O que quatro moradores de uma favela, dois fantasmas, um relógio antigo, um militar reformado e um mapa do tesouro tem em comum?
Simples, a HQ Um dia, uma morte (88págs.), ótima publicação independente do grupo mineiro responsável pela revista Graffiti 76% Quadrinhos.
Publicada com o apoio da prefeitura de Belo Horizonte, o grupo é um dos bastiões da resistência dos novos autores no meio quadrinístico nacional.
Luís, Farofa, Gil e Jaime são rapazes nos seus vinte e poucos anos, amigos e moradores de uma favela que não chega a ter nome, mas poderia se localizar em qualquer cidade grande do Brasil.
Farofa trabalha no IML e acha uma carta com um mapa dentro de um dos bolsos do recém-falecido Sô Antão, seu vizinho, que promete um grande tesouro a quem estiver disposto a procurar. O problema é que o tesouro está enterrado no quintal de um dos grandes traficantes da favela. É então que os quatro jovens, esperançosos de obter uma vida melhor, armam e tentam executar um plano mirabolante para pôr as mãos no tesouro do velho militar falecido.
A edição é dividida em capítulos intercalando presente e passado. Numerados ao contar a trama presente, e nomeados com o nome de um personagem ao enfocar seu passado.
Muito bom é o desenvolvimento dos personagens.
Cada um dos jovens tem um capítulo individual que explica um pouco de sua história e motivações principais em flashbacks não-lineares e por vezes interligados, ou seja, temos o recurso de ver uma mesma cena em dois capítulos diferentes, mas sob outro ponto de vista.
Um recurso muito usado no cinema em filmes como Cidade de Deus e Cães de Aluguel, só pra citar duas referências.
O roteiro ainda tem citações ao grande enigma do que é o Tempo, principalmente ao enfocar o jovem Luís, que vive cercado de fantasmas que lhe dão conselhos (as vezes nem tão bons) sobre como viver sua vida. O livro até abre com uma citação do escritor argentino Jorge Luis Borges sobre a simultaneidade do Tempo.
Os desenhos espantam pela aparente simplicidade de traços que acabam revelando bonitas e complexas composições, principalmente nas páginas inteiras que dão um panorama da favela. Destaque também para o colorido da história, lindamente aquarelada.
Belo trabalho de estréia em Graphic Novels da dupla Fabiano Barroso e Piero Bagnoriol, que antes dessa HQ só tinham histórias curtas publicadas em revistas como a Graffiti 76% Quadrinhos.
Iniciando a Coleção 100% Quadrinhos do grupo da Graffiti em 2007, essa ótima HQ surpreende pela qualidade do texto, pela disposição não-linear do roteiro, pelo cenário inusitado onde se passa a caça ao tesouro e pela escolha de belíssimas cores aquareladas para preencher seus desenhos.
Prova de que bons quadrinhos ainda são produzidos no Brasil.
Conhece a história da moça que mordia uma maçã envenenada? E a do boneco que queria virar menino? E aquela de como um lobo derrubou no sopro a casa onde morava um porquinho?
Tenho certeza que, se teve uma infância bem vivida, você conhece, ou ouviu falar, de todas essas histórias. Mas e se elas não acabassem depois do tão adorado “Felizes para Sempre”?
Foi o que pensou o escritor Bill Willingham ao criar a série Fábulas para o selo VERTIGO da editora americana DCComics em 2003.
Ele interligou várias das nossas fábulas de infância e colocou os personagens delas tendo que conviver juntos num condomínio de vários prédios na cidade de Nova York em pleno século XXI.
O condomínio, conhecido como Cidade das Fábulas, foi fundada há alguns séculos atrás pelas primeiras fábulas que fugiram do mundo mágico. Ele abrange um quarteirão inteiro de Nova York, e nele, as fábulas com formas humanas, podem viver sem envelhecer entre nós, mas mantendo segredo sobre suas reais identidades, claro.
Acontece que há séculos o mundo das fábulas foi atacado pelo misterioso Adversário (cuja identidade é um dos mistérios da série), que clamou para si o mundo mágico destruindo, escravizando ou matando com seu exército qualquer um que ficasse em seu caminho. Sem alternativa, os seres mágicos que não concordaram com ele, tanto os bondosos quanto alguns malvados, acabam fugindo para o mundo “real”.
