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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Filme: Missão: Impossível 4 - Protocolo Fantasma

Depois de três filmes e prestes a fazer 50 anos, todos desconfiavam que o astro Tom Cruise não teria fôlego pra voltar pra mais um episódio da série Missão: Impossível. E não é que estavam enganados?

Missão: Impossível 4 – Protocolo Fantasma é um filme inacreditavelmente divertido, equilibrando as sequências de ação de tirar o fôlego com diálogos cômicos e cenas dramáticas de maneira bem melhor que seus antecessores.

Depois de fugir de uma prisão russa e executar uma mal-sucedida missão em Moscou, o agente secreto Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe são acusados de explodir o Kremlin (a sede do governo russo). Isso obriga o governo americano a executar o Protocolo Fantasma, que desativa completamente a agência secreta IMF (Impossible Mission Force) deixando Hunt e seus colegas por conta própria. Restará a equipe, sem qualquer tipo de apoio e com equipamentos capengas, procurar o verdadeiro autor dos atentados para provar a própria inocência.

O roteiro, escrito a seis mãos, inova ao trabalhar (como já disse acima) diálogos cômicos para diluir a tensão dos momentos dramáticos além de desenvolver satisfatoriamente a personalidade de cada elemento da equipe, que acabam tornando-se mais verossímeis e tangíveis como seres humanos aos olhos do espectador. 

Isso vai desde o sentimento de vingança de Jane Carter (Paula Patton), passando pela insegurança de Benji Dunn (Simon Pegg) e indo até o inesperado sentimento de culpa de William Brandt (Jeremy Renner).

Por incrível que possa parecer é o personagem de Tom Cruise, que acaba perdendo a profundidade que havia ganho no filme anterior, deixando mais espaço para os seus colegas brilharem. 

Mas você que é fã de Cruise, não se engane com a frase anterior, o ator ainda tem bastante tempo de tela e protagoniza a maioria das cenas de ação do filme.

Como a ótima sequência de perseguição dentro de uma tempestade de areia no meio de uma cidade e a luta dentro de um estacionamento vertical, só pra citar algumas delas.

O diferencial desse M:I 4 é que ele não é mais o centro da equipe, apesar de ainda ser o cabeça dela.

O diretor Brad Bird, vindo de animações de sucesso como Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille, estréia muito bem em seu primeiro grande filme com atores reais em cena, não fazendo feio ao coordenar as cenas de ação bem como aquelas envolvendo apenas diálogos entre os atores. Sem dúvida o grande responsável pelo bom entrosamento de toda a equipe.

O destaque vai pras sequências (já citadas) da tempestade de areia e da luta no estacionamento, com menção especial a homenagem do diretor ao primeiro filme da série colocando o personagem de Jeremy Renner quase na mesma posição em que Tom Cruise esteve no filme inicial na famosa sequência da invasão a uma sala de computadores pendurado por uma corda e com o suor escorrendo da testa.

Uma ótima pedida para os fãs de ação, principalmente aos fãs de Missão: Impossível, com sequências inacreditáveis e uma atuação satisfatória de todo o elenco.

Recomendado.

Valeu!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Seriado: American Horror Story

"Uma das séries mais surpreendentes de 2011.” 

“Os sustos estão de volta a televisão.” 

“Você vai morrer (de medo) assistindo isso aqui.”

São algumas das frases atribuídas a esse seriado em 2011. E com absoluta razão.

American Horror Story é uma série em 12 episódios que foi ao ar de outubro a dezembro de 2011 no canal a cabo FX nos EUA e ainda se encontra em exibição por aqui no canal FOX Brasil.

É uma série de terror adulto que bebe na fonte de filmes clássicos como Os outros, O Iluminado, O Bebê de Rosemary, Sexto Sentido e vários outros com direito a sustos provindos de um suspense sobrenatural constante.

