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sábado, 12 de março de 2011

Animação: Rango

Ótimo faroeste + Boa comédia + Bela animação infantil = Rango (2011), o novo filme do diretor Gore Verbinski, responsável pela franquia Piratas do Caribe, e a primeira animação em longa metragem produzida pela IL&M, produtora de George Lucas, o criador de Star Wars.

Rango é um solitário camaleão doméstico com aspirações a dramaturgo e ator que sofre um acidente de carro e acaba perdido no meio do deserto de Nevada. Vai parar na cidadezinha de Poeira, onde outros animais vivem no estilo do velho oeste e, numa tentativa de re-inventar, se torna o xerife da cidade, que sofre com políticos corruptos, criminosos violentos e, principalmente, a falta de água.

O roteiro de John Logan é redondinho e segue a cartilha das animações infantis a risca com a jornada do herói cheia de personagens marcantes. Surpreende por conseguir integrar as piadas e homenagens (que não são poucas) de forma orgânica à narrativa, ou seja, não há desvio na trama principal somente para uma única piada como é feito em várias comédias populares da atualidade.

Outro ponto importante é o texto, bem mais elaborado que o de animações infantis comuns, o que soa como um elemento coringa no filme, podendo conquistar mais adultos do que crianças.

O fato de Rango ser um aspirante a ator, por exemplo, rende um ótimo momento metalingüístico no início do filme que provavelmente pouquíssimas crianças entenderão.

Caracterização perfeita que abusa de cores sóbrias nos rostos sujos e roupas surradas no primeiro ato para ilustrar belamente a dificuldade passada pelos habitantes da cidade, que acabam entrando em contraste com o tom vivo das roupas e pele de Rango e mudando gradativamente a paleta de cores conforme o filme avança.

A animação, muitíssimo bem trabalhada, impressiona absurdamente no nível dos detalhes de cada personagem. É possível, por exemplo, ver cada ruga da tartaruga Prefeito ou cada pêlo no rosto do coala Seu Colher, só pra citar alguns exemplos.

Os detalhes impressionam tanto que, ao final da sessão é inevitável que se pense que, fazendo algumas adaptações, a animação funcionaria muito bem com seres humanos no lugar de animais.

A fotografia ajuda muito nesse sentido. Destaque para as cenas de cavalgada sob o Sol ou sob a Lua ou mesmo aos enquadramentos em horas de crepúsculo. Todas grandes homenagens aos antigos faroestes.

Voltando as homenagens, elas estão por todo o filme e vão desde aparições do jornalista Hunter S. Thompson e do ator Clint Eastwood, passando pela caracterização dos vilões (imagens cuspidas de John Houston e Lee Van Cleef), até o toque da Cavalgada das Valquírias na seqüência de perseguição com morcegos.

A trilha sonora é um caso a parte, toda trabalhada em clássicos de faroestes italianos, favorece bem a tensão e expectativa de cada cena. Extremamente empolgante!

Uma grande animação da IL&M que, com o olhar sensível de Verbinski, pode conquistar crianças e, principalmente, a adultos com suas várias referências a faroestes e comédias antigas muitíssimo bem adaptadas a realidade atual.

Recomendado!

Valeu!

domingo, 25 de abril de 2010

Quadrinhos: Loveless -Terra Sem Lei

LoveLess – Terra sem Lei (132págs, 2010) é a nova publicação da Panini Editora que chegou as bancas nesse mês de Abril no Rio e em São Paulo.

Oriundo do selo VERTIGO da DcComics é mais uma opção pra quem está cansado de histórias de qualidade duvidosa que invadem as bancas mensalmente, principalmente as de super-heróis.

Wes Cutter acaba de voltar a sua cidade natal após ter ficado dois anos preso por ter lutado pelo lado perdedor na Guerra Civil americana. Seu objetivo é reassumir suas terras e reencontrar sua esposa Ruth, dada como desaparecida desde que o exército da União invadiu a cidade de Blackwater. Só que nem tudo é o que parece e ele e Ruth vão trazer sua vingança a cidade.

Só pra esclarecer: a Guerra Civil americana (1861-1865), também conhecida como Guerra da Secessão, foi um sangrento conflito que dividiu os Estados Unidos entre os Estados do Norte, de economia baseada no comércio, e os Estados do Sul, de economia baseada na agricultura. O Sul declarou guerra aos estados do Norte após a vitória de Abraham Lincoln nas eleições presidenciais, visto que ele era declaradamente a favor da abolição da escravatura, sendo que a escravidão era considerada essencial na economia dos estados sulistas.

Escrita por Brian Azzarello, o mesmo de 100 Balas (do qual já falei aqui), Loveless se passa no sul dos Estados Unidos, na época do velho oeste, onde todos tinham armas e era difícil manter a lei. 

Azzarello trabalha com um tema polêmico, o lado derrotado na Guerra Civil. Vemos homens, como Wes, que decidiram lutar na guerra não por serem a favor da escravidão, mas por quererem garantir sua independência e soberania sobre suas próprias terras. E mesmo a guerra tendo acabado, vários deles não desistiram de lutar pelo que acreditam, se tornando foras-da-lei.

O roteiro de Azzarello surpreende por ter vários níveis de atenção, ou seja, algumas vezes temos várias coisas acontecendo numa mesma cena. 

Por exemplo, alguns flashbacks acontecem no meio da ação. Isso quer dizer que temos ação ocorrendo no presente dividindo a cena com memórias do passado num mesmo espaço. O que torna a história não muito fácil de ser apreciada pra quem procura uma leitura rápida e despretensiosa. É preciso prestar atenção pra entender tudo.

Uma maneira de resolver isso foi a mudança de cores quando há alguma coisa a ser lembrada. O personagem do presente tem tons normais, enquanto aquele que divide a cena com ele, no passado, tem tons de sépia.

A arte de Marcelo Frusin é num estilo realista e simples com traços bastante elegantes, por assim dizer, abusando dos contrastes entre luz e sombras para criar emoção. Desenhos talvez muito bonitos para uma história sangrenta e pesada como essa.

A edição da Panini tem uma boa qualidade gráfica, mas carece de extras como informações sobre os autores e o texto de apresentação da série feito pelo próprio Brian Azzarello, que por acaso foi reproduzido no site da editora (http://web.hotsitepanini.com.br/vertigo/amor-e-sexo-no-velho-oeste/), onde Azzarello destaca seu amor pelo filmes de Faroeste e sua intenção de fazer de Loveless uma história com muita paixão, amor e luxúria (ou seja, sexo) no velho oeste.

Necessário dizer que essa edição compreende as cinco primeiras histórias do título, que nos EUA compreendeu 26 histórias. 

Não posso deixar de admitir também que não me senti satisfeito com essa edição, ou seja, fiquei com aquele gostinho de quero mais. Isso porque mesmo reunindo cinco das edições originais, a história não parece ter chegado nem na metade do que foi planejado pelo autor. Que venha mais Loveless!

Um faroeste diferente que não subestima sua inteligência contendo intrigas políticas, sexo, violência, romance, sexo (de novo) e, é claro, vingança é o que se pode esperar de Loveless – Terra Sem Lei.

Recomendado.

Valeu!
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