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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Seriado: American Horror Story

"Uma das séries mais surpreendentes de 2011.” 

“Os sustos estão de volta a televisão.” 

“Você vai morrer (de medo) assistindo isso aqui.”

São algumas das frases atribuídas a esse seriado em 2011. E com absoluta razão.

American Horror Story é uma série em 12 episódios que foi ao ar de outubro a dezembro de 2011 no canal a cabo FX nos EUA e ainda se encontra em exibição por aqui no canal FOX Brasil.

É uma série de terror adulto que bebe na fonte de filmes clássicos como Os outros, O Iluminado, O Bebê de Rosemary, Sexto Sentido e vários outros com direito a sustos provindos de um suspense sobrenatural constante.

A família Harmon está em crise após o marido Ben (Dylan McDermott) ser pego traindo a esposa Vivien (Connie Britton) que tinha acabado de ter um aborto. É quando resolvem se mudar junto com a filha adolescente Violet (Taissa Farmiga) para tentar superar a crise num lugar diferente.

O problema é que a casa escolhida para isso em Los Angeles já foi palco de muitos crimes e assassinatos violentos guardando em suas paredes várias gerações de espíritos, cada qual com sua história horripilante e com diferentes objetivos reservados para a inocente família.

O sucesso de público e crítica que a série teve em míseros três meses de exibição se deve a vários fatores.

Sua estrutura narrativa não-convencional, com várias voltas ao passado para contar a história de cada fantasma ou aprofundar a personalidade dos personagens vivos (como já feito em LOST) é um desses fatores que instigam e surpreendem o espectador por revelar fatos novos a cada episódio.

Seu clima sombrio, resultado da mistura da trilha sonora pontual e econômica com a paleta de cores sombrias em contraste os vibrantes vermelho e verde junto com os ângulos de câmera inclinados e tomadas constantemente desfocadas em momentos de tensão ajudam a manter o clima de suspense da série.

A escolha do elenco sem dúvida também ajudou muito, com destaque para a veterana Jéssica Lange, vencedora de dois Oscars e vários outros prêmios de atuação, que aqui interpreta Constance, a vizinha enxerida, que revela ter mais a ver com a casa e seus fantasmas do que o espectador suspeitaria.

Outro dos fatores é a homenagem aos clássicos do terror (já citados) em que passeiam pela trama fantasmas obsessivos, bebês demoníacos, doutores frankensteins, assassinos seriais, monstros deformados e imitadores de assassinatos, com destaque para genocidas adolescentes (como aqueles que atacam escolas) e profecias apocalípitcas.

Tudo isso apenas nos 12 episódios dessa primeira temporada, que fecha história da família Harmon, deixando, claro, várias pontas que podem ser desenvolvidas na (já confirmada) segunda temporada, sobretudo em relação ao passado (e a promessa de futuro) da vizinha Constance.

Supreendentemente criada e produzida pelos mesmos autores de Glee, Ryan Murphy e Brad Falchuk, American Horror Story vem, segundo o próprio Murphy, em resposta a um apelo de um lado diferente lado de sua própria personalidade.

Os episódios mais assustadores são os da primeira metade da temporada que estabelecem as bases para o clima do seriado, que acaba perdendo um pouco do suspense na metade final.

O que já podia ser esperado, principalmente por conta da necessidade de aprofundamento das relações entre os personagens que serviu para amarrar a trama para o final da temporada.

É claro que essa perda do suspense não altera a qualidade da série, que se torna difícil de largar desde o primeiro episódio.

É o terror clássico revisitado com modernas técnicas narrativas, mas mantendo aspectos dos suspenses de sucesso com privilégio de mais tempo de tela a ser desenvolvido pela trama.

Recomendado!  (Até pra quem não gosta de filmes de terror.)

Valeu!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Livro: Frente de Tempestade - Os Arquivos Dresden Vol.1

Num universo onde a magia existe, mas é ignorada pela maioria das pessoas, um bruxo chamado Harry tem que procurar e confrontar um bruxo praticante de magia negra para salvar seus amigos, sua comunidade e sua própria vida.

Não, a sinopse acima não foi escrita como referência a mais um volume de Harry Potter.

É a sinopse mais simples que consegui fazer do romance de estréia do escritor americano Jim Butcher, Frente de Tempestade (322págs, 2011), publicado nos EUA no ano de 2000 e que está a venda desde junho desse ano aqui no Brasil pela Editora Underworld.

Harry Dresden é o único bruxo particular listado na lista telefônica com escritório na cidade de Chicago nos EUA. Como poucas pessoas no mundo acreditam em magia, ele não tem muitos trabalhos a vista, e vive com pouco dinheiro no bolso. Eventualmente, ele dá consultoria para a polícia em casos que não tem muita explicação lógica, o que ajuda bastante a pagar o aluguel. 