A família Harmon está em crise após o marido Ben (Dylan McDermott) ser pego traindo a esposa Vivien (Connie Britton) que tinha acabado de ter um aborto. É quando resolvem se mudar junto com a filha adolescente Violet (Taissa Farmiga) para tentar superar a crise num lugar diferente.

O problema é que a casa escolhida para isso em Los Angeles já foi palco de muitos crimes e assassinatos violentos guardando em suas paredes várias gerações de espíritos, cada qual com sua história horripilante e com diferentes objetivos reservados para a inocente família.

O sucesso de público e crítica que a série teve em míseros três meses de exibição se deve a vários fatores.

Sua estrutura narrativa não-convencional, com várias voltas ao passado para contar a história de cada fantasma ou aprofundar a personalidade dos personagens vivos (como já feito em LOST) é um desses fatores que instigam e surpreendem o espectador por revelar fatos novos a cada episódio.

Seu clima sombrio, resultado da mistura da trilha sonora pontual e econômica com a paleta de cores sombrias em contraste os vibrantes vermelho e verde junto com os ângulos de câmera inclinados e tomadas constantemente desfocadas em momentos de tensão ajudam a manter o clima de suspense da série.

A escolha do elenco sem dúvida também ajudou muito, com destaque para a veterana Jéssica Lange, vencedora de dois Oscars e vários outros prêmios de atuação, que aqui interpreta Constance, a vizinha enxerida, que revela ter mais a ver com a casa e seus fantasmas do que o espectador suspeitaria.

Outro dos fatores é a homenagem aos clássicos do terror (já citados) em que passeiam pela trama fantasmas obsessivos, bebês demoníacos, doutores frankensteins, assassinos seriais, monstros deformados e imitadores de assassinatos, com destaque para genocidas adolescentes (como aqueles que atacam escolas) e profecias apocalípitcas.

Tudo isso apenas nos 12 episódios dessa primeira temporada, que fecha história da família Harmon, deixando, claro, várias pontas que podem ser desenvolvidas na (já confirmada) segunda temporada, sobretudo em relação ao passado (e a promessa de futuro) da vizinha Constance.

Supreendentemente criada e produzida pelos mesmos autores de Glee, Ryan Murphy e Brad Falchuk, American Horror Story vem, segundo o próprio Murphy, em resposta a um apelo de um lado diferente lado de sua própria personalidade.

Os episódios mais assustadores são os da primeira metade da temporada que estabelecem as bases para o clima do seriado, que acaba perdendo um pouco do suspense na metade final.

O que já podia ser esperado, principalmente por conta da necessidade de aprofundamento das relações entre os personagens que serviu para amarrar a trama para o final da temporada.

É claro que essa perda do suspense não altera a qualidade da série, que se torna difícil de largar desde o primeiro episódio.

É o terror clássico revisitado com modernas técnicas narrativas, mas mantendo aspectos dos suspenses de sucesso com privilégio de mais tempo de tela a ser desenvolvido pela trama.

Recomendado!  (Até pra quem não gosta de filmes de terror.)

Valeu!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Livro: A Fórmula da Vida de Adriana Igrejas


No ano passado tive o prazer de ser escolhido como um dos primeiros leitores a apreciar o romance de estréia de uma querida colega de trabalho e é com imensa satisfação que publico hoje aqui no blog a resenha que fiz do livro.

Uma rocambolesca, gostosa e cativante trama de novela televisiva em forma de livro. 

É como posso descrever em poucas palavras o romance de estréia da escritora Adriana Igrejas, A Fórmula da Vida, pela editora LetraCapital com o apoio da Prefeitura de Mesquita-RJ.

É a história de Catarina, uma jovem herdeira atormentada pelo trauma da violenta perda do pai, que morreu dias antes de revelar a fórmula de uma substância capaz de purificar qualquer tipo de água poluída, e de como isso a levou tortuosamente pelos caminhos da vida.

