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sábado, 2 de maio de 2009

Dica de Filmes: Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol

Um romance como nunca se viu no cinema.

Uma mesma história de amor dividida em dois filmes simples, porém maravilhosos.

É o que esperar de Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol.

O primeiro filme, Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) é um história dirigida por Richard Linklater e escrita por ele e Kim Krizan sobre um jovem casal que se conhece num trem na Europa e resolve passar a noite juntos em Viena enquanto o rapaz aguarda seu avião partir pela manhã.

A moça é uma universitária francesa de 23 anos e chama-se Celine (Julie Delpy) e o rapaz é um jovem americano chamado Jesse (Ethan Hawke) que está terminando suas férias pela Europa.

Dito assim parece só mais uma história de amor hollywoodiana, mas não é nada disso.

O filme mostra como o verdadeiro amor realmente acontece.

Não espere grandes emoções, reviravoltas, mal-entendidos, desavenças bobas e exageros presentes normalmente nesse gênero de filme.

O filme é só conversa. Conversa e andança. Andanças pela belíssima capital austríaca, Viena. E só isso é necessário pra você ser conquistado. E pra Jesse conquistar Celine, claro.
Pra ilustrar isso, em uma cena já quase no fim de filme Celine chega a dizer, com um quê de tristeza, que quando desceu do trem tinha pensado em transar com Jesse, mas depois de tudo que passaram sentia que não deviam transar, pois isso não aplacaria seu sentimento.

O mais interessante é o que os atores conseguiram fazer tudo parecer tão natural que você se imagina dizendo aquelas coisas. Eu mesmo já usei frases do filme em algumas ocasiões.

São os diálogos que fizeram os dois se apaixonar. E esses mesmo diálogos, as vezes comuns e banais e outras vezes filosóficos e existenciais, são o que faz você ficar ligado no filme e torcer para que o casal fique junto no final.

Mas não espere um final holywoodiano pra esse filme que passa longe do convencional. Na verdade, o final é aquele prescrito desde o início, mas uma promessa de reencontro que faz com que ele fique em aberto é um dos trunfos do filme.

Bom pra se usar em aulas de literatura ou escrita criativa. Que pena que eu só trabalho com matemática.

O segundo filme demorou nove anos até ser produzido e filmado, pois tanto o diretor quanto os atores tinham medo de uma continuação estragar a história original.

E não é que a continuação ficou ainda melhor?

Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004) mostra um casal já mais ou menos maduro (passaram dos 30) se reencontrando quase que por acaso em Paris exatamente nove anos depois do fim do primeiro filme.

A produção, que também foi dirigida e escrita por Richard Linklater, teve colaboração no roteiro do casal de atores (Ethan Hawke e Julie Delpy), que voltaram felizes pros papéis e colocaram visões e experiências próprias nos diálogos.

Jesse está em Paris, no final da turnê de promoção de seu livro. É entrevistado em uma livraria sobre a história de seu livro, no qual um jovem americano se apaixona por uma jovem francesa e passam a noite juntos em Viena, quando encontra Celine na mesma livraria.Eles saem juntos por Paris, fazendo hora enquanto Jesse novamente aguarda seu avião, e conversam sobre suas experiências desses nove anos. Muita coisa mudou nesse tempo. Eles passaram de jovens sonhadores a adultos realistas (e quase pessimistas).

Logo no início no filme ficamos sabendo se eles realmente se reecontraram depois de Viena. E pra quem possa estar se perguntando isso só posso dizer: assista!

A estrutura do filme é até mais simples do que o primeiro e ele se passa quase que em tempo real num longo passeio de 1h20min pela cidade de Paris (que por si só já dispensa comentários).
Como no primeiro, são os diálogos que fazem o filme. E também, os atores. E novamente uma linda cidade. Bom, na verdade é todo o conjunto.

Mas há algo a mais.

Acho que a consciência de um tempo de poucas horas de contato (em contraponto a noite inteira do primeiro filme) pode ter forçado os atores a serem um pouco mais sinceros e intensos em relação a emoção passada por seus personagens.

É claro que a experiência dos anos e o fato dos próprios atores terem colaborado na escrita do texto deve ter ajudado muito nesse sentido.

Um dos destaques vai pra uma discussão emocionada dentro de um carro quase no fim do filme de como a noite de nove anos atrás afetou suas vidas para sempre.

É interessante também como o reencontro vai despertando novamente um tipo de magia e romance que ambos achavam ter perdido.Com um final mais empolgante e que também fica em aberto, posso dizer que esse filme chega a ser melhor do que o primeiro e é um dos melhores filmes românticos que já vi.

Apesar dos dois atores praticamente se igualarem na interpretação dramática, Julie Delpy se sobressae por seu talento musical ao compor e interpretar quatro músicas pra trilha do filme. Sendo uma delas a emocionante e reveladora valsa que Celine toca em seu violão pra Jesse nos minutos finais.