Até o dia em que uma série de assassinatos, em que as vítimas têm o coração explodido misteriosamente dentro do peito, o colocam na mira de mafiosos, vampiros, repórteres, traficantes de drogas, demônios e fiscais do conselho branco de magia. Tudo isso por causa de um misterioso e poderoso bruxo praticante de magia negra que dará trabalho para ser identificado e encontrado.

Narrado em primeira pessoa, livro pode ser descrito como uma mistura de romance de detetives e fantasia contemporânea.

O clima detetivesco/noir se faz presente em vários clichês do gênero como a narração irônica de Dresden, suas condições cada vez piores de trabalho, o descrédito e crescente desconfiança dos outros personagens para com ele, seu rígido senso moral, sua facilidade em se dar mal e as constantes (mas bem embasadas) reviravoltas na trama. Até mesmo a mulher problemática a procura do marido e um casaco-sobretudo inseparável para o personagem se fazem presente na narrativa.

É claro que esses clichês são apenas o fio-condutor da história, que surpreende por conseguir integrar organicamente elementos fantásticos bastante estranhos ao universo de tramas de detetives como fadas, poções, amuletos, espíritos elementais, artefatos mágicos e manipulação de elementos naturais a um cenário quase que estritamente urbano. 

Tudo isso aparece na trama de forma bem natural e é o maior mérito do autor Jim Butcher. Mérito esse que deveria ser o almejado por qualquer autor: construir uma lógica própria e consistente pro seu universo narrativo. Os elementos mágicos, por exemplo, são explicados com teorias de manipulação energética, tornando o sobrenatural, senão verossímil, pelo menos bastante aceitável.

A trama também decorre de forma bastante rápida e a narrativa faz a leitura fluir muito bem.

Sendo apenas o primeiro volume de uma série com 13 livros públicos até o momento nos Estados Unidos, o livro apresenta uma história completa que serve de apresentação do universo do personagem Harry Blackstone Copperfield Dresden, filho de um ilusionista e nomeado pelo pai em homenagem aos maiores ilusionistas da história. 

Assim como esse, vários elementos do passado do personagem são citados e provocam no expectador aquele gostinho de quero mais. Esse pode ser um dos defeitos da narrativa, que estabelece Harry como personagem verossímil com várias características contraditórias inerentes aos seres humanos, mas é superficial em detalhar suas motivações pra fazer o que faz. É claro que isso pode ser uma simples estratégia pra nos fazer comprar o próximo livro.

Dresden é um personagem fascinante, pois mesmo estando sempre na pior, não abandona seu rígido código moral, que o faz ser cavalheiro com as mulheres e tentar não desobedecer as leis da magia estabelecidas pelo conselho branco. Mesmo assim o rígido Morgan, fiscal do conselho, está sempre na sua cola.

Uma ressalva a essa primeira edição brasileira são os constantes erros tipo: “comoque nem” e “estoutô” encontrados várias vezes durante o volume. Como se o tradutor tivesse deixado como opção para o editor revisar e o editor tenha deixado passar.

Erros até perdoáveis devido a qualidade da trama e a pouca experiência da editora Underworld no mercado, mas que não seriam recomendáveis em novas edições e em futuros volumes da série.

O sucesso da série lá fora deu origem a áudio-livros, vídeo-games, quadrinhos e uma série de tv em 12 episódios exibida pelo canal Sci-fi na temporada 2007.

Uma trama de magia fantástica com ares urbanos contemporâneos tendo como fio-condutor um mistério de assassinatos e o clima noir de romances detetivescos, cheia de ação e reviravoltas surpreendentes e com um personagem fascinante é o que esperar desse livro.

Recomendado!

Valeu!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Livro: O Primeiro Relato da Queda de um Demônio

O Primeiro Relato da Queda de um Demônio (devir editora, 234págs, 2004) é o livro de estréia da escritora brasileira Marcela Godoy que trata de um triângulo amoroso entre uma humana e dois conhecidos seres sobrenaturais: um vampiro e um lobo.

Por que se diferencia de outros romances do gênero?

Porque Marcela, que também é roteirista de HQs e professora de roteiro na Quanta Academia de Artes, trabalha esse triângulo amoroso de forma bastante orgânica e incidental, apresentando episódios históricos da inquisição espanhola com uma incrível clareza de detalhes, abordando a origem quase bíblica dessas duas raças fantásticas e discutindo a essência do amor e do que nos faz humanos de forma poética e filosófica. 

Azael é o demônio-lobo albino guardião de Lucien, um vampiro rico, bem apessoado e recluso que vive na cidade espanhola de Ávila.

Num baile comemorativo na noite da assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494, eles conhecem a bela Miriam, cortesã preferida de Glauco, um arcebispo e poderoso inquisidor espanhol.

A atração de Lucien por ela é imediata e entre encontros furtivos e cartas secretas de amor, ele e Azael terão que livrá-la do maldoso Glauco para garantir-lhe a felicidade.

O que Lucien, e o próprio Azael, não contavam é que a curiosidade do lobo pela jovem se transformará em um sentimento puro e maior do que ele e sua missão como guardião serão capazes de suportar.

