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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Livro: O Primeiro Relato da Queda de um Demônio

O Primeiro Relato da Queda de um Demônio (devir editora, 234págs, 2004) é o livro de estréia da escritora brasileira Marcela Godoy que trata de um triângulo amoroso entre uma humana e dois conhecidos seres sobrenaturais: um vampiro e um lobo.

Por que se diferencia de outros romances do gênero?

Porque Marcela, que também é roteirista de HQs e professora de roteiro na Quanta Academia de Artes, trabalha esse triângulo amoroso de forma bastante orgânica e incidental, apresentando episódios históricos da inquisição espanhola com uma incrível clareza de detalhes, abordando a origem quase bíblica dessas duas raças fantásticas e discutindo a essência do amor e do que nos faz humanos de forma poética e filosófica. 

Azael é o demônio-lobo albino guardião de Lucien, um vampiro rico, bem apessoado e recluso que vive na cidade espanhola de Ávila.

Num baile comemorativo na noite da assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494, eles conhecem a bela Miriam, cortesã preferida de Glauco, um arcebispo e poderoso inquisidor espanhol.

A atração de Lucien por ela é imediata e entre encontros furtivos e cartas secretas de amor, ele e Azael terão que livrá-la do maldoso Glauco para garantir-lhe a felicidade.

O que Lucien, e o próprio Azael, não contavam é que a curiosidade do lobo pela jovem se transformará em um sentimento puro e maior do que ele e sua missão como guardião serão capazes de suportar.

A história é narrada por Azael (já transformado em humano) à própria Morte, que deve julgar o pedido do demônio-lobo que o leve para o além junto com a mulher que carrega nos braços.

Nesse pano de fundo anunciado de romance trágico, autora Marcela Godoy integra conceitos de filosofia platônica, hindu e até mesmo teosófica como base do aprendizado e discussão do demônio-lobo em busca de sua própria humanidade. 

Por exemplo, Os Sete Princípios do Homem, que rondam Azael depois que ele descobre seu sentimento por Miriam, são bases da Teosofia, uma doutrina que envolve conhecimentos filosóficos, científicos e esotéricos de diversas épocas e lugares do mundo divulgados pela ucraniana Helena Blavatsky no fim do século XIX.

O romance também pende para o lado filosófico da física quântica, principalmente pela máxima dita por Azael do "Tempo dotado de vontade" (que é repetida algumas vezes durante a trama) e que guiaria a vida daqueles que não tem força de vontade o suficiente para tomar as rédeas da própria vida.

Marcela ainda surpreende por inserir na narrativa referências ao Sandman de Neil Gaiman (na figura de Onírus, o deus-dos-sonhos) e ao jogo de RPG Vampiro: a Máscara, sucesso no mundo todo no início dos anos 1990.

Na mitologia do jogo, que é reconstruída e ampliada no livro, o primeiro dos vampiros foi Caim, amaldiçoado e marcado eternamente por Deus após matar seu irmão Abel por inveja.

Na trama do livro, logo depois disso, Caim faz um pacto com o anjo caído Lúcifer, que resulta na criação de Seth, o primeiro demônio a caminhar sobre a Terra na forma de lobo. O primeiro Guardião do Mito do Homem.

Dessa forma, a autora estabelece uma genealogia para a origem de Azael, que é mostrado não com a estética ocidental de “demônio = maldade” e sim com a idéia de que demônios são seres vazios, criados para servir de forma cega, sem aspirações ou desejos pessoais. 

É claro que, a partir de um determinado ponto, Azael não consegue mais afastar a curiosidade que tem pelo sentimento que seu mestre Lucien cultiva pela humana e nem sua própria fascinação pela mesma.

É aí que acontece sua primeira transformação em homem, prenunciada desde o início pelo medalhão que carrega no pescoço, e é o significado da “Queda” alardeada no título da obra.

Publicada um ano antes da famosa série Crepúsculo de Stephenie Meyer, o livro não é recomendado para crianças e nem pessoas de cabeça fraca pela complexidade dos conceitos já abordados acima e também por conter várias cenas de sexo (algumas até não-convencionais).