Se depois de ler isso você ficar interessado em ver os dois filmes é essencial saber disso: são duas longas conversas feitas em passeios de quase 1h30min de duração cada em lindas cidades européias.Então é importante não assistir com sono ou mesmo acompanhado por pessoas que não aguentam ficar paradas durante muito tempo.

Só assim você vai ser capaz de ver o casal descobrindo o amor e absorver apropriadamente alguns dos conceitos que os autores quiseram passar na história.

Eu, por exemplo, aprecio muito a versão dublada por tornar mais rápido e fácil de entender alguns diálogos.

Altamente recomendado.

Valeu!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Dica de Livro: Coisas Frágeis

Devo ficar afastado daqui durante um tempo, já que as provas começam essa semana.

Então vou tentar falar um pouco sobre esse livro que comecei a ler já tem quase um ano e só terminei agora.

Calma, calma. Não é que o livro seja difícil ou qualquer coisa assim. É um livro de contos. E bons contos geralmente são melhores apreciados se lidos com um espaço de tempo de um para o outro.

E são contos escritos por um dos meus autores favoritos: Neil Gaiman.

Ele já foi citado aqui no blog algumas vezes, mas não custa nada recapitular.

Gaiman é um escritor nascido e criado na Inglaterra que alcançou fama mundial por ter escrito todas as histórias das 75 edições da série em quadrinhos Sandman, para a editora DCComics americana.

Pra quem não sabe Sandman (ou Morpheus) é a personificação dos sonhos e faz parte de uma família de sete irmãos conhecida como Perpétuos.

São eles Destino, Morte, Sonho (o próprio Sandman), Desejo e Desespero (gêmeos), Derio (que já foi Deleite) e Destruição. São entidades mais poderosas que deuses (já que não precisam serem adorados pra existirem), mas que estão abaixo dos humanos na escala de importância do universo, já que dependem de vida inteligente pra existir. Qualquer dia falarei mais deles aqui.

Antes de Sandman porém, Gaiman já era jornalista e escritor na Inglaterra e de vez em quando tinha alguns contos publicados em publicações coletivas. A primeira coletânea de contos só dele, com histórias dessa primeira fase pré-Sandman chama-se Fumaça e Espelhos: Contos e Ilusões e foi publicada aqui no Brasil em 2002.

O livro que acabo de ler é a segunda coletânea de contos do autor chamada de Coisas Frágeis (Editora Conrad, 2008, 205 pág.) e reúne contos escritos por ele depois do sucesso da série Sandman.

Alguns contos inclusive já haviam saído em publicações estrangeiras e entram aqui por uma questão de homenagem do autor ao tentar captar estilos ou se aventurar em universos de seus autores favoritos.

A edição brasileira contém 9 contos e Gaiman fez questão de falar de como foi escrever cada um deles na introdução. A grande maioria foi feita por encomenda a pedido de editores, amigos escritores e até de uma das filhas dele, mas isso não diminui sua qualidade.

Vou tentar falar dos que mais gostei.

"Um Estudo em Esmeralda" se passa na Inglaterra vitoriana do século XIX e mostra o famoso detetive Sherlock Holmes conhecendo seu parceiro John Watson enquanto tenta desvendar um assassinato na família real inglesa. Só que a família real inglesa não pertence muito a esse mundo. Gaiman diz ter sido uma tentativa de juntar as aventuras de Sherlock Holmes com o universo de montros de H.P. Lovecraft. Arrepiante!

"Golias" foi escrita para o site do filme Matrix e publicada meses antes do filme estrear nos cinemas. É a carta de despedida de um sujeito a sua esposa. Ele conta como descobriu que o mundo era uma mentira tendo sua vida reiniciada por duas vezes dentro devido a uma falha na Matrix causada por ataque alienígena a Terra do mundo real. O mais interessante é a passagem de tempo no mundo real em comparação com o tempo dentro da Matrix.

"O Pássaro-do-Sol" foi uma tentativa de Gaiman homenagear R. A. Lafferty, escritor falecido em 2002, ao mesmo tempo que atendia ao desejo de sua filha de um conto como presente de aniversário. É a história de um clube gastronômico que se entediava de já terem experimentado todo tipo de animal que há para se comer no mundo, desde abutres e morcegos até pandas e mamutes achados preservados em blocos de gelo. É então que um de seus integrantes mais antigos e excêntricos propõe uma caça ao misterioso Pássaro-do-Sol. A aparição de uma Fênix no final é bastante empolgante.

"O Monarca do Vale" se passa dois anos depois do fim do romance Deuses Americanos (também escrito por Gaiman). Shadow (o personagem principal do romance) está viajando pela Europa quando encontra na Escócia uma chance de ganhar um bom dinheiro sendo segurança de uma festa particular. Mas nem tudo é o que parece e alguns ricaços parecem estar dispostos a se aproveitarem de sua semi-divindade. Podem esperar participações especiais de deuses e monstros de mitos antigos. O autor até pede para fazerem uma comparação de uma personagem recente da atriz Angelina Jolie com um personagem presente neste conto.