O livro pode ser dividido em três partes:

Na primeira, vemos Catarina conversando com sua psiquiatra enquanto lembra os fatos mais importantes de sua vida desde o assassinato de seu pai. Aos 15 anos, vemos o fim de sua infância e como ela lidou com isso, tentando se reintegrar à sociedade após o baque psicológico, com mudanças de escola, início do treino em artes marciais, busca pela emoção de lutas ilegais e tentativas de fazer justiça com as próprias mãos.

Na segunda parte, Catarina, já formada na faculdade, tenta a sorte trabalhando como zootecnista numa fazenda no interior do Mato Grosso. A mudança brusca da trama é bem justificada por um fato no fim da primeira parte e, entre encontros e desencontros, finalmente presenciaremos um pouco de juízo e o vislumbre de felicidade na vida da personagem.

Na terceira parte, Catarina volta a se confrontar com fantasmas do passado e o mistério da morte de seu pai é, enfim, desvendado, mas não sem esforço e sofrimento da protagonista e com a volta do suspense, da tensão e de ação digna de blockbusters hollywoodianos que fecham a trama com chave de ouro.

Órfã, herdeira milionária, vingadora atormentada, lutadora marcial, justiceira clandestina, zootecnista irascível e mocinha apaixonada são algumas das personas que Catarina assume ao longo dos seis anos desenvolvidos no tempo narrativo do livro.

A autora Adriana Igrejas mistura nesse caldeirão uma série de referências que vão desde as mais clássicas, como Shakespeare e mitos gregos, até as mais atuais da cultura popular resultando numa deliciosa sopa com sabores que agradam a vários gostos.

Seu estilo narrativo lembra um bom folhetim televisivo. Num determinado momento do livro parece que estamos apreciando uma novela de Janete Clair devido às reviravoltas da trama e da força de seus personagens.

A autora também se mostra mestra na ambientação estabelecendo detalhes nas descrições que traduzem com perfeição a vida real para a trama. Destaque para a sequência na escola pública e no trem, tão reais que chegam a assustar.

O que também impressiona são as descrições das cenas de luta que mostram que a autora realmente conhece (ou teve que conhecer) o mundo das artes marciais pra escrever a história. Alguns trechos lembram seriados de ação como Nikita, por causa da força e determinação de suas protagonistas.

 Um belo estudo de personagem numa bela trajetória para encontrar, como foi dito no press-release, a fórmula da vida e uma fórmula DE vida.

Recomendado!
 
Aproveito também pra convidar a todos para o lançamento do livro que será nesse domingo (27/11/2011) às 15hs no Parque de Eventos da Prefeitura de Mesquita que fica na Rua Baronesa de Mesquita, s/No., no Bairro de Cosmorama em Mesquita-RJ. Pertinho da estação de trem de Edson Passos.

Eu já confirmei minha presença pra fazer a leitura de um dos meus trechos favoritos do livro. Compareça, garanta seu exemplar e ajude a prestigiar uma autora nacional.
 
Valeu!
Ps.: Mais informações sobre a obra em: http://aformuladavida.blogspot.com/

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Livro: Frente de Tempestade - Os Arquivos Dresden Vol.1

Num universo onde a magia existe, mas é ignorada pela maioria das pessoas, um bruxo chamado Harry tem que procurar e confrontar um bruxo praticante de magia negra para salvar seus amigos, sua comunidade e sua própria vida.

Não, a sinopse acima não foi escrita como referência a mais um volume de Harry Potter.

É a sinopse mais simples que consegui fazer do romance de estréia do escritor americano Jim Butcher, Frente de Tempestade (322págs, 2011), publicado nos EUA no ano de 2000 e que está a venda desde junho desse ano aqui no Brasil pela Editora Underworld.

Harry Dresden é o único bruxo particular listado na lista telefônica com escritório na cidade de Chicago nos EUA. Como poucas pessoas no mundo acreditam em magia, ele não tem muitos trabalhos a vista, e vive com pouco dinheiro no bolso. Eventualmente, ele dá consultoria para a polícia em casos que não tem muita explicação lógica, o que ajuda bastante a pagar o aluguel. 