A história é narrada por Azael (já transformado em humano) à própria Morte, que deve julgar o pedido do demônio-lobo que o leve para o além junto com a mulher que carrega nos braços.

Nesse pano de fundo anunciado de romance trágico, autora Marcela Godoy integra conceitos de filosofia platônica, hindu e até mesmo teosófica como base do aprendizado e discussão do demônio-lobo em busca de sua própria humanidade. 

Por exemplo, Os Sete Princípios do Homem, que rondam Azael depois que ele descobre seu sentimento por Miriam, são bases da Teosofia, uma doutrina que envolve conhecimentos filosóficos, científicos e esotéricos de diversas épocas e lugares do mundo divulgados pela ucraniana Helena Blavatsky no fim do século XIX.

O romance também pende para o lado filosófico da física quântica, principalmente pela máxima dita por Azael do "Tempo dotado de vontade" (que é repetida algumas vezes durante a trama) e que guiaria a vida daqueles que não tem força de vontade o suficiente para tomar as rédeas da própria vida.

Marcela ainda surpreende por inserir na narrativa referências ao Sandman de Neil Gaiman (na figura de Onírus, o deus-dos-sonhos) e ao jogo de RPG Vampiro: a Máscara, sucesso no mundo todo no início dos anos 1990.

Na mitologia do jogo, que é reconstruída e ampliada no livro, o primeiro dos vampiros foi Caim, amaldiçoado e marcado eternamente por Deus após matar seu irmão Abel por inveja.

Na trama do livro, logo depois disso, Caim faz um pacto com o anjo caído Lúcifer, que resulta na criação de Seth, o primeiro demônio a caminhar sobre a Terra na forma de lobo. O primeiro Guardião do Mito do Homem.

Dessa forma, a autora estabelece uma genealogia para a origem de Azael, que é mostrado não com a estética ocidental de “demônio = maldade” e sim com a idéia de que demônios são seres vazios, criados para servir de forma cega, sem aspirações ou desejos pessoais. 

É claro que, a partir de um determinado ponto, Azael não consegue mais afastar a curiosidade que tem pelo sentimento que seu mestre Lucien cultiva pela humana e nem sua própria fascinação pela mesma.

É aí que acontece sua primeira transformação em homem, prenunciada desde o início pelo medalhão que carrega no pescoço, e é o significado da “Queda” alardeada no título da obra.

Publicada um ano antes da famosa série Crepúsculo de Stephenie Meyer, o livro não é recomendado para crianças e nem pessoas de cabeça fraca pela complexidade dos conceitos já abordados acima e também por conter várias cenas de sexo (algumas até não-convencionais).

É claro que os fãs de fantasia gótica poderão apreciar sem moderação, inclusive com as belas e impactantes ilustrações de Marcelo Campos que acompanham a trama.

A história é fechada, mas existe gancho para continuações e é inevitável o gostinho de "quero-mais" deixado pela construção narrativa ao final da leitura. 

A autora, inclusive já começou a publicar os primeiros capítulos da sequência (intitulada "O Mensageiro de Ararat") em seu blog: http://oblogdamarcelagodoy.blogspot.com/2010/04/1-ultrapassam-em-barbarismo-tudo-o_23.html

Só nos resta esperar que a continuação das aventuras de Azael cheguem logo.

Muito recomendado.

Valeu!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Livro: Sangue Quente

Indiscutivelmente, os zumbis estão na moda. Depois de Vampiros, Lobisomens e Super-heróis agora é a vez dos Mortos-Vivos tomarem de assalto a cultura POP.

Sua fome por carne viva e cérebro fresco já foi tema de produções no cinema, nos quadrinhos, na TV e em vários livros de ficção. Todos abordados pelo ponto de vista humano

O que o autor Isaac Marion audaciosamente fez foi diferente. Ele decidiu abordar a questão do ponto de vista dos comedores de cérebro.

Primeiro num conto curto e depois em Sangue Quente (Warm Bodies, 256 págs.) seu primeiro romance que a editora Leya acaba de lançar aqui no Brasil.

R é um zumbi. Após uma praga desconhecida dizimar a civilização humana e transformar muitos em Mortos-Vivos, ele passa a vida (ou melhor, o pós-vida), vagando pelos salões destruídos de um aeroporto, brincando nas escadas rolantes e, eventualmente, indo até a cidade com os outros a procura de carne viva para comer. 

Numa das buscas por alimento, ataca um grupo de adolescentes e, ao devorar o cérebro do líder deles, Perry, tem pequenos flashes de memória da vida e paixões do próprio. Acaba reconhecendo uma delas ali mesmo: sua namorada Julie. Sentindo algo que julgou nunca mais sentir dentro de si mesmo, R impede que outros a devorem e a leva para seu esconderijo no aeroporto.

Ainda nos primeiros estágios de decomposição, R consegue articular algumas sílabas para se comunicar, mas sua diferença dos outros zumbis está no pensamento. Ele raciocina melhor que muitos. Não sabe de sua vida anterior e só lembra a primeira letra (daí o R) de seu nome, mas filosofa, critica, brinca e lamenta sua própria condição de morto-vivo até que a presença da menina ao seu lado começa a lhe despertar algo novo por dentro e por fora. 