Nos outros cinco contos restantes ainda há homenagens às Crônicas de Nárnia, treinos para romances posteriores, inspirações no movimento punk e até uma história inspirada num desenho de Frank Frazetta (dei uma pesquisada rápida e acho que é esse aí do lado).

Gaiman já esteve três ou quatro vezes no Brasil sendo a última delas em 2008 na FLIP (Feira Literária) em Paraty. Suas vindas são famosas pelas filas de autógrafos gigantescas.

Eu mesmo cheguei a me aventurar numa dessas na Bienal do Livro aqui no Rio em 2001 e peguei um autógrafo numa edição de contos organizados por ele, mas escritos por outros autores, sobre o universo do personagem Sandman.

Posso ser meio suspeito pra falar, mas suas histórias valem muito a pena.

Só não espere resultados muito comuns nas histórias saídas da mente desse que é um dos melhores escritores de fantasia-suspense-terror em atividade atualmente.

Como ele mesmo diz na introdução: muitos contos são pensados de um jeito, mas ao serem escritos assumem caminhos próprios e completamente inesperados.

Valeu!

Dica de Livro: A Mão Esquerda da Escuridão

Carga de trabalho ficando pesada por causa da aproximação das provas.

Mas uma semana de repouso por causa de uma torcida de tornozelo seguida por feriados de quase uma semana(só no Rio de janeiro mesmo!) foram ótimos pra colocar a leitura em dia.

A dica de hoje vai pra quem gosta de uma boa história, em particular de uma história de ficção científica bem diferente das usuais.

É um livro da autora americana Ursula K. Le Guin escrito nos anos 60, chamado de A Mão Esquerda da Escuridão.
Uma pesquisa rápida no Google revela que Ursula ficou famosa mundialmente nos anos 70 pelos livros do ciclo Terramar. Uma fantasia mágica passada num universo completamente inventado por ela.

Chegou a ser comparada na época a J.R.R. Tolkien, o autor de Senhor do Anéis, pela sua inventividade e detalhamento das situações.

Mas antes de livros de magia ela se dedicava integralmente a ficção científica. E num terreno quase que exclusivamente masculino não é que ela conseguiu trazer inovação ao tema?

A Mão Esquerda da Escuridão (Editora Aleph, 2008,295 pág.) é a história de Genly Ai, um emissário da federação galáctica conhecida como Ekumen, e sua missão de fazer o primeiro contato oficial com os seres inteligentes do planeta Gethen.

Gethen fica numa das regiões mais distantes da galáxia e é chamado de Planeta Inverno pelos Ekumen por causa de sua temperatura média de -2 graus celsius nas regiões urbanas (podendo diminuir muito mais em tempestades ou em áreas rurais).

As duas maiores nações de Gethen são Karhide e Orgoreyn. Países vizinhos, mas completamente diferentes.

Enquanto Karhide é governada por um Rei que é auxiliado por um Primeiro-ministro e um conselho sem muito poder, Orgoreyn tem 33 Comensais que tentam controlar o país igualitariamente num sistema parlamentar-socialista onde todos os homens supostamente tem os mesmos direitos.

Genly faz o primeiro contato em Karhide, onde residiu durante um ano e meio até conseguir sua primeira audiência com o Rei.

Dono da confiança do primeiro-ministro Estraven, um dos poucos que acreditam que ele é um enviado de outro planeta, Genly chega a doar seu minúsculo foguete e objetos para serem inspecionados pelos cientistas de Karhide, mas alguma coisa sai errado.

O primeiro-ministro Estraven é considerado traidor e banido pelo rei de Karhide e é então que Genly decide tentar de novo no país vizinho.

Em Orgoreyn, tudo parece mais fácil a principio, mas a burocracia e a constante competição por poder entre os Comensais trarão surpresas desagradaveis para o emissário.

O livro é dividido em vários capítulos, nem sempre com o mesmo narrador. A trama principal é narrada pelos registros do diário eletrônico do próprio Genly, mas a todo momento a história é interrompida por relatos de mitos, lendas e registros históricos, além de passagens complementares do diário escrito de Estraven que nos ajudam a entender a formação dos costumes e peculiaridades do povo de Gethen.

Uma dessas peculiaridades e uma das grandes pegadas do livro é o fato do povo do planeta Inverno não ter gênero sexual definido.

A autora faz questão de descrever os nativos como humanoides que poderiam se passar por eu ou você, mas de aparência andrógina e sem órgãos sexuais visíveis sob suas pesadas roupas.

Os órgãos sexuais só apareceriam em ciclos de 26 dias e ficam visíveis por 3 ou 4 dias, onde a potência sexual e desejo reprodutivo do indivíduo atingiria seu máximo.