O autor, e seus desenhistas colaboradores, já ganharam vários prêmios no meio dos quadrinhos pela série que é aclamada como a verdadeira sucessora do Sandman de Neil Gaiman, a série adulta de maior sucesso da editora.
A aclamação é bastante válida. Um dos fatores que comprovam isso é que Willingham fez muita pesquisa para povoar seu universo de fábulas, já que nem só dos mais conhecidos vive a série. Várias fábulas obscuras, saídas de histórias dos mais distantes cantos do mundo também vivem em sua Cidade das Fábulas.
Outro fator é a personalidade e profundidade que ele deu a todas elas, inclusive às mais famosas, subvertendo e atualizando com uma deliciosa malícia, nossos contos de infância.
Por exemplo:
Branca de Neve, que se divorciou há muitos séculos do Príncipe Encantado, é a real administradora da Cidade das Fábulas, já que seu prefeito, o Rei Cole, não é muito bom em governar. Ao contrário do que dizem os contos, é uma mulher de fibra, inteligente e de muita personalidade.
O Lobo Mau, ou simplesmente Bigby Lobo (como ele gosta de ser chamado), se redimiu de suas maldades lutando contra o Adversário, séculos atrás. Hoje, conseguindo assumir a forma humana, é o atual xerife da Cidade das Fábulas. Além de inteligente e bom de faro pra resolver mistérios, é um cara bastante confiável e durão, mesmo admitindo ter uma quedinha pela Branca de Neve.
O Príncipe Encantado, já divorciado de sua terceira mulher, é, além de excelente espadachim, um falastrão galanteador que vive de seu charme e fala-mansa, dando golpes em mulheres (solteiras ou casadas) em toda a Nova York. Branca de Neve lamenta sempre que encontra com ele.
João das Lorotas (aquele mesmo do pé-de-feijão) é um trambiqueiro que só quer saber de se dar bem contando histórias mirabolantes que muitos não conseguem saber serem verdade ou não. É o personagem que encarna quase todos os Joãos (Jack, no original) das histórias fantásticas. Também é chamado de matador de gigantes.
Isso só pra falar dos principais. São personagens recorrentes Rosa Vermelha (a irresponsável irmã mais nova de Branca de Neve), Pinóquio (um mal-humorado menino que não conseguiu crescer), o Príncipe-sapo (que não consegue largar o hábito de comer moscas), o pirata Barba Azul, a Bela e a Fera e muitos outros.
A HQ que acaba de ser lançada no Brasil pela editora Panini é a 4ª compilação encadernada de histórias que dão continuidade ao “Felizes Para Sempre” na Cidade das Fábulas.
Fábulas - A Marcha dos Soldados de Madeira (244 págs.) compreende a edição especial O Último Castelo e mais oito edições da revista regular de Fábulas.
O Último Castelo é a primeira história da edição e conta como foi a última batalha contra os exércitos do Adversário ocorrida no mundo mágico, antes de todos os portais para o mundo “real” serem fechados.
Logo a seguir começa a trama principal que pode ter seu início resumido em alguns acontecimentos:
- Branca de Neve está grávida.
- O Príncipe Encantado tenta se eleger prefeito da Cidade das Fábulas.
- Uma crescida Chapeuzinho Vermelho, que muitos achavam estar morta, atravessa um portal mágico fechado há mais de 100 anos e pede asilo a comunidade das fábulas.
- Bigby Lobo desconfia e começa a investigá-la.
- E João das Lorotas apanha de três homens feitos de madeira.
É uma trama simples e sem muitos rodeios, mas competentemente escrita e montada por Willingham, cujo desenvolvimento leva a um clímax sangrento e emocionante, com muitas baixas do lado das fábulas.
Desnecessário dizer que é uma história para adultos então há palavrões, sexo, violência e sangue, embora não seja nada muito explícito ou gratuito.
Os desenhos são um caso a parte. O desenhista principal, Mark Buckingham tem um traço realista simples e leve. Muito bom ao ilustrar expressões faciais, seu traço pode deixar a história tanto divertida quanto sombria num passar de quadro.