Até o dia em que uma série de assassinatos, em que as vítimas têm o coração explodido misteriosamente dentro do peito, o colocam na mira de mafiosos, vampiros, repórteres, traficantes de drogas, demônios e fiscais do conselho branco de magia. Tudo isso por causa de um misterioso e poderoso bruxo praticante de magia negra que dará trabalho para ser identificado e encontrado.

Narrado em primeira pessoa, livro pode ser descrito como uma mistura de romance de detetives e fantasia contemporânea.

O clima detetivesco/noir se faz presente em vários clichês do gênero como a narração irônica de Dresden, suas condições cada vez piores de trabalho, o descrédito e crescente desconfiança dos outros personagens para com ele, seu rígido senso moral, sua facilidade em se dar mal e as constantes (mas bem embasadas) reviravoltas na trama. Até mesmo a mulher problemática a procura do marido e um casaco-sobretudo inseparável para o personagem se fazem presente na narrativa.

É claro que esses clichês são apenas o fio-condutor da história, que surpreende por conseguir integrar organicamente elementos fantásticos bastante estranhos ao universo de tramas de detetives como fadas, poções, amuletos, espíritos elementais, artefatos mágicos e manipulação de elementos naturais a um cenário quase que estritamente urbano. 

Tudo isso aparece na trama de forma bem natural e é o maior mérito do autor Jim Butcher. Mérito esse que deveria ser o almejado por qualquer autor: construir uma lógica própria e consistente pro seu universo narrativo. Os elementos mágicos, por exemplo, são explicados com teorias de manipulação energética, tornando o sobrenatural, senão verossímil, pelo menos bastante aceitável.

A trama também decorre de forma bastante rápida e a narrativa faz a leitura fluir muito bem.

Sendo apenas o primeiro volume de uma série com 13 livros públicos até o momento nos Estados Unidos, o livro apresenta uma história completa que serve de apresentação do universo do personagem Harry Blackstone Copperfield Dresden, filho de um ilusionista e nomeado pelo pai em homenagem aos maiores ilusionistas da história. 

Assim como esse, vários elementos do passado do personagem são citados e provocam no expectador aquele gostinho de quero mais. Esse pode ser um dos defeitos da narrativa, que estabelece Harry como personagem verossímil com várias características contraditórias inerentes aos seres humanos, mas é superficial em detalhar suas motivações pra fazer o que faz. É claro que isso pode ser uma simples estratégia pra nos fazer comprar o próximo livro.

Dresden é um personagem fascinante, pois mesmo estando sempre na pior, não abandona seu rígido código moral, que o faz ser cavalheiro com as mulheres e tentar não desobedecer as leis da magia estabelecidas pelo conselho branco. Mesmo assim o rígido Morgan, fiscal do conselho, está sempre na sua cola.

Uma ressalva a essa primeira edição brasileira são os constantes erros tipo: “comoque nem” e “estoutô” encontrados várias vezes durante o volume. Como se o tradutor tivesse deixado como opção para o editor revisar e o editor tenha deixado passar.

Erros até perdoáveis devido a qualidade da trama e a pouca experiência da editora Underworld no mercado, mas que não seriam recomendáveis em novas edições e em futuros volumes da série.

O sucesso da série lá fora deu origem a áudio-livros, vídeo-games, quadrinhos e uma série de tv em 12 episódios exibida pelo canal Sci-fi na temporada 2007.

Uma trama de magia fantástica com ares urbanos contemporâneos tendo como fio-condutor um mistério de assassinatos e o clima noir de romances detetivescos, cheia de ação e reviravoltas surpreendentes e com um personagem fascinante é o que esperar desse livro.

Recomendado!

Valeu!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quadrinhos: Daytripper

O que seria da existência sem os contrastes?

Não daríamos valor a luz das estrelas se não fosse a escuridão. Ao lazer se não fosse o trabalho. Ao chocolate se não fosse o morango. Aos momentos felizes se não fossem os tristes. À vida se não fosse morte.