Esse período é chamado de Kemmer pelos nativos e a autora faz do livro quase um estudo social sobre o quê a ausência da divisão entre sexos poderia fazer por uma sociedade (por exemplo: como não há distinção de sexo, qualquer um poderia engravidar.)

Outro ponto interessante é discussão sobre a evolução social e tecnológica do planeta, recoberto de gelo em grande parte, onde os carros costumam andar a 40km/h, nunca existiram transportes voadores e as casas são construídas com janelas apenas em torres altas (para não serem cobertas em tempos de neve).

O livro também revela uma intensa pesquisa feita pela autora nascida na California (um estado bem quente dos EUA) no detalhamento da sequência de dificuldades que Genly passa por se aventurar em desertos de gelo. Quase como um daqueles filmes de pessoas perdidas em regiões geladas ou que escalam montanhas altíssimas.

E no início do livro, ainda somos presenteados com um ensaio introdutório da própria autora onde ela discute a importância da ficção científica.
Segundo ela, muita gente tem preconceito contra o gênero por achar que não passa de uma extrapolação de situações reais e tentativa de previsão do futuro, quando na verdade a boa ficção científica não passa de simples descrição de situações reais ou desejos atuais num ambiente de mentiras criadas pela cabeça do autor. Igualzinho a qualquer outro romance de qualquer gênero literário. Bem Legal!

Uma trama bem narrada e cheia de reviravoltas com discussão de igualdades entre sexos e raças num mundo inóspito que bem poderia ser o nosso, é o que esperar desse ótimo livro.

Recomendado!

Valeu!

sábado, 14 de março de 2009

Dica de filme e livro: Stardust – O mistério da Estrela

Aproveitando que o trabalho está apenas começando a engrenar e a semana de provas ainda está um pouco longe, decidi fazer mais uma postagem.

Acabo de ler a versão em livro simples de O Mistério da Estrela e editada aqui no Brasil pela Rocco editores em 2008.

E em homenagem a uma colega de trabalho que citou o filme essa semana vou comentar sobre a história.

Stardust (seu nome original) é uma história escrita por Neil Gaiman na forma de um livro ilustrado pelo desenhista Charles Vess, publicado em 1998 pela editora de quadrinhos DC Comics.

Apesar de ser ilustrada e publicada por uma editora de quadrinhos, Stardust não é uma história em quadrinhos.

Gaiman a escreveu na forma de livro e pediu a seu amigo Charles Vess que ilustrasse algumas passagens da história para DC Comics publicá-la.

Gaiman já era um sucesso na ocasião, mas isso era devido a seus roteiros em quadrinhos para a série adulta Sandman e não por causa de seus textos literários.

Só pra situar: a série Sandman foi uma das responsáveis pela criação do selo VERTIGO da DC, que só publica quadrinhos com temática adulta (não confundir com pornográfica) e geralmente fora do universo de super-heróis da editora. A série durou 75 edições e ganhou vários prêmios por seus roteiros (todos escritos por Gaiman), sendo a primeira série em quadrinhos a ganhar em premiações exclusivamente literárias.

Stardust pode então ser considerado o primeiro romance publicado por Neil Gaiman (que já escreveu seis ou sete romances que figuraram na lista do New York Times desde então).

A história se passa no século XIX no vilarejo de Muralha, na área rural da Inglaterra.

O vilarejo tem esse nome por fazer fronteira com um gigantesco muro de pedra que atinge toda a extensão leste da cidade.

O muro tem uma única abertura que leva ao vilarejo e essa abertura é sempre vigiada por dois habitantes da cidade. O motivo dessa vigília é o fato de que quem ultrapassa o muro ou volta louco, ou não costuma voltar.

Dustan Thorn é um rapaz simples e trabalhador que morre de vontade de conhecer o outro lado muro.

Ele tem essa oportunidade na única ocasião que a passagem fica desprotegida. Isso se dá por causa da feira de variedades que acontece do lado de lá do muro de nove em nove anos.

É uma feira mágica. Artefatos e animais estranhos, coisas nunca vistas do lado de cá são negociadas na feira e o preço nem sempre precisa ser dinheiro (podem ser coisas que você nunca recuperará).

Pessoas de toda a parte do mundo vêm à feira e Dunstan acaba ganhando de um viajante que abriga em sua casa a chance de atender o desejo de seu coração.

É então que ele passa a noite com uma linda e misteriosa atendente de barraca com estranhas orelhas pontudas.

Nove meses depois da feira uma cesta com um bebê dentro é entregue aos guardiões do muro com um nome escrito num bilhete: Tristran Thorn.

Tristran cresce e, ao fazer 18 anos, faz uma promessa a Victoria Forrester, a jovem mais bonita do vilarejo, de que traria a estrela que acabara de cair pra ela se ela prometesse dar-lhe o que quisesse na volta.