É claro que os fãs de fantasia gótica poderão apreciar sem moderação, inclusive com as belas e impactantes ilustrações de Marcelo Campos que acompanham a trama.

A história é fechada, mas existe gancho para continuações e é inevitável o gostinho de "quero-mais" deixado pela construção narrativa ao final da leitura. 

A autora, inclusive já começou a publicar os primeiros capítulos da sequência (intitulada "O Mensageiro de Ararat") em seu blog: http://oblogdamarcelagodoy.blogspot.com/2010/04/1-ultrapassam-em-barbarismo-tudo-o_23.html

Só nos resta esperar que a continuação das aventuras de Azael cheguem logo.

Muito recomendado.

Valeu!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Livro: Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros

Numa entrevista recente ao Canal Brasil, o brasileiro José Padilha, idealizador, co-escritor, produtor e diretor do sucesso Tropa de Elite disse que uma das motivações para fazer o filme foi a falta de produções com policiais como heróis no Brasil. 

O comentário do diretor elucida também uma grande diferença cultural entre as culturas brasileira, onde o herói é geralmente marginalizado, e dos EUA, onde heróis geralmente são figuras de autoridade como policiais, soldados ou até mesmo presidentes.

Foi num desses últimos que apostou o autor americano Seth Grahame-Smith em seu último romance, Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros (330 págs., 2010) que a editora Intrínseca lançou no Brasil agora no início de 2011. 

Abraham Lincoln (1809-1865) foi o 16º presidente dos EUA, lembrado por ter comandado o país durante o sangrento período de Guerra Civil (1861-1865), por ter fundado o partido republicano, por ter finalmente abolido a escravidão no país e pelas inúmeras anedotas contadas sobre ele que o fazem conhecido até hoje como Abe, o honesto. 

Resumindo, uma figura lendária e uma das mais interessantes da história americana e (por que não?) mundial, que se torna agora ainda mais intrigante após Grahame-Smith descobrir em 2009 os diários perdidos do 16º presidente americano, que mostram que a principal motivação dele para combater as injustiças foram os sanguinários vampiros.

Óculos escuros, sombrinhas e vampiros.



Perdendo a mãe muito cedo para a misteriosa “doença do leite”, Abe logo descobre que um comerciante vampiro a mordeu após seu pai falhar em pagar uma dívida que tinha com ele. Decide então treinar seu corpo e sua mente para combater durante toda a sua vida aquela praga que parecia ter infestado os EUA.

Seus primeiros esforços são mais atrapalhados do que bem sucedidos até que conhece Henry Sturges, que veio da Inglaterra num dos primeiros esforços para a colonização do Novo Mundo e foi transformado em vampiro a contra-gosto após ter a mulher e filho mortos no massacre de sua vila no final do século XVI.

Vampiro que protegia Abe a mando de Henry.
Com quase 300 anos de idade e um desprezo pelas maldades praticadas pela própria raça, Henry treina Abe e lhe conta tudo que sabe sobre vampiros, começando a lhe passar missões expondo aqueles dos chupadores de sangue que achava que mereciam morrer. 

Tendo que cuidar da própria vida, Abe faz da caça de vampiros uma atividade paralela, quase sempre noturna, enquanto estuda, pula de um emprego a outro, se apaixona e decide lutar também contra as injustiças cometidas pelo Estado como advogado, político e legislador, até se tornar presidente e enfrentar a Guerra Civil americana.

O livro é dividido em três partes que percorrem a vida de Abe desde menino até presidente.

Crânio de vampiro na Guerra.
Cada capítulo abre com trechos de discursos ou cartas reais escritas por Lincoln e ainda conta com reproduções de fotos e quadros de época que mostram figuras vampirescas a espreita de Abraham durante grande parte de sua vida.