R está mudando e vai depender de Julie pra que essa mudança se desenvolva. O problema é que os outros zumbis, os humanos restantes até (a princípio) a própria Julie vão resistir contra isso.

Uma trama que surpreende pela forma como é narrada: por um zumbi. O autor Isaac Marion inova colocando nas palavras de R questões existenciais, críticas sociais e reflexões artísticas através de uma prosa despretensiosa e bem-humorada

R é um zumbi filosófico e melancólico, porém bem espirituoso que enfrenta problemas pra definir a vida em função da própria morte. Essas reflexões e descrições críticas e bem-humoradas do dia-a-dia de um zumbi são o ponto alto da primeira parte do livro.

Na segunda parte, Marion mostra a nova sociedade humana (que cria comunidades dentro de gigantescos estádios esportivos), desenvolve as motivações e psiquês de Julie e Perry e insere as críticas a organização social. Sobrando uma citação rápida a favelas brasileiras.

Apesar do clímax com reviravoltas um tanto cansativas e do final da trama ser cheio de lugares-comuns, a prosa em primeira pessoa é um prato cheio para o autor destilar vários comentários sobre mudanças de visão e o potencial de cada ser humano através do olhar de um zumbi. 

Uma verdadeira metáfora para a chegada da maturidade.

O livro ainda contém ilustrações de partes do corpo humano abrindo cada capítulo (como um manual de anatomia) e o texto faz várias referências e citações a música de Frank Sinatra e John Lennon.

O livro foi distribuído primeiramente nos EUA de forma independente (com o dinheiro do próprio autor) em 2009 e, por causa do sucesso, teve várias reimpressões até ter seus direitos comprados para o cinema e uma grande editora se interessar e lançá-lo oficialmente ano passado.

A aposta da editora foi tanta que até um trailer (prática que já é comum aos grandes lançamentos nos EUA) foi desenvolvido para o livro. Confira abaixo (em inglês, claro).
E mesmo assim, com o desfecho um pouco fraco e com o comentário positivo de Stephenie Meyer (autora da série Crepúsculo) na capa, ainda dá pra ser fisgado pela bela construção narrativa de Marion no livro que, uma vez começado, só te fará largá-lo em algumas horas e só quando for absolutamente necessário.

Sem dúvida o livro mais surpreendente de 2011. E que já está com o roteiro pronto e atores escalados pra ser filmado em Hollywood.

Vale (bastante) a pena!

Recomendado.

Valeu!
Ps.:

terça-feira, 10 de maio de 2011

Livro: Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros

Numa entrevista recente ao Canal Brasil, o brasileiro José Padilha, idealizador, co-escritor, produtor e diretor do sucesso Tropa de Elite disse que uma das motivações para fazer o filme foi a falta de produções com policiais como heróis no Brasil. 

O comentário do diretor elucida também uma grande diferença cultural entre as culturas brasileira, onde o herói é geralmente marginalizado, e dos EUA, onde heróis geralmente são figuras de autoridade como policiais, soldados ou até mesmo presidentes.

Foi num desses últimos que apostou o autor americano Seth Grahame-Smith em seu último romance, Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros (330 págs., 2010) que a editora Intrínseca lançou no Brasil agora no início de 2011. 

Abraham Lincoln (1809-1865) foi o 16º presidente dos EUA, lembrado por ter comandado o país durante o sangrento período de Guerra Civil (1861-1865), por ter fundado o partido republicano, por ter finalmente abolido a escravidão no país e pelas inúmeras anedotas contadas sobre ele que o fazem conhecido até hoje como Abe, o honesto. 

Resumindo, uma figura lendária e uma das mais interessantes da história americana e (por que não?) mundial, que se torna agora ainda mais intrigante após Grahame-Smith descobrir em 2009 os diários perdidos do 16º presidente americano, que mostram que a principal motivação dele para combater as injustiças foram os sanguinários vampiros.

Óculos escuros, sombrinhas e vampiros.



Perdendo a mãe muito cedo para a misteriosa “doença do leite”, Abe logo descobre que um comerciante vampiro a mordeu após seu pai falhar em pagar uma dívida que tinha com ele. Decide então treinar seu corpo e sua mente para combater durante toda a sua vida aquela praga que parecia ter infestado os EUA.

Seus primeiros esforços são mais atrapalhados do que bem sucedidos até que conhece Henry Sturges, que veio da Inglaterra num dos primeiros esforços para a colonização do Novo Mundo e foi transformado em vampiro a contra-gosto após ter a mulher e filho mortos no massacre de sua vila no final do século XVI.

Vampiro que protegia Abe a mando de Henry.
Com quase 300 anos de idade e um desprezo pelas maldades praticadas pela própria raça, Henry treina Abe e lhe conta tudo que sabe sobre vampiros, começando a lhe passar missões expondo aqueles dos chupadores de sangue que achava que mereciam morrer. 