É então que começa a aventura de Tristran nas terras além-muro atrás da estrela, que nas terras mágicas se revela, para a surpresa de Tristran e do leitor, uma linda jovem de pele clara e cabelos loiros quase prateados, chamada Yvaine.
O problema é que uma estrela cair além do muro é algo muito raro e, além dos perigos desconhecidos da terra mágica, Tristran terá que enfrentar pessoas com intenções não tão boas quanto as dele em relação a jovem estrela.

Fantasia de primeira como nenhuma outra.

Bruxas, príncipes, unicórnios, árvores e animais falantes, navios voadores e outras esquisitices mágicas permeiam toda a história que, apesar disso tudo, contém várias passagens que não são para crianças.

Gaiman fez questão de escrever uma fantasia para adultos, por isso não se incomode ao passar por uma cena de sexo mais detalhada ou uma cena de morte mais esmiuçada e com mais sangue do que o necessário.

Minha história com o livro começou no início de 2002, quando ele teve sua primeira edição brasileira.

Acompanhei o lançamento pelos sites de notícia e fiquei bastante ansioso para obtê-lo. E eu penei pra comprá-lo. Só fui adquiri-la em meados de 2003.

Ainda não trabalhava na época e tinha que dar espaço as minhas nerdices com a mesada que recebia dos meus pais.

Conhecia pouco o trabalho do Gaiman (apenas duas ou três edições de Sandman), mas era completamente tarado por histórias mágicas ou medievais.

Juntei vários meses (um pouquinho a cada mês) de mesada pra conseguir comprar essa pérola ilustrada por Charles Vess e não me arrependi.

Mágica, mistério, suspense e aventura na medida certa (além de belas imagens).

Minha única crítica (se é que posso dizer assim, pois adorei a obra) é que a história demora um pouco pra engrenar e chegar na parte mágica e interessante, mas depois é só alegria.

Já o filme não tem esse problema.

A produção é de 2007 e foi dirigida por Matthew Vaughn.

Tem boas atuações com conhecidos e premiados atores.

Robert de Niro é um dos destaques como o engraçadíssimo Capitão Shakespeare do navio voador (personagem que não existe no livro).

Michelle Pfeiffer é outro e está muito sexy como a rainha das Bruxas.

Também há participações de Peter O´Toole como rei da Fortaleza da Tempestade e Ian McKellen como narrador da história.

Sem falar na talentosa Claire Danes, que faz a estrela caída.

No filme, a magia não demora tanto pra acontecer como no livro, mas a história foi encurtada e abrandada demais, perdendo muito que dava charme a ela.

Uma das coisas que mudaram no filme foi o final.

O livro é uma experiência meio contra-corrente em que Gaiman escolheu por dar ênfase ao prazer das descobertas e da aventura, então não há um clímax grandioso e cheio de ação como no fim do filme.

Outra diferença é que no livro se passam muitos anos antes de Tristran aceitar seu destino.

Uma coisa que também foi boa no filme, além das atuações e participações, é a trilha sonora. Ela dá um ótimo gás às cenas de ação e chega a empolgar bastante.Portanto, apesar de ser diferente, o filme ainda consegue emocionar ao evocar passagens dignas de contos de fada, porém num contexto diferente de histórias infantis.

Espero poder mostrar o livro e o filme pra minha filha (ou filho) um dia. Pulando as partes sangrentas e o sexo, é claro.

Recomendadíssimo!

Valeu!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Dica de Quadrinhos: Um francês, um brasileiro e um argentino.


Férias chegaram ao fim. Carnaval passou. Trabalho começou a todo vapor. E 2009 promete nesse sentido.

Minhas postagens aqui vão diminuir muito. Mas ainda tenho tempo pra postar algumas coisas.

A dica de hoje é sobre três álbuns de quadrinhos que peguei pra ler no fim das férias, mas só acabei agora que já estou trabalhando (pra valer) há duas semanas.
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O primeiro é uma HQ francesa escrita e desenhada por Christophe Blain, que começou a ser publicada em 2001 na Europa, mas só chegou aqui em 2005. Chama-se Isaac o Pirata.

Namorei essa edição nas livrarias por muito tempo antes de comprar. O primeiro motivo foi a falta de divulgação e incentivo que os quadrinhos europeus tem aqui. O segundo foi o preço, bem caro, considerando o autor ser desconhecido no Brasil.

Bom, li resenhas bastante positivas em alguns sites e acabei achando uma promoção dessa HQ no fim de 2008. Comprei, mas ainda enrolei um pouco pra conferir. Perdi foi tempo pra descobrir uma ótima história.

Isaac é um jovem e pobre pintor judeu que mora com a noiva Alice num sobrado na Paris do início do século XIX.

Certo dia, é abordado por um homem que, se identificando como cirurgião, gosta de um de seus desenhos e o convida a conhecer seu rico e excêntrico empregador. O cirurgião oferece um bom dinheiro para manter sua noiva em troca dele embarcar num navio para pintar pro capitão só por alguns dias.