A prosa de Seth Grahame-Smith pontua a vida de Abraham Lincoln com batalhas sangrentas e detalhando as motivações do presidente para combater as injustiças desde a tenra infância até a sua morte e além

Alterna trechos subjetivos do diário de Abe com narrações objetivas do próprio autor dando mais credibilidade a trama por causa da constante mudança de “voz narrativa”, estilo adotado por muitos biógrafos famosos.

Isso é explicado na introdução do livro, onde Grahame-Smith se insere como personagem e diz que uma das exigências que a pessoa que lhe entregou os diários fez foi que escrevesse sobre eles e não transcrevesse literalmente 100% de tudo que lá estava escrito.

O famoso discurso de Gettysburg com vampiros a espreita.
Escolha acertada do escritor por dar dinâmica e fluidez à narrativa, que é permeada por passagens históricas famosas (e outras nem tanto) da vida de Abraham, mostrando o nível de pesquisa feito em uma vida extensamente discutida e exposta por (segundo Grahame-Smith) mais de 15 mil livros, além de diversos ensaios e filmes desde sua morte.

Outro grande ponto discutido no livro é a escravidão, amplamente defendida na comunidade vampírica da trama simplesmente por fornecer alimento fácil e sem julgo moral aos predadores, que foram os grandes patrocinadores da Guerra civil.

Ou seja, a vitória dos estados do norte, comandados por Lincoln, no fim da guerra acaba se tornando uma alegoria ainda maior à defesa da vida e liberdade humana.

Um livro bem difícil de largar tanto para os fãs de ficção sobrenatural quanto àqueles que gostam de romances históricos.

Um ótimo trabalho de Seth Grahame-Smith, que junto com sua última obra, Orgulho e Preconceito e Zumbis (já resenhada por mim aqui), se mostra um dos maiores autores de atual moda de literatura mashup, que tem como principal característica misturar textos pré-existentes e fatos reais com a imaginação do autor dando origem a novas obras que não desrespeitam a essência da original.

Suspense, romance, terror, vampiros, guerra, ação e fatos históricos são o que esperar da leitura extremamente divertida e informativa desse livro que já teve o sinal verde dado para sua adaptação ao cinema por Tim Burton.

Recomendado.

Valeu!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Filme: Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in)

Quer ver um filme de romance vampiresco adolescente diferente do que está na moda? 

A dica é Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008), um filme do diretor Tomas Alfredson que, desde seu lançamento na Suécia em 2008, vem sendo bastante elogiado pela crítica especializada no mundo todo. Sua estréia aqui no Brasil foi apenas em outubro de 2009, mas ainda dá pra assisti-lo em alguns (poucos) cinemas.

É a história de Oskar (Kåre Hedebrant), um garoto de 12 anos que é importunado por valentões da escola, além de muito solitário, até que acaba fazendo amizade com a menina Eli (Lina Leandersson), sua nova vizinha que só aparece a noite.
Acontece que Eli é uma vampira que fica encantada com Oskar, mas que tem dificuldade em controlar sua sede por sangue, o que causa bastante rebuliço devido aos misteriosos assassinatos ocorridos na região.

Uma trama que na verdade retrata a ruptura com a inocência de forma bastante sensível e desafiadora, mas com um desenrolar um tanto pesado e violento.

O roteirista John Ajvide Lindqvist, que também é o escritor do livro original, cria uma história de romance adolescente bastante inusitada.

A amizade entre os dois personagens vai sendo belamente construída na base da dependência, motivada pela falta que eles sentem por pessoas de sua idade (apesar de nunca ser revelado a idade real de Eli). A violência faz parte, não por escolha própria, da vida dos dois e isso acaba sendo um fator importante para eles se unirem.

Uma narrativa construída inteiramente no presente que deixa várias perguntas na cabeça do espectador, justamente em relação ao passado dos personagens. Uma reflexão é necessária, por exemplo, para se entender a história do velho que mora com Eli e sua relação com Oskar no fim do filme. Escolha acertada do roteirista principalmente por causar discussão e estimular a imaginação.