O grande diferencial da série são os personagens (com um apelo óbvio) e o relacionamento entre eles, desenvolvidos com maestria por Willingham. Talvez nem precisasse da trama de fundo sobre a luta contra o Adversário pra fazer sucesso. Dá pra ler edições inteiras sem uma menção a isso e ainda assim se divertir com essa HQ. Mas é claro que um bom autor tem que deixar o público interessado no que está por vir e isso ele fez muito bem.
Uma edição cuja primeira história é um ótimo ponto de partida para quem não conhecia nada da série e com a trama principal tendo um desenrolar dramático importantíssimo que promete ainda mais emoções para os próximos volumes. É aqui que as fábulas finalmente percebem que, depois de séculos, não estão tão seguras no mundo “real” quanto gostariam.
Tudo isso numa ótima, bem produzida e relativamente barata edição da Panini que vale a pena para quem sempre quis saber o que aconteceu depois do “Felizes Para Sempre”.
Recomendado!
Valeu!
Ps.: A edição apresenta toda a história, ou seja, conclui a trama que foi começada (e abandonada) pela editora anterior.
É o que pude concluir após assistir Lula, o Filho do Brasil no cinema.
O filme conta a trajetória de parte da vida do atual presidente da república, de 1945, ano de seu nascimento, até 1980.
Apesar do título, o filme é todo pontuado por dona Lindu, a mãe de Lula, e podia se chamar facilmente de Lula, o filho de Lindu, pela sua importância na história.
Vivida por uma competente e econômica Glória Pires, que está bem convincente no papel da mãe do presidente, o filme ainda tem boas atuações de Cléo Pires como a primeira mulher de Lula, Lurdes, e Juliana Baroni (linda) como a atual mulher do presidente, Marisa.
O que decepciona mesmo é Rui Ricardo Diaz, que faz Lula na maior parte do filme, dos 18 aos 35 anos. Sua atuação como futuro presidente do Brasil é até boa, mas fica extremamente prejudicada pela tentativa de imitar o jeito de falar peculiar de Lula.
Ponto negativo para os produtores e para o diretor Fábio Barreto que parece não ter exigido, ou ao menos discutido pouco, se o ator deveria ou não imitar o presidente. Há o absurdo de numa mesma cena o ator começar num tom de voz mais normal e logo depois assumir uma imitação tosca do falar de Lula. Mudança ocorrida quase que num mesmo discurso. Existem vários humoristas de sucesso que conseguem imitar o presidente com mais veracidade do que ele.
É difícil avaliar a história de um filme-biografia, já que por se tratar de um tempo narrativo extenso, muitos acontecimentos importantes ficam de fora, mas o filme cumpre bem o papel de pontuar a vida do presidente através de algumas passagens importantes de sua vida.
Tirando essa questão da fala, importantíssima por sinal, o filme consegue cumprir com sucesso o objetivo de mostrar a trajetória pessoal do presidente.
Destaque para a cena do discurso no estádio, muito bem ensaiada, e para a montagem com cenas do filme mesclando-se a cenas de reportagens reais para dar uma idéia da repercussão nacional da greve dos metalúrgicos no fim dos anos 70.
Antes de assistir, li várias críticas falando do filme, meio que para me preparar para a bomba que iria encontrar e me surpreendi ao ver que isso não aconteceu.
Alguns jornalistas falam mal do filme dizendo como ele é fraco ao mostrar o jogo político, raso na transcrição dos discursos e forçado ao tentar desenvolver a verdadeira importância que Lula teve como líder sindical.
Tudo isso é verdade, mas após sair do cinema percebi que isso é feito propositadamente, e não chega a prejudicar o filme, pois o objetivo da trama foi focar muito mais no homem e nos desafios superados com a ajuda de sua mãe, essa sim o grande destaque da história.
Um fator importante que comprova isso é que a narrativa acaba logo após a morte de Dona Lindu, restando a recordatórios escritos situarem o espectador no que viria depois.
Figurinos bem ambientados, fotografia talvez um pouco exagerada nos planos fechados (planejados pra emocionar) e trilha sonora original muito bonita completam esse filme que tem tudo pra ser um marco na história do cinema nacional.
Um marco tanto do ponto de vista do momento histórico, quanto do ponto de vista de patrocínio, já que é o primeiro filme em anos que não tem o apoio financeiro da lei de incentivo a cultura. Isso, é claro, para evitar o discurso óbvio de que o filme foi feito pelo governo.