Dali há alguns dias ele se vê dentro de um navio pirata e o cirurgião lhe apresenta ao capitão, que oferece a Isaac um baú cheio dos mais finos materiais de pintura caso ele se junte a tripulação faça desenhos e pinturas das viagens. Isaac não vê muita alternativa e logo se descobre indo às distantes Américas e, mais tarde, ao inexplorado continente gelado ao sul.
Enquanto isso, Alice acaba arrumando trabalho na casa de um jovem e rico viajante que é dono de uma extensa biblioteca. Ele, percebendo se tratar de uma moça letrada e educada, começa a cortejá-la, mas ela resiste. A princípio com o pensamento na volta de Isaac, que leva meses sem dar notícia. E assim a história vai.

Com um bom trabalho de detalhes em paisagens, mas com traço cartunesco (que pode estranhar a princípio) ao desenhar pessoas, o autor soube contar bem uma história de piratas que nada lembra as frenéticas aventuras de filmes de pirataria recentes.

Não leve a mal, a história tem ação sim, mas não é nada injustificado e se diferencia por mostrar mais a reação dos personagens a ela. Nesse sentido os contornos de cartum dos personagens se sobressaem ao mostrar emoções e aí sim o traço funciona que é uma beleza.

Todos os personagens são bem humanos, com características e reações próprias, o que só enriquece a narrativa. E a história, que a princípio parece seguir uma única direção, ganha novos contornos e boas reviravoltas a todo momento, se tornando uma ótima surpresa.

A edição brasileira reúne três histórias da saga de Isaac, publicadas originalmente em 2001, 2002 e 2003 e tem como ponto ruim o fato de não acabar.

Isso é explicado por um motivo: os europeus demoram a continuar suas histórias e costumam lançar poucos álbuns da mesma história por ano, ou seja, já existem pelo menos mais duas histórias lançadas lá fora que a editora brasileira não teve a coragem de lançar por aqui ainda. É uma pena.

Apesar de não ter fim, Isaac o Pirata é uma boa pedida tanto para fãs de histórias sensíveis quanto para fãs de aventura.
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A HQ brasileira é de 2008 e foi inspirada num livro do escritor Franklin Távora, O Cabeleira.

Baseado num roteiro pra cinema escrito por Leandro Assis e Hiroshi Maeda, a HQ, desenhada por Allan Alex, conta a história de um bandido que aterrorizou o sertão pernambucano no final do século XVIII.

Precursor dos cangaceiros e também personagem recorrente na literatura de cordel, José Gomes, o Cabeleira, é mostrado na HQ como um ladrão psicopata e violento que obedecia sempre as ordens de seu maldoso pai e não hesitava em matar mulheres ou crianças quando ficavam em seu caminho.
A história se passa 1786, ano em que Cabeleira e seu pai Joaquim Gomes encontram seu fim. Mas através de alguns flashbacks somos apresentados a infância de José.

Ele foi criado sozinho pela mãe até a adolescência como um garoto bom e trabalhador e, apesar de nunca ter conhecido o pai, nutria uma grande admiração por ele. Dizia a todos que o pai era um soldado caçador de bandidos até que uma noite o pai retorna ferido por um tiro.

A mãe de José só aceita cuidar dos ferimentos de Joaquim com a condição de que ele não se revele ao menino e vá embora logo que curado. Não adianta. José acaba fugindo de casa atrás do pai e caindo na vida de assaltante e matador, começando a provocar medo no sertão.

Voltando a 1786, José reencontra velhos desafetos além de sua amada de infância Luisinha, enquanto é caçado por uma força-tarefa formada por camponeses e montada pelo governador da província, após ter assaltado e agredido o bispo dentro da igreja.

Antes de ser capturado, o Cabeleira, numa passagem digna de Hollywood, sobrevive por dois dias dentro de um canavial cercado de soldados da província. E pensar que é baseado num personagem real.

A narrativa é algo a parte. Bem dinâmica e com ótimos enquadramentos e seqüências sem palavras (inspiração nos mangás ou no cinema?).
E os desenhos seguem um estilo limpo tendendo ao realista, mas com algo de caricatural.

Alguns tipos são muitos magros e outros são muito musculosos que lembram (BONS) desenhos dos quadrinhos de super-heróis. Os rostos de cada personagem são bem distintos e expressivos, conseguindo passar emoção, sem precisar de palavras. Parabéns ao desenhista Allan Alex.

O único problema da história é ela acaba muito rápido.

Na minha opinião, poderia ter rendido bem mais se alguns personagens fossem mais explorados.

Mas no geral, acho que poderia sim resultar em bom filme nacional.
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A terceira HQ é Argentina e foi publicada inicialmente em 1968.

Escrita por Hector Oesterheld, desenhada por Alberto Breccia e finalizada por seu filho Enrique, conta a história de Ernesto “CHE” Guevara desde a infância na Argentina até a morte na Bolívia em 1967.