O diretor constrói a trama de forma bem lenta, mas extremamente progressiva, abusando de planos estáticos, onde só os personagens se movem, na primeira metade do filme. Quando a câmera enfim se movimenta é pra revelar algum objeto ou personagem importante para estabelecer o suspense na película.
Outro fator que colabora nesse suspense é a quase ausência de trilha sonora em momentos que precedem a tensão. Existe música, mas ela só se revela em momentos de passagem ou pra incitar emoção, quase nunca nos momentos de suspense. A edição de som deixa todo o trabalho na respiração e fala dos atores, que se torna bastante ruidosa e pesada devido ao clima gelado da cidade onde se passa a trama. 

A neve abundante nas cenas externas é um grande elemento opressor que estabelece o tom pesado com que se desenrola a trama e também é um espelho para a frieza dos colegas valentões e do próprio Oskar nas cenas de confronto.

Apesar de fazer parte do filme, a violência não é retratada com mal-gosto, nem mostrada em detalhes ou closes específicos. É claro que não dá pra saber se isso é motivado por escolha estilística ou falta de verba da produção. O que se vê mesmo, e que não podia faltar num filme de vampiro, é bastante sangue, esse sim mostrado sem pudores.
O casal de atores principal mostra uma boa química juntos e faz um bom trabalho, apesar de mostrar inexperiência em algumas cenas. 
Destaque para a atuação dos companheiros do valentão que oprime Oskar na escola, por conseguirem passar dúvida e arrependimento de forma uma tanto mais elogiosa do que o casal principal.

Importante dizer que a trama retrata vampiros na forma clássica: ágeis, rápidos, com medo de sol, que mordem pescoços para viver e, principalmente, precisam de convite do morador para entrar numa casa, daí o título do filme. 

Dois fatos que podem decepcionar algumas pessoas: Primeiro é que não é um filme de ação, apesar dela estar presente, e Segundo é que não há nenhum vampiro bonitinho no filme, apesar da história ser intrigante. 

Outra coisa importantíssima, e que não poderia deixar de falar, é que não é um filme para criança e talvez seja um pouco denso demais para adolescentes. Diferente dos sucessos Crepúsculo e Diários do Vampiro.

O filme tá dando tanto o que falar que uma versão americana já tem diretor e atores confirmados e deve começar a ser filmada ainda esse semestre. Mais uma vez os americanos refilmando filmes estrangeiros para adaptá-los a sua realidade. Será que eles não gostam de ler legendas?

Um filme um tanto pesado sobre o sobre o final da infância, iniciado de forma um pouco parada, cujo fio-condutor é uma história de amor entre dois pré-adolescentes que ao final incita a reflexão e discussão é o que esperar desse ótimo suspense.

Recomendado.

Valeu!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Livro e Seriado: True Blood

Morto até o Anoitecer (Dead Until Dark, 316 págs.) é o primeiro livro da série de vampiros sulistas americanos que é escrita por Charlaine Harris desde 2001.


Sookie Stackhouse é uma garçonete loira de 25 anos que sempre quis conhecer um vampiro.
Sua vontade só aumentou desde que os vampiros deixaram de ser lenda e decidiram vir a público depois da invenção de um sangue sintético plenamente funcional, há 4 anos.
O vampiro Bill Compton se estabelece em Bon Temps, cidadezinha (fictícia) do norte da Louisiana, e fica fascinado por aquela misteriosa garçonete que parece saber tudo o que os outros pensam, menos ele.
Acontece que Sookie é telepata e entre a atração que sente pelo silêncio da mente de Bill e o preconceito de seus amigos, ela vai ter que desvendar alguns violentos assassinatos e descobrir que os vampiros podem não ser os únicos seres estranhos que existem no mundo.

A invenção do sangue sintético que é usado como nutrição pelos vampiros, grande premissa da autora, dá muito pano pra manga, sendo que nem todos os vampiros estão dispostos a aderir a ele e parar de “caçar”, por assim dizer.