Tendo que cuidar da própria vida, Abe faz da caça de vampiros uma atividade paralela, quase sempre noturna, enquanto estuda, pula de um emprego a outro, se apaixona e decide lutar também contra as injustiças cometidas pelo Estado como advogado, político e legislador, até se tornar presidente e enfrentar a Guerra Civil americana.

O livro é dividido em três partes que percorrem a vida de Abe desde menino até presidente.

Crânio de vampiro na Guerra.
Cada capítulo abre com trechos de discursos ou cartas reais escritas por Lincoln e ainda conta com reproduções de fotos e quadros de época que mostram figuras vampirescas a espreita de Abraham durante grande parte de sua vida.

A prosa de Seth Grahame-Smith pontua a vida de Abraham Lincoln com batalhas sangrentas e detalhando as motivações do presidente para combater as injustiças desde a tenra infância até a sua morte e além

Alterna trechos subjetivos do diário de Abe com narrações objetivas do próprio autor dando mais credibilidade a trama por causa da constante mudança de “voz narrativa”, estilo adotado por muitos biógrafos famosos.

Isso é explicado na introdução do livro, onde Grahame-Smith se insere como personagem e diz que uma das exigências que a pessoa que lhe entregou os diários fez foi que escrevesse sobre eles e não transcrevesse literalmente 100% de tudo que lá estava escrito.

O famoso discurso de Gettysburg com vampiros a espreita.
Escolha acertada do escritor por dar dinâmica e fluidez à narrativa, que é permeada por passagens históricas famosas (e outras nem tanto) da vida de Abraham, mostrando o nível de pesquisa feito em uma vida extensamente discutida e exposta por (segundo Grahame-Smith) mais de 15 mil livros, além de diversos ensaios e filmes desde sua morte.

Outro grande ponto discutido no livro é a escravidão, amplamente defendida na comunidade vampírica da trama simplesmente por fornecer alimento fácil e sem julgo moral aos predadores, que foram os grandes patrocinadores da Guerra civil.

Ou seja, a vitória dos estados do norte, comandados por Lincoln, no fim da guerra acaba se tornando uma alegoria ainda maior à defesa da vida e liberdade humana.

Um livro bem difícil de largar tanto para os fãs de ficção sobrenatural quanto àqueles que gostam de romances históricos.

Um ótimo trabalho de Seth Grahame-Smith, que junto com sua última obra, Orgulho e Preconceito e Zumbis (já resenhada por mim aqui), se mostra um dos maiores autores de atual moda de literatura mashup, que tem como principal característica misturar textos pré-existentes e fatos reais com a imaginação do autor dando origem a novas obras que não desrespeitam a essência da original.

Suspense, romance, terror, vampiros, guerra, ação e fatos históricos são o que esperar da leitura extremamente divertida e informativa desse livro que já teve o sinal verde dado para sua adaptação ao cinema por Tim Burton.

Recomendado.

Valeu!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quadrinhos: Hellblazer - Pandemônio

John Constantine é um verdadeiro filho da p#$@. 

Politicamente incorreto, fumante inveterado, beberrão, ardiloso, zombeteiro, cheio de lábia e manipulador são alguns dos adjetivos comumente atribuídos a ele que é o anti-herói por excelência.

Dono de um passado que envolve a liderança de uma banda de Punk Rock, invocações de demônios mal-feita, uma visita involuntária ao inferno, dois anos de internação num hospício e perda de vários amigos pra uma maldição, Constantine vive tendo que aplicar seu conhecimentos das artes arcanas acumulados em todos esses anos pra tirar amigos de enrascadas ou salvar a própria pele.

Criado por Alan Moore (V de Vingança, Watchmen) em 1985 pra ser coadjuvante numa nova fase do Monstro do Pântano, o mago inglês (idealizado com a cara do cantor Sting) viria a ganhar revista própria alguns anos mais tarde.

Os 23 anos de publicação da revista mensal (na edição 278 nos EUA) pela DcComics americana comprova o sucesso do personagem que já teve publicados vários especiais, minisséries e participações que fez em outros quadrinhos ao longo dos anos. Sem falar no filme de 2005, estrelado por Keanu Reeves.

Arte de Rick Veitch em 1985
Junto com o Monstro do Pântano de Alan Moore e o Sandman de Neil Gaiman foi um dos que ajudaram a fundar o selo VERTIGO (de quadrinhos adultos) da editora em 1993.

É óbvio que com tantas edições e histórias, existem várias fases diferentes do personagem dependendo da equipe criativa por trás dele, mas algumas características são mantidas.

As principais são seu inseparável sobretudo (ou capote) e o fato de John recorrer a magia somente em último caso, preferindo depender de sua própria astúcia e charme pessoal para sair da maioria das situações na base da conversa. Mas é claro que nem sempre isso é possível.