A história começa já na Bolívia, na campanha final de Che. Trechos do último diário de Che preenchem os quadrinhos. Percebe-se as dificuldades, estratégias e esperanças dele na campanha. Voltamos ao passado com a infância, adolescência e juventude de Che. Vemos seu desenvolvimento até a faculdade. Volta pro presente na Bolívia. Batalhas rápidas. Selva castigando. Perde soldados. Diarréia ataca. Quase um inferno. Volta-se ao passado. Vemos mais da trajetória de Che.

E assim vai, o passado se alternando com o presente, até a prisão e morte dele na Bolívia.

É interessante notar como eles conseguiram resumir tão bem toda a trajetória de Che em pouquíssimo tempo (três meses) depois de sua morte e ainda contar uma boa história alternando-se a sua última tentativa de revolução com o passado do homem que revolucionou Cuba.

Os desenhos dos Breccia são compostos de contrastes entre branco e preto chapados quase sem contornos. Estranha a príncipio, mas logo se consegue perceber um nível de talento majestoso no traço composto de pai e filho.

O realismo dos desenhos também revela a extensa pesquisa fotográfica que deve ter sido feita por eles.

Todo o caminho até a campanha boliviana é mostrado em cenas tiradas de fotos reais ou reconstruções baseadas em depoimentos de amigos e revolucionários.

Quem já viu duas ou três fotos de Che, consegue identificar seu rosto numa boa entre os desenhos.

E as frases curtas e diretas da prosa de Hector Osterheald, alternada com discursos, cartas e palavras do próprio Ernesto Guevara e alguns amigos, conferem um tom poético a história.

Até passagens de sua primeira viagem de moto com Alberto Granado (mostrada no filme Diários de Motocicleta) estão lá.

Alguns historiadores acreditam que essa HQ teve um papel fundamental na consolidação da imagem heróica de Che na Argentina.Necessário dizer também que os autores sofreram retaliações por parte de militares da direita argentina alguns anos depois de publicada a história.

O caso mais grave foi o de Hector, considerado hoje um dos maiores roteiristas sul-americanos, que desapareceu em 1977 sequestrado pela ditadura argentina junto com suas quatro filhas. Uma grande perda para os quadrinhos mundiais e para a sociedade argentina junto com outros 30 mil pessoas desaparecidas até hoje.

Como por um milagre, restaram de sua família apenas sua esposa e seu neto (que tinha apenas três anos de idade na ocasião) para divulgar sua história e seu legado.

Uma declaração de um general argentino, publicada num jornal em 1979, diz que o sumiço de Hector se deu por ele “...ter feito a mais bela história de Che já escrita”.

Outros tempos. Outras maluquices. Que bom que ficou pra trás.

Mas nunca é demais lembrar o passado pra aprender como agir (ou não) no presente.

É isso aí. Até a próxima.

Valeu!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cenas Favoritas: O Cavaleiro das Trevas

Um amigo comentou um post antigo sobre algumas das minhas cenas preferidas nas HQs outro dia e isso me fez lembrar que nesses mais de 20 anos de leitor de quadrinhos ainda existem muitas cenas que me arrepiaram nas HQs.

Uma em especial faz parte dessa minissérie em 4 edições do Batman chamada O Cavaleiro das Trevas (Dark Knight Returns).

A própria série tem muitas cenas memoráveis.

Lançada originalmente em 1986 (chegou aqui em 1987), a série até hoje é lembrada como um marco na história das HQs, e também é considerada por muitos como a melhor história do Batman de todos os tempos.

Foi escrita e desenhada por um jovem Frank Miller, que mais tarde seria o aclamado autor de Sin City e 300 (ambos transformados em filmes de sucesso).

Numa época onde o Batman não andava bem das pernas nos quadrinhos (e na mídia em geral já que o sucesso do seriado de TV dos anos 60 tinha tirado muito da dignidade do personagem), a editora DCComics apostou todas as fichas dando total liberdade ao Miller pra imaginar como seria o futuro do Homem-Morcego.

E ele não fez feio.

Num futuro não muito distante, Bruce Wayne será apenas um senhor de 55 anos aposentado que passa os dias tentando levar uma vida comum em Gotham City. Já faz mais de 10 anos que ninguém avista o Batman ou nenhum outro vigilante em qualquer lugar do mundo devido a uma rigorosa lei que proíbe o vigilantismo.

Mas, como sempre, existe algo de podre em Gotham City. A violência aumenta desenfreadamente. Uma gangue de criminosos ultraviolentos chamada Mutantes está tomando de assalto a cidade e seu líder atraí a cada dia mais jovens para o grupo.

Bruce Wayne decide não ficar parado vendo sua cidade ruir e decide vestir seu uniforme mais uma vez. O problema é ele não malha pra valer há 10 anos, ou seja, está muito fora de forma.