É por esses contrastes que passeia Daytripper (258 pág., 2011) a última obra em quadrinhos dos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá, publicada primeiro lá fora numa minissérie em 10 edições pela VERTIGO, o selo de quadrinhos adultos da editora americana DCComics, e que só agora chega aqui em terras brasileiras pela Panini editora. 

Brás de Oliva Domingos é um escritor de obituários com aspirações a grande literatura que vive a sombra do sucesso do pai, um escritor multipremiado e membro da academia brasileira de letras.

Em cada uma das dez histórias somos apresentados a momentos importantes da vida de Brás como o nascimento do filho, as férias de infância com os avós, a viagem pela Bahia com o melhor amigo, o dia que conheceu a esposa e vários outros. 

Contada de forma não-linear, cada capítulo é nomeado com a idade que Brás se encontra e pontuado, num ótimo emprego de realismo fantástico, pela morte do personagem após momentos de alegria ou mesmo de tristeza.

Abordando um tema específico como família, amor, amizade, trabalho, em cada um deles, sempre de um jeito diferente, subvertendo todas as expectativas. 

A obra merece a quantidade de prêmios que vem ganhando atualmente nos EUA e tem muitos méritos que justificam isso. Um deles é causar a identificação imediata através da descrição de episódios que poderiam estar na vida vários leitores.

Os gêmeos continuam afiados nos textos trabalhando de forma poética temas comuns como idas ao sítio, encontros românticos na padaria e até assaltos no botequim. 

Melhoraram bastante na arte, principalmente nas expressões genuínas dos personagens, nos detalhes dos cenários e ao retratar pontos turísticos da Bahia e de São Paulo

Na verdade, toda a caracterização da obra merece destaque. 

Brás, por exemplo, é a cara do cantor e compositor Chico Buarque

E a Bahia representada consegue se apresentar ao mesmo tempo de forma mística e verossímil tendo todas as idiossincrasias dos textos de Jorge Amado

Sem falar nas cores aquareladas que dão um toque todo especial ao sentimento de poesia cotidiana da história. Sem dúvida feita pra emocionar.

Dá até orgulho de ser brasileiro ao ver uma história totalmente produzida por autores nacionais ganhando três dos principais prêmios de quadrinhos nos EUA agora em 2011. Orgulho que não vem só da inegável qualidade da obra, mas pelo fato dela representar tão bem o Brasil.

Moon e Bá, avessos a super-heróis desde o início, começaram a carreira profissional há mais de 10 anos publicando de forma independente o fanzine em quadrinhos 10 Pãezinhos em São Paulo (que já rendeu 5 álbuns por grandes editoras).

Hoje, depois de vários prêmios por aqui que lhe renderam contatos e incursões ocasionais (e premiadas) no mercado americano, mostram que o Brasil pode fazer diferença nos quadrinhos dos EUA não só pela habilidade do traço, mas também nos roteiros.

A vida é feita de escolhas e Brás faz todas elas, algumas certas, outras erradas, e acaba construindo uma trajetória tão particular quanto fascinante.

Uma bela história sobre contrastes que pontua com realismo fantástico os sonhos, as aspirações e os episódios da vida cotidiana de um sujeito comum, com o maior mérito de transformar o mundano em poético.

Recomendadíssimo!

Valeu!

domingo, 28 de agosto de 2011

Desenho: Bob´s Burguers

Ao contrário do que se pode pensar isso não é um comercial de uma franquia de lanchonetes. É apenas um sopro de frescor e originalidade nas comédias de animação adultas da atualidade.

É assim que é Bob´s Burguers, nova série que estreou em janeiro de 2011 na FOX americana e só chegou agora em agosto aqui no Brasil pelo canal a cabo FX.