Só é uma pena as empresas privadas esperarem fazer um filme sobre a emblemática figura do atual presidente para colocar dinheiro no cinema nacional. Que pelo menos eles descubram o caminho da cultura do cinema e voltem a andar muito por ele depois disso.
Impossível negar a importância política do filme num ano de eleições presidenciais, mas é importante dizer que o filme não trata do Lula político e sim do Lula nordestino, filho, trabalhador, marido e sindicalista. E não é necessário gostar dele como político para admirar essa parte de sua trajetória de vida.
Veja esse filme, mas não esperando ver o caminho político trilhado pelo atual presidente e sim os bastidores familiares e pessoais de sua vida.
O Guia do Mochileiro das Galáxias é a obra máxima do autor inglês Douglas Adams.
Falecido em 2001, aos 49 anos, ele também foi famoso por escrever para o grupo de humor Monty Python.
O Guia em si começou como série de rádio em 1978.
Devido ao sucesso, o próprio autor reescreveu a série e a compilou como livro no ano seguinte.
Mais quatro livros derivados da série vieram em seguida, dando origem a uma série de tv em 6 episódios em 1981, jogos para computador nos anos 80, algumas peças de teatro, uma série em quadrinhos nos anos 90 e a um filme para cinema em 2005.
Tudo isso devido ao sucesso da prosa humorística de Douglas Noel Adams (ou o verdadeiro DNA, como ele gostava de brincar) que lhe rendeu milhões de fãs pelo mundo todo.
Apesar de não ter formação científica, Adams era uma apaixonado por ciência e tecnologia, entusiasta de emails, computadores Macintoshes e ecologia. Era ateísta radical, mas não no sentido depressivo e sim na predileção por atos que melhorassem nossa vida presente. Também era defensor ferrenho de causas animais e de meio ambiente.
Tudo isso transparece em suas obras que, com uma prosa ácida, cínica e engraçadíssima, consegue fazer críticas a política, burocracia, ciências, experiência com animais, toda e qualquer religião organizada e também à raça humana como um todo.
O Guia consiste na história de Arthur Dent, um inglês de 30 e poucos anos, comum até demais, de como ele conseguiu escapar da Terra segundos antes de sua destruição por uma frota de demolição Vogon, com a ajuda de seu amigo Ford Prefect (que se revela alienígena) e de como iniciou suas aventuras pelo espaço em busca da pergunta fundamental sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.
O Guia dentro da história é um livro eletrônico contendo boa parte de todo o conhecimento galáctico que supera, segundo a própria trama faz questão de frisar, a antiga e tradicional Enciclopédia Galáctica por dois motivos: é ligeiramente mais barato e tem as palavras NÃO ENTRE EM PÂNICO estampadas em letras amigáveis na capa. (hilário, não?)
Algumas máximas do guia:
Você sabia...
-... que os seres humanos são apenas a terceira espécie mais inteligente da Terra?
-... que a resposta para a questão sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais é 42?(Falta descobrir a pergunta)
-... que a toalha é o objeto mais importante para se levar numa viagem estelar?
-... que o melhor restaurante da galáxia fica no fim do universo?
-... que o motor de improbabilidade infinita, mais moderno da galáxia, passa por todos os lugares do universo antes de chegar ao seu destino?
-... que o robô Marvin tem o cérebro do tamanho de um planeta (figurativamente falando), mas é extremamente depressivo?
-... que se o guia do mochileiro fosse impresso em papel seriam necessários vários prédios pra guardar todas as suas páginas?
-... que uma seita alienígena compara o universo a um nariz escorrendo e aguarda o fim de tudo com a chegada do grande lenço branco?
-... que os Vogons são a espécie mais chata e burocrática da galáxia e sua poesia, a terceira pior do universo, pode ser usada em torturas?
-... que os golfinhos são a segunda espécie mais inteligente da Terra?A primeira você só descobre se acompanhar uma das versões da obra.
Fatos que podíamos morrer sem descobrir, mas por causa do Guia do Mochileiro das Galáxias aprendemos um pouco mais sobre o universo e ficamos um pouco mais felizes.
A história principal é contada nos três primeiros livros, com uma trama extremamente interligada, com fatos que ocorrem no primeiro livro só explicados no segundo e no terceiro por exemplo.