Mas ainda consegue fazer uma brincadeira. Impede alguns assaltos aqui. Dá surra em alguns mutantes ali. Tudo justificado pelo seu senso justiça que só pode ser classificado como psicótico-sádico-obssessivo.

Ele já não é mais o mesmo de antes. Ainda odeia armas de fogo, impede crimes e não se vê capaz de tirar uma vida, mas não vê mal algum em causar dor, ou mesmo aleijar alguém que merece.

Não deixou de ser um herói e salvar vidas, mas ele não luta mais pra proteger os inocentes, e sim pra acalmar seu demônio interno que ficou reprimido durante 10 anos.É aí que as coisas começam a complicar.

A polícia o caça como a um criminoso.
Ele adota uma jovem menina como nova Robin.
Velhos amigos reaparecem para tentar convencê-lo a parar.

E antigos inimigos ressurgem motivados pelo desejo de matá-lo.

É antológica a cena do Coringa acordando de um estado catatônico no Asilo Arkham depois de ouvir sobre a volta do Batman na TV.

Mas essa ainda não é a minha cena favorita.

Eu devia ter uns seis anos de idade quando vi essa revista na banca. Talvez nem soubesse ler direito, mas a imagem da capa me impactou. Batman era o meu herói favorito. É só conversar com minha mãe que ela te conta uma história de como eu fui pra escola três dias seguidos fantasiado de batman aos quatro ou cinco anos de idade.

Meu pai me comprou a revista e, apesar de ter demorado alguns anos pra entender a história, as imagens que vi nela foram combustível pra várias brincadeiras entre meu irmão e eu por muitos anos.

Mas, voltando ao assunto, é aí que entra minha cena favorita da história.

O governo, cansado de ver o Batman escapar da polícia e começar a ser aclamado pelo povo em programas de TV, decide pegar pesado e mandar um velho amigo pra cuidar dele. Contacta o repórter Clark Kent, vulgo Super-homem.

O Super-homem esteve agindo pro governo todos esses anos, utilizando seus poderes para não ser filmado, fotogrado ou mesmo detectado com precisão por nenhum aparelho eletrônico ou olhos curiosos. Então ele segue as ordens do governo e vai atrás do Batman.

Só que Bruce se prepara pra ele. Constrói uma armadura ultra-resistente e manda avisar a Clark que esperaria por ele no local onde seus pais foram mortos.

Super chega ao local na hora marcada e tenta convencer Bruce a parar de agir como vigilante para o bem da América. Batman não o escuta e rapidamente o ataca com uma arma de som. Superman sangra pelo nariz, mas consegue jogar Batman em direção a um poste.

Era tudo que ele queria. Batman se conecta a um plugue que já havia preparado no poste e energiza sua armadura com a eletricidade de toda a cidade. O Super-homem se aproxima e é eletrocutado por milhões de volts de energia. Fica de joelhos e então Batman aproveita para espancá-lo.É aí que entra minha cena favorita.

Bruce (já sem capacete) dá uma senhora surra em Clark enquanto desfere as famosas palavras:
"...Eu quero... que você se lembre, Clark... Em todos os anos que estão por vir... Nos seus momentos mais íntimos... Eu quero que você se lembre... da minha mão... na sua garganta... Eu quero... que se lembre... Do único homem que derrotou você...".

É então que o coração de Bruce pára.

E ele cai aos pés de um ferido e perplexo Super-homem.

Mas é claro que a história não acaba aí. E eu não vou contar mais pra não estragar o final.

Lembro das palavras até hoje.

E Batman derrotando Super-homem foi muito empolgante. Ainda é.

Sem dúvida é uma HQ que ficará pra história por ter redefinido o Batman pro final do século XX e os quadrinhos de um modo geral pelo estilo da narrativa aproveitada e imitada infinitas vezes depois em vários outros personagens.

As cenas que contam a situação da cidade através de comentários dos cidadãos nos programas de TV é uma das que já foram muito plagiadas por aí.
É uma HQ muito elogiada por tratar de política (em particular da Guerra Fria) e também por retratar de forma bastante competente o lado psicológico dos personagens, através de seus pensamentos mais intímos.

O próprio Miller foi contratado meses depois para escrever uma nova história pra origem do Batman nos quadrinhos e essa história, chamada Batman: Ano Um, foi a base pra um dos melhores filmes de heróis de todos os tempos: Batman Begins (aquele de 2006 com Christian Bale) e sua continuação Cavaleiro das Trevas (de 2008 onde o já falecido Heath Ledger levou o Coringa a novas alturas).

A série já teve três ou quatro republicações aqui no Brasil.
A última é de 2007 e junta toda a série num mesmo volume encadernado junto com sua continuação(de 2002), que de tão ruim não é digna nem de uma de citação.Ganhei essa edição de presente da minha namorada há dois anos e guardo com carinho e destaque na minha estante.

Quem gosta do personagem e quer se dizer conhecedor de quadrinhos tem que ler essa história.

Valeu!
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