Seu primeiro escritor na revista própria foi Jamie Delano que estabeleceu os principais pontos do passado sofrido do personagem tornando-o mais humano. É Delano que retorna agora numa história escrita pra edição especial de 25 anos do personagem lançada em março pela Panini editora aqui no Brasil.

John Constantine: HellBlazer – Pandemônio (132págs, 2010) é uma história completa que traz Constantine de visita ao Iraque após a Guerra do Golfo e a queda de Saddam.

Depois de um sonho premonitório com tanques de guerra, jogos de azar e mulheres com cabeça de leão, John encontra uma misteriosa muçulmana de burca (peça de roupa que só deixa visível os olhos) no metrô de Londres

Vai atrás dela e se vê envolvido num atentado terrorista. Descobrindo ser tudo um esquema do governo, John é ameaçado e mandado ao Iraque para ajudar no interrogatório de um prisioneiro.

Tudo porquê ninguém consegue ficar na mesma sala com o homem por muito tempo sem sofrer algum tipo de ataque de pânico involuntário com conseqüências bem nojentas. É quando John se vê no meio de um jogo entre demônios, D´jinns (gênios) e deuses sumérios esquecidos que pode custar sua vida.

O roteiro de Delano é bastante crítico e atual, tendo sucesso ao fazer John destilar comentários ácidos sobre a suposta segurança almejada pela constante vigilância imposta aos ingleses pelo medo após os atentados de 11 de setembro.

Uma ligação com o caso do brasileiro Jean Charles, morto por policiais londrinos ao ser confundido com um terrorista, por exemplo, pode ser feita.

A trama também promove o retorno de um demônio velho conhecido de Constantine, mas fica a dever na aparição das divindades sumérias que poderiam ser melhor aproveitadas (ou contextualizadas) por parte do autor, ou mesmo com um glossário por parte dos editores.

Delano também parece definir abertamente a idade do mago inglês (algo raramente feito com um personagem de quadrinhos tão duradouros) como algo próximo aos 60 anos (mas com corpinho de 40), ao contextualizar um flashback de sua infância no fim de década 1950. É bem provável que a editora reveja isso em pouco tempo já que o personagem não tem nenhuma previsão de cancelamento.

Os desenhos do escocês Jock (pseudônimo de Mark Simpson) são um caso a parte. Num estilo anguloso quase surrealista que lembra bastante Bill Sienkiewicz (artista de Elektra Assassina), Jock se destaca, entre outras coisas, pela divisão irregular de quadros na página que dão bastante dinâmica a narrativa. 

Sua escolha de cores que dominam ambientes e, as vezes páginas inteiras, são o ponto forte do álbum. Ajudando a criar e estabelecer os climas inóspitos dos lugares que John visita, desde o verde frio de Londres, passando pelo marrom claro e seco do deserto ao vermelho desesperador do inferno.

Uma boa história do personagem que mesmo sendo um filho da p#$@, ainda consegue estar no coração de muitos leitores por discutir temas relevantes como segurança, ética, guerra, tortura, responsabilidade social e vingança, demonstrando que o mago inglês desbravador do inferno (Hellblazer) ainda tem força pra mais 25 anos de sucesso.

Recomendado.

Valeu!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Filme: Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in)

Quer ver um filme de romance vampiresco adolescente diferente do que está na moda? 

A dica é Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008), um filme do diretor Tomas Alfredson que, desde seu lançamento na Suécia em 2008, vem sendo bastante elogiado pela crítica especializada no mundo todo. Sua estréia aqui no Brasil foi apenas em outubro de 2009, mas ainda dá pra assisti-lo em alguns (poucos) cinemas.

É a história de Oskar (Kåre Hedebrant), um garoto de 12 anos que é importunado por valentões da escola, além de muito solitário, até que acaba fazendo amizade com a menina Eli (Lina Leandersson), sua nova vizinha que só aparece a noite.
Acontece que Eli é uma vampira que fica encantada com Oskar, mas que tem dificuldade em controlar sua sede por sangue, o que causa bastante rebuliço devido aos misteriosos assassinatos ocorridos na região.

Uma trama que na verdade retrata a ruptura com a inocência de forma bastante sensível e desafiadora, mas com um desenrolar um tanto pesado e violento.

O roteirista John Ajvide Lindqvist, que também é o escritor do livro original, cria uma história de romance adolescente bastante inusitada.

A amizade entre os dois personagens vai sendo belamente construída na base da dependência, motivada pela falta que eles sentem por pessoas de sua idade (apesar de nunca ser revelado a idade real de Eli). A violência faz parte, não por escolha própria, da vida dos dois e isso acaba sendo um fator importante para eles se unirem.

Uma narrativa construída inteiramente no presente que deixa várias perguntas na cabeça do espectador, justamente em relação ao passado dos personagens. Uma reflexão é necessária, por exemplo, para se entender a história do velho que mora com Eli e sua relação com Oskar no fim do filme. Escolha acertada do roteirista principalmente por causar discussão e estimular a imaginação.