O quarto livro é um espécie de epílogo da história e o quinto é quase que uma trama paralela envolvendo os mesmos personagens apotando para situações diferentes.
Os dois primeiros são, com certeza, os melhores e absolutamente imperdíveis pelo frescor e originalidade de suas idéias.
No geral, é uma divertidíssima leitura para escapar das durezas do dia-a-dia colocando um sorriso no rosto e até aprender alguma coisa boa, já que Adams emula e debocha de teorias científicas, esconde mensagens ecológicas e usa uma preocupação filosófica milenar como fio condutor de sua trama.
Muito Recomendado!
O filme, de 2005, teve roteiro do próprio Douglas Adams junto com Karey Kirkpatrick. Adams participou ativamente da pré-produção, mas não pôde ver o trabalho final, já que morreu quatro anos antes do filme ser lançado.
Com direção de Garth Jennings, a história do filme é ligeiramente diferente da do livro, principalmente em seu desenvolvimento e final.
O personagem de John Malkovich, Humma Kavula, por exemplo, foi inventado especialmente para o filme (apesar de sua seita religiosa ser citada no livro).
Sua presença no meio da história chega a ser justificada por um fato importante do desfecho, mas fica meio solta e inconclusiva no contexto geral.
Outro destaque negativo no roteiro é o romance entre Arthur (Martin Freeman) e Trillian (Zoey Deschanel) que apesar de pontuado em alguns momentos no roteiro, não é bem desenvolvido, levando a um discurso final com jeito meio forçado e inoportuno.
O grande destaque do filme são algumas das idéias malucas e críticas de Adams colocadas com sucesso na telona tanto nos belos efeitos especiais quanto nas simpáticas animações em 2D, que ilustram as explicações dadas pela narração do guia, que tem a voz de Stephen Fry na versão inglesa e José Wilker na versão brasileira.
Ponto positivo para os Vogons animatrônicos (robôs que simulam movimento) construídos competentemente pelos estúdios Jim Henson (criador dos Muppets).
Não posso deixar de citar positivamente também a abertura musical do filme com os golfinhos cantando uma música engraçadíssima que te faz querer cantar junto e uma curta animação com figuras de crochê geradas pelo motor de improbabilidade infinita no meio da trama.
São pequenos detalhes que chamam atenção nos dias de hoje quando bem feitos a ponto de competir com animações em 3D e personagens computadorizados.
Outro item que chama a atenção é o esmero da direção de arte e fotografia ao retratar as diferenças entre a nave Vogon, toda quadrada e escura, e a nave Coração de Ouro de formas arredondadas e claras. Bem Legal.
No geral uma boa comédia de ficção científica que tem algumas inconsistências de roteiro e exagera em algumas cenas no estilo pastelão, mas com direção e atuações consistentes, preocupações filosóficas, ótimos efeitos especiais e divertidas animações totalmente a serviço da narrativa é o que esperar desse filme.
Recomendado!
Aliás, qualquer versão do Guia do Mochileiro das Galáxias, seja ela em rádio-novela, livro, série de TV, peça de teatro, jogos de videogame, quadrinhos ou cinema é recomendadíssima pra quem gosta de uma ótima história.
Até mais, e obrigado pelos peixes!
Valeu!
Ps.: Destaque para a aparição/ homenagem a Douglas Adams no fim do filme.
Já está na segunda edição em bancas o almanaque VERTIGO (na sua quinta encarnação brasileira), só com histórias do selo de quadrinhos adultos da editora americana DCComics (a mesma de Batman e Super-homem).
O selo VERTIGO foi criado no fim dos anos 80 para incentivar escritores e desenhistas a criarem histórias com temáticas mais maduras, com o objetivo de conquistar leitores que procuravam algo diferenciando dos quadrinhos tradicionais da DC, direcionados a um público infantil e juvenil.
Nos quadrinhos da VERTIGO é comum encontrar tramas abordando sexo, drogas, política, violência e religião, de maneira muito pouco sutil, o que não dá pra fazer numa história comum de super-heróis.
Só pra citar algumas obras e seus autores famosos que já passaram pela VERTIGO: Monstro do Pântano de Alan Moore, Sandman de Neil Gaiman, 100 Balas de Brian Azzarello, Fábulas de Bill Willingham, Y - O último Homem de Brian K. Vaughn, Preacher de Garth Ennis, HellBlazer e muitas outras.