Um ponto interessante é que os adoradores de vampiros se tornam públicos chegando a cúmulo de se oferecer seu pescoço, e outras partes do corpo, promiscuamente para os vampiros apreciarem.

Outro ponto interessante é quando o sangue de um vampiro é ingerido pelos humanos, deixando-os mais rápidos, fortes, exuberantes e sexys, além de ter a capacidade de cura amplificada sem precisar serem transformados.

O livro em si contém uma trama de mistério clássica, cujo assassino só é revelado no final, mas acaba atraindo pelas revelações sobre poderes, métodos e hierarquias de vampiros, nesse mundo em que eles “saíram do caixão”, para usar um termo do livro.

Também surpreende o jeito que ela constrói a narrativa, em primeira pessoa na voz de Sookie, de maneira extremamente realista, mas de modo que perto do final ficamos sabendo que vampiros podem não ser os únicos seres sobrenaturais que não são lendas. Fica a promessa de encontros com bruxas, lobisomens e outras figuras míticas para os próximos volumes.

Um fato que pode entediar alguns leitores do sexo masculino é a insistência da autora em descrever com detalhes as roupas e acessórios que Sookie usa. Mas as cenas de sexo (que não podem faltar num bom romance de vampiro), apesar de narradas por um ponto de vista bem feminino, provavelmente agradarão a públicos diversos.

Um livro que se destaca por agradar vários públicos contendo ação, aventura e um mistério clássico num estilo realista, mas com um pano de fundo sobrenatural. Além de uma personagem principal independente, cativante e cheia de personalidade.

Recomendado!
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A primeira temporada da série True Blood, produzida e exibida pela HBO em 2008-2009, tem como base a mesma trama do primeiro livro, mas consegue ir muito além.

Tendo apenas doze episódios, metade de uma série regular americana, True Blood surpreende por expandir ainda mais o universo criado por Charlaine Harris (ao menos em relação ao primeiro livro) e se aprofundar com bastante propriedade nos mistérios e misticismos que envolvem a região sul dos Estados Unidos, mas sem abandonar o realismo que é marca da emissora.


Abandonando a narração em primeira pessoa de Sookie, que é interpretada por Anna Paquin, a série toma a liberdade de desenvolver mais os personagens secundários.

O irmão de Sookie, Jason (Ryan Kwanten) por exemplo, é um cara charmoso e de bom coração, mas muito menos inteligente que a irmã e que tem mania de estar sempre no lugar errado e com a pessoa errada.

A série aprofunda mais o mundo de regras dos vampiros, mostrando partes do passado de Bill (Stephen Moyer) e sua relação com outros vampiros. Inclusive ilustrando pontos que ficam obscuros no livro, que se limita ao ponto de vista de Sookie.

A participação do patrão de Sookie, Sam Merlotte (Sam Tramell), que esconde uma inesperada maldição, também é bastante aumentada na série.
Como não podia deixar de ser há algumas mudanças no enredo, principalmente em relação a quem faz o quê, mas isso não tira em nada o brilho da série.

A maior dessas mudanças, e a grande surpresa da série, é a desbocada personagem Tara Thorton (Rutina Wesley), que não existe no livro, e é a  melhor amiga de Sookie desde a infância.
Seu arco dramático, assim como o de Jason, é quase paralelo a trama principal, mas serve para enriquecer e dar credibilidade a história introduzindo tópicos como drogas, violência doméstica, curandeirismo, fanatismo religioso e outros assuntos tão peculiares tanto da Louisiana quanto de outras partes do mundo.

Vale lembrar que tanto Rutina Wesley, que interpreta Tara, e Anna Paquin, que interpreta Sookie, foram indicadas a vários prêmios de melhor atriz pela série, até que Anna acabou ganhando o Globo de Ouro do ano passado por atriz de série dramática.

O criador da série, que também age como produtor e escritor, Alan Ball foi responsável por outra série de sucesso da emissora A Sete Palmos (Six Feet Under), que contava a história de uma família dona de uma casa funerária e teve cinco temporadas, ou seja, é garantia de qualidade.