O diretor constrói a trama de forma bem lenta, mas extremamente progressiva, abusando de planos estáticos, onde só os personagens se movem, na primeira metade do filme. Quando a câmera enfim se movimenta é pra revelar algum objeto ou personagem importante para estabelecer o suspense na película.
Outro fator que colabora nesse suspense é a quase ausência de trilha sonora em momentos que precedem a tensão. Existe música, mas ela só se revela em momentos de passagem ou pra incitar emoção, quase nunca nos momentos de suspense. A edição de som deixa todo o trabalho na respiração e fala dos atores, que se torna bastante ruidosa e pesada devido ao clima gelado da cidade onde se passa a trama. 

A neve abundante nas cenas externas é um grande elemento opressor que estabelece o tom pesado com que se desenrola a trama e também é um espelho para a frieza dos colegas valentões e do próprio Oskar nas cenas de confronto.

Apesar de fazer parte do filme, a violência não é retratada com mal-gosto, nem mostrada em detalhes ou closes específicos. É claro que não dá pra saber se isso é motivado por escolha estilística ou falta de verba da produção. O que se vê mesmo, e que não podia faltar num filme de vampiro, é bastante sangue, esse sim mostrado sem pudores.
O casal de atores principal mostra uma boa química juntos e faz um bom trabalho, apesar de mostrar inexperiência em algumas cenas. 
Destaque para a atuação dos companheiros do valentão que oprime Oskar na escola, por conseguirem passar dúvida e arrependimento de forma uma tanto mais elogiosa do que o casal principal.

Importante dizer que a trama retrata vampiros na forma clássica: ágeis, rápidos, com medo de sol, que mordem pescoços para viver e, principalmente, precisam de convite do morador para entrar numa casa, daí o título do filme. 

Dois fatos que podem decepcionar algumas pessoas: Primeiro é que não é um filme de ação, apesar dela estar presente, e Segundo é que não há nenhum vampiro bonitinho no filme, apesar da história ser intrigante. 

Outra coisa importantíssima, e que não poderia deixar de falar, é que não é um filme para criança e talvez seja um pouco denso demais para adolescentes. Diferente dos sucessos Crepúsculo e Diários do Vampiro.

O filme tá dando tanto o que falar que uma versão americana já tem diretor e atores confirmados e deve começar a ser filmada ainda esse semestre. Mais uma vez os americanos refilmando filmes estrangeiros para adaptá-los a sua realidade. Será que eles não gostam de ler legendas?

Um filme um tanto pesado sobre o sobre o final da infância, iniciado de forma um pouco parada, cujo fio-condutor é uma história de amor entre dois pré-adolescentes que ao final incita a reflexão e discussão é o que esperar desse ótimo suspense.

Recomendado.

Valeu!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quadrinhos: VERTIGO da Editora Panini

Já está na segunda edição em bancas o almanaque VERTIGO (na sua quinta encarnação brasileira), só com histórias do selo de quadrinhos adultos da editora americana DCComics (a mesma de Batman Super-homem).

O selo VERTIGO foi criado no fim dos anos 80 para incentivar escritores e desenhistas a criarem histórias com temáticas mais maduras, com o objetivo de conquistar leitores que procuravam algo diferenciando dos quadrinhos tradicionais da DC, direcionados a um público infantil e juvenil.

Nos quadrinhos da VERTIGO é comum encontrar tramas abordando sexo, drogas, política, violência e religião, de maneira muito pouco sutil, o que não dá pra fazer numa história comum de super-heróis.

Só pra citar algumas obras e seus autores famosos que já passaram pela VERTIGO: Monstro do Pântano de Alan Moore, Sandman de Neil Gaiman, 100 Balas de Brian Azzarello, Fábulas de Bill Willingham, Y - O último Homem de Brian K. Vaughn, Preacher de Garth Ennis, HellBlazer e muitas outras.
No Brasil, o selo VERTIGO tem uma história complicada. Já foi publicado, se não me engano, por 8 editoras diferentes, sendo que muitas delas cancelaram títulos deixando histórias pela metade, por causa de vendas baixas e complicações contratuais. É claro que as vendas baixas tiveram muito a ver com a (quase) inexistência de divulgação dos títulos, o que levou diretamente a preços muito altos pelas edições, consequência das baixas tiragens dos exemplares. Sem divulgação fica difícil, né?

A editora Panini, que atualmente faz um bom trabalho publicando as HQs de super-heróis tanto da DC quanto da Marvel Comics, foi quem investiu nessa última empreitada do selo lançando o almanaque VERTIGO e algumas edições especiais que retomam histórias deixadas incompletas pela editora PixelMedia, que detinha os direitos do selo anteriormente.

O atual almanaque VERTIGO tem 132 páginas e 5 histórias diferentes. Todas elas inéditas, ao menos em quadrinhos, no Brasil.

Lugar Nenhum é a quadrinização do texto de Neil Gaiman (que já foi série de TV e livro) e conta a história do contador londrino Richard Mayhew,que tinha uma vida chata e sem-graça até salvar uma mulher misteriosa chamada Lady Porta, última herdeira de uma importante família de Londres Abaixo, o submundo mágico existente nos subterrâneos da cidade de Londres.