Bob é o cozinheiro, administrador e único dono de uma lanchonete fast-food numa cidade costeira americana. Seus únicos empregados são os filhos e sua esposa. Amante do seu próprio trabalho, Bob passa os dias lidando com o espírito inovador da esposa Linda (que sempre lhe tiram de sua zona de conforto), com a descoberta da sexualidade da filha mais velha Tina (que não tem o menor traquejo social), com a empolgação cega e inusitado talento musical de Gene (que lhe rendem vários apuros) e com a inteligência precoce da caçula Louise (que adora ver o circo pegar fogo).

A série foi criada e é produzida por Loren Bouchard, que foi responsável pela animação Filmes Caseiros (1999-2004) do extinto Adult Swim do Cartoon Network e também foi consultor do The Rick Gervais Show (2010), e declarou ter tido a idéia para a série ao imaginar uma família num local de trabalho.

Pertencendo ao gênero de comédia sobre famílias disfuncionais, sucesso em animações como Os Simpsons e Uma Família da Pesada, Bob´s Burguer se diferencia delas por conseguir fazer comédia escrachada e (quase) politicamente incorreta, mas com consistência narrativa.

Isso quer dizer que a trama de cada episódio não pára pra mostrar piadas que não nada a ver com a história como em muitas das animações atuais. A comédia aqui (como toda boa comédia quase sempre imprevisível) é integrada a trama, ou seja, as situações absurdas são sempre explicadas (de uma forma ou de outra) em cada episódio.

Por exemplo, no episódio em que Bob sobe no forro do telhado pra consertar as goteiras, acaba descobrindo que as paredes tem fundo falso e prefere fingir que ficou preso lá ao descobrir que os sogros vem passar uns dias em sua casa.
Isso gera situações engraçadíssimas para o personagem, que passeia pela casa escondido por trás das paredes (e em certo ponto começa a ficar doido), e para seus filhos, que na ausência do pai, aprontam na escola (cada um com seu motivo) e acabam recebendo em casa uma visita do orientador escolar.

Outro episódio legal é quando a cidade promove uma semana de exposição de arte nas ruas e lojas e a esposa de Bob, Linda, convida sua irmã pra expor suas novas telas no restaurante.
O problema é que as todas as pinturas (sem exceção) retratam animais expondo uma parte de sua anatomia que não combina nada com um restaurante.
Prato cheio pros autores discutirem a essência da arte (e da censura) e que também acaba servindo pra discutir o que forma uma verdadeira família.

Sobra até pro Brasil num episódio em que um dos filhos resolve fazer aula de capoeira e Bob tem um desentendimento com o professor.

A série também surpreende por apresentar um bom desenvolvimento e evolução de personagens, em especial os filhos de Bob.

Tina, que nos primeiros episódios é uma pré-adolescente apática e sem personalidade, vai se transformando numa adolescente típica ao poucos, tendo sonhos sensuais com zumbis, enfrentando crises de desespero por (quase) nada e desenvolvendo uma forma bem peculiar (e engraçada) de interagir com o sexo oposto.

Gene, o filho do meio com seu teclado inseparável, acaba revelando ter até um certo talento pra música, mesmo que isso envolva sons nada convencionais.

Mas o destaque vai mesmo pra caçula Louise, com seu chapéu em formato de orelha de coelho (que não tira nem pra tomar banho), sua imaginação fértil e seu dom de manipular os irmãos e todos aqueles que acha que são menos inteligentes do que ela. Num dos episódios finais ela acaba revelando seu desejo nada normal de se tornar uma super-vilã daqui há alguns anos.

E mesmo os filhos quase sempre estragando os planos de Bob pra ter sucesso com o restaurante, as histórias fazem questão de destacar a unidade familiar, frisando o amor dele para com as crianças e também toda a consideração e obediência dos filhos a ele, tornando a série mais normal e verossímil que outras.

Essa primeira temporada da série teve 13 episódios e já foi renovada para a segunda. Espero que tenha a mesma qualidade.