No Brasil, o selo VERTIGO tem uma história complicada. Já foi publicado, se não me engano, por 8 editoras diferentes, sendo que muitas delas cancelaram títulos deixando histórias pela metade, por causa de vendas baixas e complicações contratuais. É claro que as vendas baixas tiveram muito a ver com a (quase) inexistência de divulgação dos títulos, o que levou diretamente a preços muito altos pelas edições, consequência das baixas tiragens dos exemplares. Sem divulgação fica difícil, né?
A editora Panini, que atualmente faz um bom trabalho publicando as HQs de super-heróis tanto da DC quanto da Marvel Comics, foi quem investiu nessa última empreitada do selo lançando o almanaque VERTIGO e algumas edições especiais que retomam histórias deixadas incompletas pela editora PixelMedia, que detinha os direitos do selo anteriormente.
O atual almanaque VERTIGO tem 132 páginas e 5 histórias diferentes. Todas elas inéditas, ao menos em quadrinhos, no Brasil.
Lugar Nenhum é a quadrinização do texto de Neil Gaiman (que já foi série de TV e livro) e conta a história do contador londrino Richard Mayhew,que tinha uma vida chata e sem-graça até salvar uma mulher misteriosa chamada Lady Porta, última herdeira de uma importante família de Londres Abaixo, o submundo mágico existente nos subterrâneos da cidade de Londres.
Após esse breve encontro, a vida de Richard vira de ponta cabeça e ele tem que seguir por uma estranha jornada pelo submundo londrino para conseguir que tudo volte ao normal.
Roteirizada por um mediano Mike Carey e desenhada pelo ótimo Glenn Fabry é a série com maior apelo comercial por trazer o nome de Neil Gaiman, garantia de vendas do selo.
HellBlazer, que traz história da revista mais antiga do selo (com 262 edições americanas até agora) e mostra as aventuras do mago urbano inglês John Constantine (que já teve um filme com Keanu Reeves no papel principal).
O Barato da Vida (publicada nos EUA na edição 175 de HellBlazer) conta o reencontro de Constantine com sua irmã na Inglaterra após ter ficado quase 2 anos nos Estados Unidos e ter sido dado como morto.
O condomínio onde sua irmã mora tem sido afetado uma aura maléfica que motiva atos violentos e depressivos em todos os moradores do local. Tudo aponta para a bondosa velhinha que mora com os filhos no último andar.
Como sempre, Constantine tem que se meter em algo que não esperava, mas dessa vez para tentar salvar sua família.
Também roteirizada por Mike Carey, tem a volta de Steve Dillon (revelado em Hellblazer há mais de 10 anos) nos desenhos.
Sandman apresenta: A Tessalíada também traz um personagem conhecido, vindo da história Um Jogo de você do Sandman de Neil Gaiman.
Thessaly é a última das bruxas da Tessália.
Extremamente poderosa e com algumas centenas de anos de idade, ela vive pacatamente disfarçada como uma jovem aluna de uma faculdade em Nova York até que é atacada por enormes cães demoníacos, que destroem seu apartamento e matam um colega de faculdade, a obrigando a partir numa jornada para descobrir quem está tentando matá-la.
Tudo isso acompanhada por um galante e falador fantasma que diz ter sido morto por ela há muitos anos atrás.
Roteiro de Bill Willingham e desenhos de Shawn McManus.
Escalpo é uma HQ totalmente inédita por aqui e acaba se tornando a grande surpresa da edição tanto por não envolver magia quanto por tratar de um tema bastante polêmico: a questão indígena americana.
Dashiell Cavalo-Ruim volta a sua reserva indígena depois de 15 anos, encontra velhos desafetos e arruma bastante confusão até que é contratado por seu tio Lincon Corvo-Vermelho, líder da reserva, como policial pra tentar botar ordem na casa.
Acontece que seu tio está envolvido em vários esquemas criminosos e caberá a Dashiell, que trabalha disfarçado para o FBI, desmascará-lo.
Sexo, drogas e jogo mostram a realidade decadente de uma nação indígena nos dias de hoje.
Roteiro de Jason Aaron e arte de R. M. Guerá.