Importante citar que como uma série produzida pela HBO, True Blood, aborda vários assuntos polêmicos e mostra cenas de nudez e sexo, embora não seja nada de explícito ou pornográfico. Mesmo assim não é recomendada para menores ou pessoas de mente fraca.
Amor, mistério, sexo, vampiros e outros bichos, além de muito sangue, é o que esperar dessa série com grandes atuações e muito bem produzida pela HBO.

Recomendado!

Valeu!
Ps.: Pra quem se interessou, o segundo livro da série de Charlaine Harris, Vampiros em Dallas, já está a venda no Brasil e a terceira temporada de True Blood deve estrear em Junho de 2010 nos EUA.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Livro: Diários do Vampiro Vol.1 - O Despertar

Romance vampiresco adolescente que foi escrito pela autora L.J. Smith em 1991, bem antes do sucesso da série Crepúsculo.
Diários do Vampiro - O Despertar (Galera Record, 2009, 236pgs.) é o primeiro volume de uma saga que conta a história do vampiro Stefan e da colegial Elena, que juntos formarão as três pontas de um triângulo amoroso com o também vampiro Damon, o irmão mais velho de Stefan.


Stefan chega na cidadezinha americana de Fell´s Church e matricula-se como aluno num colégio de ensino médio com a intenção de se estabelecer na cidade.


Conhece Elena, de 17 anos, a garota mais popular do colégio, que lembra a mulher que ele amou no passado e fica com medo de se aproximar dela. Mas ela não vai deixar o inesperado sentimento que surge por ele passar batido. É claro que eles vão se apaixonar.


A primeira metade do livro é bem cansativa e maçante por perder muito tempo nas descrições de Elena, suas amigas, seus sentimentos e suas tentativas de se aproximar de Stefan.


A história melhora um pouco nos momentos de lembrança, ao contar um pouco da origem de Stefan e de seu irmão, mas só passa a ficar mais interessante mesmo depois da chegada de Damon a cidade, pois aí se estabelece o conflito na trama. O problema é que já se passou mais da metade do livro até isso acontecer.


Um ponto forte do livro é o fato dos vampiros serem do tipo clássico, com dentes pontudos, poderes mentais, metamorfoses animais e, apesar de estarem protegidos por um anel-amuleto, são vulneráveis ao sol, podendo inclusive perder a vida se não tomarem cuidado. É claro que nenhum desses motivos salvam o livro.


Sem falar que a história perde muito da credibilidade, na minha opinião, ao não conseguir explicar com sucesso porquê diabos um vampiro da Itália do século XV, ou seja, que tem por volta de 500 anos de idade, frequentaria uma escola de Ensino Médio. Provavelmente isso será explicado nos volumes posteriores (ou não).


Claramente um livro de apresentação, sem muito a oferecer a um público mais maduro, posso dizer que esse primeiro volume é um livro declaradamente feito para meninas adolescentes por dar muita importância ao dia-a-dia da personagem Elena, que muitas vezes parece superficial, lembrando aqueles clichês de patricinhas americanas (inclusive sendo líder de torcida).


A história só engata pra valer na promessa de confronto do final que, é claro, deixa pra acontecer no próximo livro (a qual provavelmente não lerei). Mas quem gostou de Crepúsculo pode vir a gostar de ler umas das séries em que Stephenie Meyer se inspirou (ou plagiou, mesmo).


O primeiro de uma série já com 7 livros publicados no EUA, que com certeza será um sucesso de vendas por aqui, aproveitando por tabela a moda dos vampiros adolescentes e a fama do seriado de TV Vampire Diaries (que se baseou nele), exibido no canal a cabo Waner Channel desde outubro de 2009.
Recomendado pra quem quiser ler algo sobre vampiros (um pouco) melhor do que o que está na moda. É claro que se você quiser ler algo muito melhor, os romances de Anne Rice, ou mesmo o Drácula de Bram Stoker estão sempre por aí.


Valeu!
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