver se ela continuava a mesma.O texto de DeMatteis, possui uma qualidade quase poética, como se fosse mesmo um conto de fadas (cada edição se inicia com a citação de um autor de lingua inglesa) e as pinturas dos quadros complementam muito bem a atmosfera da trama.

Em muitos momentos você sabe da história apenas pelo texto, tendo as ilustrações uma função só de contrapor a beleza estética-visual com a beleza da prosa poética como num livro infantil. Isso faz com que a narrativa em quadrinhos fique parada e sem vida em algumas ocasiões e esse é um dos poucos defeitos da obra.

Hoje percebo também que o texto se torna cansativo, conforme a história ruma para o final, mas nada que as belas imagens, a expectativa criada pela história e a simpatia pelos personagens não salvem.

Afinal, depois de uma jornada tão rica o final já não é mais tão importante quanto era no início.

Todos deveriam dar ao menos uma lida em Moonshadow, afinal, todos nós, no fundo, somos, seremos ou já fomos como ele um dia.

Valeu!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dica de filme: Não Por Acaso

Não por Acaso é um filme brasileiro de 2007 dirigido por Philippe Barcinski e estrelado por Rodrigo Santoro, Letícia Sabatella e outros.

É um filme bastante melancólico, mas bem interessante.

O filme trata de recomeços narrando duas histórias que só tem em comum uma mesma tragédia que acontece a dois homens.

Pedro (Santoro) é um marceneiro de 30 anos, especializado em mesas de sinuca que mora com a namorada num apartamento encima de sua oficina.

Ênio (Leonardo Medeiros, o prefeito da novela A Favorita) é um engenheiro de trânsito de 40 e poucos, solteiro e que trabalha controlando o tráfego da conturbada cidade de São Paulo.

Além de marceneiro, Pedro é um ótimo jogador de sinuca, já tendo ganho vários torneios do jogo. Ele espera sua namorada completar sua mudança para o apartamento dele quando o pior acontece.

Ênio é um cara metódico e solitário que acaba de receber a notícia que sua ex-mulher voltou a morar no Brasil. A ex-mulher é seu grande amor, mas é casada e vive muito bem, abrindo uma livraria na cidade.

Ela o procura e lhe diz que a filha adolescente gostaria de conhecê-lo. Ele recusa, não querendo atrapalhar a vida de ninguém e achando que aquilo poderia mudar muito sua própria vida.

É nesse ponto, por volta de uns 20 minutos de filme, que acontece a virada na história. O mesmo acidente tira a vida tanto da namorada de Pedro, quanto da ex-mulher de Ênio e eles vão ter que viver um dia de cada vez, aprendendo suportar as consequências.

Na vida de Pedro aparece Lúcia (Letícia Sabatella, muito linda), uma mulher moderna e prática, que aluga o apartamento que era de sua namorada e acaba sendo sua promessa de volta a socialização.

Na vida de Ênio, sua filha Bia força a entrada aos poucos e ele tem que aprender a ser pai depois de quase 16 anos de solidão.

Uma sequência memorável é a do acidente que mostra a diferença que dois segundos podem fazer na sua vida.

Outra bem legal é a narração apaixonada de Ênio em que compara de forma bastante simples o estudo do trânsito de grandes cidades com a Mecânica dos Fluidos, uma área de estudo de Física avançada.

Uma que também não dá pra esquecer é o mergulho no pensamento de Pedro quando ele calcula as probabilidades do jogo no campeonato de sinuca.
 
Direção firme e impecável e atuações na medida certa para os personagens, sem falar na própria cidade de São Paulo que por si só é um grande personagem do filme.

E da linda e melancólica trilha sonora que acompanha perfeitamente o ritmo da narrativa.

São belíssimas as imagens do filme. E foi através dele que fiquei com vontade de conhecer essa cidade feita quase toda de concreto, mas com uma ou outra pérola escondida no meio dela.

É engraçado como o filme faz com que o concreto não esconda a beleza de São Paulo. Não se vê muitas árvores, é claro, mas é um outro tipo de beleza. A beleza dos prédios e formas produzidas pelo homem.

Me fez querer andar ali e sentir um pouco daquela selva de pedra junto com os personagens. Bem legal.Vi o filme no cinema no fim de 2007 e estive andando pelas ruas da cidade agora em agosto de 2008. Gostei bastante. Tenho certeza que um dia eu volto lá.