Após esse breve encontro, a vida de Richard vira de ponta cabeça e ele tem que seguir por uma estranha jornada pelo submundo londrino para conseguir que tudo volte ao normal.

Roteirizada por um mediano Mike Carey e desenhada pelo ótimo Glenn Fabry é a série com maior apelo comercial por trazer o nome de Neil Gaiman, garantia de vendas do selo.

HellBlazer, que traz história da revista mais antiga do selo (com 262 edições americanas até agora) e mostra as aventuras do mago urbano inglês John Constantine (que já teve um filme com Keanu Reeves no papel principal).

O Barato da Vida (publicada nos EUA na edição 175 de HellBlazer) conta o reencontro de Constantine com sua irmã na Inglaterra após ter ficado quase 2 anos nos Estados Unidos e ter sido dado como morto.

O condomínio onde sua irmã mora tem sido afetado uma aura maléfica que motiva atos violentos e depressivos em todos os moradores do local.  Tudo aponta para a bondosa velhinha que mora com os filhos no último andar.

Como sempre, Constantine tem que se meter em algo que não esperava, mas dessa vez para tentar salvar sua família.

Também roteirizada por Mike Carey, tem a volta de Steve Dillon (revelado em Hellblazer há mais de 10 anos) nos desenhos.


Sandman apresenta: A Tessalíada também traz um personagem conhecido, vindo da história Um Jogo de você do Sandman de Neil Gaiman.


Thessaly é a última das bruxas da Tessália.

Extremamente poderosa e com algumas centenas de anos de idade, ela vive pacatamente disfarçada como uma jovem aluna de uma faculdade em Nova York até que é atacada por enormes cães demoníacos, que destroem seu apartamento e matam um colega de faculdade, a obrigando a partir numa jornada para descobrir quem está tentando matá-la.

Tudo isso acompanhada por um galante e falador fantasma que diz ter sido morto por ela há muitos anos atrás.

Roteiro de Bill Willingham e desenhos de Shawn McManus.

Escalpo é uma HQ totalmente inédita por aqui e acaba se tornando a grande surpresa da edição tanto por não envolver magia quanto por tratar de um tema bastante polêmico: a questão indígena americana.


Dashiell Cavalo-Ruim volta a sua reserva indígena depois de 15 anos, encontra velhos desafetos e arruma bastante confusão até que é contratado por seu tio Lincon Corvo-Vermelho, líder da reserva, como policial pra tentar botar ordem na casa.

Acontece que seu tio está envolvido em vários esquemas criminosos e caberá a Dashiell, que trabalha disfarçado para o FBI, desmascará-lo.

Sexo, drogas e jogo mostram a realidade decadente de uma nação indígena nos dias de hoje.

Roteiro de Jason Aaron e arte de R. M. Guerá.

Vikings, apesar de também ser totalmente inédita por aqui, já chega com uma certa fama por ter sido bastante elogiada lá fora.


Mais de mil anos atrás Sven, um habilidoso guerreiro varegue, é obrigado a retornar para casa no norte da Europa após ter notícias da morte do pai.

Seu tio Gorm tomou tudo que era do pai de Sven para si e mantém o povo do vilarejo controlado na base da fome e da violência.

Sven não tem o interesse em nada além do dinheiro deixado por seu pai, mas vai ter que reagir as investidas de seu tio, preocupado que ele reclame o lugar de seu pai como líder de seu povo.

Escrito por Brian Wood (o mesmo de Local) e desenhado por Davide Gianfelice.

Mesmo tendo a mesma premissa do filho pródigo que a casa torna, tanto Escalpo quanto Vikings são boas surpresas. Sendo que Escalpo empolga já na primeira edição, enquanto Vikings tem um ritmo mais lento.

HellBlazer tem uma história curta e consistente, com apresentação de novos e interessantes personagens  que mereciam novas aparições, mas o melhor da trama são as suspeitas de John que prometem ganchos para novas emoções nas próximas edições.

Lugar Nenhum é um suspense que ainda não empolgou em duas edições, apesar de ótima arte de Fabry ,e A Tessalíada surpreende positivamente no uso da metalinguagem para descrever a jornada de Thesssaly, apesar da personagem ainda não ter cativado o suficiente para merecer maior atenção.

Como todo almanaque ou revista de mix, VERTIGO é uma revista de qualidade variável, mas bastante acima da média dos atuais quadrinhos em banca. Boa para quem tá afim de experimentar coisas novas e não gosta de ver sua inteligência subestimada por (algumas) histórias de super-heróis.

Resta esperar que esta nova empreitada do selo VERTIGO no Brasil, ao contrário das anteriores, tenha uma longa vida pela Panini.

Recomendado!

Valeu!
Ps.: Ah! Vale a pena acessar o site da Panini para a linha VERTIGO com ótimas referências e informações sobre todas as séries  http://web.hotsitepanini.com.br/vertigo/
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