Uma animação nova sobre uma família que administra um restaurante que surpreende por fazer rir com humor (quase) incorreto integrado organicamente a narrativa, abordando temas relevantes de convívio familiar entre pais e filhos semi-adolescentes.

Me fez rir bem mais que os novos episódios dos Simpsons e Uma Família da Pesada.

Recomendado.

Valeu!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Filme: Professora Sem Classe

Esqueça tudo que você sabe sobre filmes de professores no cinema.

Em Professora Sem Classe (Bad Teacher, 2011) novo filme do diretor Jake Kasdan o que impera é o politicamente INcorreto de uma professora que não quer salvar ninguém além de si mesma.

Elizabeth Halsey (Cameron Diaz) é uma professora que está prestes a largar o emprego e casar com um rico descendente. Até o dia em o noivo lhe dá um pé na bunda e ela volta, com muita má vontade, a trabalhar na escola pra poder ao menos pagar as contas. 

É quando aparece o professor substituto Scott Delacorte (Justin Timberlake) e ela decide colocar silicone pra poder atrair o moço, que vem de uma rica família. O problema é que seu salário não paga a operação, e ela começa a aplicar uma série de golpes na escola (e fora dela) pra juntar o dinheiro para a tão sonhada operação.

Escrito por Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg, dupla responsável por vários episódios da série de TV The Office, o filme é recheado de palavrões, situações escrachadas e surpreende por não dar quase nenhuma chance a estrutura de comédias certinhas, sejam elas românticas ou besteiróis.

Por exemplo, quando você acha que a trama vai virar um drama escolar, com a revelação de perda do pai por parte de um dos alunos, Elizabeth simplesmente dá um conselho nada maternal, porém bastante sincero ao garoto, subvertendo todas as expectativas, tanto dos espectadores quanto dos personagens que a rodeiam.

É nesse ritmo de surpresa e subversão de gênero narrativo que o filme encanta. É claro que nem tudo será incorreto e mesmo Elizabeth aprende uma lição ao final do filme. Só não espere que isso ocorra logo e nem mesmo que ela fique muito feliz com isso. 

Quem é fã de comédias certinhas e corretas, com final triste e dramático pode não sair muito feliz do filme em si.

Elizabeth é uma personagem boca-suja e oportunista que não ta nem aí pros alunos e muito menos pros colegas de trabalho. Ela encarna todos os clichês de maus professores que já se ouviram por aí. 

Só começa a ensinar mesmo quando é informada do prêmio em dinheiro pago ao professor da turma que tirar a maior nota em exames estaduais. E, mesmo assim, com métodos de ensino pouco recomendáveis.

Cameron Diaz encarna o papel perfeitamente e seu carisma é absolutamente inegável. Mesmo a personagem sendo escrota e incorreta durante quase todo o filme fica difícil torcer contra ela. O que ela evoca no público é uma espécie de amor-bandido que nos faz sorrir a cada vez que se livra de uma situação difícil ou inventa um meio nada convencional pra atingir um fim.

As seqüências em que dirige o carro de marcha-ré e a sua quase transa com o personagem de Justin Timberlake estão entre suas melhores seqüências no filme.

O professor certinho é encarnado com talento por Justin, que não decepciona num papel escrito propositalmente com pouca personalidade.

Destaque positivo para Jason Segel (como o sacana professor de educação física), Phyllis Smith (como uma professora extremamente tímida) e Lucy Punch, cujo personagem tem boas seqüências como a neurótica rival de Elizabeth.

Até mesmo algumas seqüências que já são clichês como a da lavagem de carros são bem executadas pelo diretor.

Que também abusou de Rocks pesados na trilha sonora, o que poderia remeter diretamente ao filme Escola de Rock (com Jack Black), que é bem mais certinho e convencional na estrutura de transformação do personagem.

Uma comédia nada correta que subverte os padrões do gênero de “filme escolar” de forma não recomendada pra menores e se for apreciada sem preconceito e moderação por parte do espectador, poderá render boas risadas.

Recomendado.

Valeu!
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