Valeu!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Dica(?) de filme: Nome Próprio


Vi nesse fim-de-semana o novo filme da atriz Leandra Leal (a Elzinha da novela Ciranda de Pedra).

Não sei se o recomendo. Mas quero falar um pouco do filme aqui.

O filme acaba de ganhar o prêmio de melhor filme, melhor atriz e melhor diretor de arte no 36º. Festival de Cinema de Gramado.

Os outros dois podem até ser válidos, afinal é o cinema brasileiro se auto-premiando, mas merecido mesmo foi o de melhor atriz.

Pra fazer tudo o que essa menina fez em frente da câmera tem que ter coragem. Mas ainda não sei se recomendo o filme.
Bom, pra começar um pouco da história (?).

Camila é uma jovem brasiliense que mora em São Paulo e acaba de ser expulsa de casa pelo namorado. Ela tem um blog. Escreve diariamente no seu computador. Tem até alguns fãs e pessoas que comentam sempre seus textos na internet.
Vai morar no quartinho de empregada de um amigo. Seu projeto atual é escrever um livro. Decide aproveitar esse tempo extra que acabou de arrumar pra tentar e acaba descobrindo um pouco mais sobre si mesma e a vida no processo. As palavras se sobrepõem na tela. Camila consegue um apartamento. Se decepciona, ficando com mais homens (e até uma mulher). E só.

Contando assim parece poético. Pode até dar vontade de ver filme, né?

O filme tem sim alguma poesia, mas isso é alternado com cenas de sexo, (muitos) palavrões, escatologias, bebidas, fumaça de cigarro, obsessões e choro. Tudo isso numa espiral descendente que envolve a personagem numa tentativa caótica de autodestruição a princípio motivada pelo rompimento com o namorado.
Digo a princípio, pois ela pega mais uns três desconhecidos (e uma amiga) no filme e isso faz você até esquecer do primeiro cara.

Camila fuma e bebe. E muito. Bebe álcool como se fosse sua única fonte de nutrição e fuma como se precisasse daquilo pra respirar.

Camila é nojenta. Leandra Leal está nojenta. (E mereceu seu prêmio de melhor atriz).

É um daqueles filmes que exigem total entrega e comprometimento da atriz e muito estômago pro espectador agüentar até o final.

Na sessão em que estive, uma velhinha e outra moça levantaram na metade filme e não voltaram. Fico pensando em quantas sessões do filme essa cena se repetiu.

Talvez não tenham agüentado os palavrões (sempre presentes em filmes nacionais) ou quem sabe não agüentaram ver a personagem fazer tanta (não resisti ao palavrão) merda.

Que o diretor Murilo Salles faz questão de mostrar sem medo e em closes. Talvez por isso deve ter tanta gente falando bem do filme. E deve ser por isso que ganhou o prêmio de melhor filme em Gramado. Não sou muito fã de cenas feitas apenas pra chocar a platéia (alguns chamariam essas cenas de naturalistas).

O filme é baseado em dois livros e outros textos de Clarah Averbuck, uma jovem de 29 anos que nasceu em Porto Alegre e veio a São Paulo em 2001 pra ser escritora. Já teve três livros publicados e foi campeã de acessos em blogs da Internet. E ela diz várias vezes em seu blog atual que não é a Camila do filme.

Também diz que se orgulha de ter conseguido vender os direitos de seu primeiro livro pro cinema (onde aí sim colocou experiências pessoais) e que a Camila do filme foi mais composta pela mente de Murilo Salles, Leandra Leal e equipe, do que por ela. Será verdade?

Bom, voltando ao filme, pra quem possa interessar, existem sempre as cenas de nudez. E de sexo, claro.

Leandra Leal já começa o filme nua. Depois fica de camisão e calcinha. Alterna alguns vestidos. Muda algumas camisetas. Fica nua de novo. Bota um sutiãzinho pra disfarçar. Fica nua mais um bom tempo. Veste uma roupa e aí o filme acaba.
E quem quiser ver tudo isso tem agüentar as outras cenas. Algumas desconfortantes e, pra mim, desnecessárias a história.

Mas quem sou eu pra falar? Só sei que nunca mais vou olhar a doce Elzinha da novela das seis da mesma maneira.

Valeu!
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