Vikings, apesar de também ser totalmente inédita por aqui, já chega com uma certa fama por ter sido bastante elogiada lá fora.
Mais de mil anos atrás Sven, um habilidoso guerreiro varegue, é obrigado a retornar para casa no norte da Europa após ter notícias da morte do pai.
Seu tio Gorm tomou tudo que era do pai de Sven para si e mantém o povo do vilarejo controlado na base da fome e da violência.
Sven não tem o interesse em nada além do dinheiro deixado por seu pai, mas vai ter que reagir as investidas de seu tio, preocupado que ele reclame o lugar de seu pai como líder de seu povo.
Escrito por Brian Wood (o mesmo de Local) e desenhado por Davide Gianfelice.
Mesmo tendo a mesma premissa do filho pródigo que a casa torna, tanto Escalpo quanto Vikings são boas surpresas. Sendo que Escalpo empolga já na primeira edição, enquanto Vikings tem um ritmo mais lento.
HellBlazer tem uma história curta e consistente, com apresentação de novos e interessantes personagens que mereciam novas aparições, mas o melhor da trama são as suspeitas de John que prometem ganchos para novas emoções nas próximas edições.
Lugar Nenhum é um suspense que ainda não empolgou em duas edições, apesar de ótima arte de Fabry ,e A Tessalíada surpreende positivamente no uso da metalinguagem para descrever a jornada de Thesssaly, apesar da personagem ainda não ter cativado o suficiente para merecer maior atenção.
Como todo almanaque ou revista de mix, VERTIGO é uma revista de qualidade variável, mas bastante acima da média dos atuais quadrinhos em banca. Boa para quem tá afim de experimentar coisas novas e não gosta de ver sua inteligência subestimada por (algumas) histórias de super-heróis.
Resta esperar que esta nova empreitada do selo VERTIGO no Brasil, ao contrário das anteriores, tenha uma longa vida pela Panini.
Recomendado!
Valeu!
Ps.: Ah! Vale a pena acessar o site da Panini para a linha VERTIGO com ótimas referências e informações sobre todas as séries http://web.hotsitepanini.com.br/vertigo/
Foi uma das impressões que tive ao acabar de ver Avatar, o novo filme de James Cameron (Alien, Exterminador do futuro 1 e 2, Titanic).
Escrito e dirigido por ele, o filme chama atenção a princípio por já ter custado cerca de impressionantes 500 milhões de dólares entre produção e divulgação no mundo todo.
Também chama a atenção (e esse é o principal aspecto) pelos efeitos especiais e pela mistura de pessoas reais e computação gráfica que cria personagens através de uma avançada técnica de captura de movimentos dos atores.
O chamado Motion Capture não é novidade em Holywood. Alguns filmes de sucesso já utilizaram essa técnica, que consiste em filmar o ator em um fundo verde usando uma roupa especial que transmite sua linguagem corporal e expressões faciais para um computador que depois o integra ao filme como um, ou vários, personagens. Para citar exemplos de animações que utilizaram a técnica temos O Expresso Polar, Beowulf e o recente Os Fantasmas de Scrooge.
Em Avatar, o motion capture se destaca por ser um dos melhores já vistos na telona. Os personagens (os alienígenas Na´Vi) se movimentam e se expressam como se fossem reais, na verdade como se fossem humanos, e isso provoca a identificação instantânea do espectador com eles.
Tecnologias inovadoras a parte, o que é ruim em Avatar é a história. Não entendam mal, a trama é clássica e bem redondinha, com grande potencial pra cair no gosto popular, mas isso depõe muito contra o filme. Principalmente pela previsibilidade. Num determinado momento o espectador perde a emoção do suspense, pois a trama, escrita pelo próprio de James Cameron, dá pistas a todo momento sobre o que vai acontecer, restando a nós apenas saber como isso será mostrado.
No ano 2154, Jake Sully (Sam Worthington), um soldado que ficou paralítico, é convidado a ir ao planeta Pandora dar continuidade a missão secreta de seu irmão gêmeo que faleceu recentemente.
O projeto Avatar consiste em assumir, através de uma conexão neural-remota, o controle de um corpo híbrido de homem e Na´Vi, a espécie animal mais inteligente do planeta, com o intuito de aprender sobre os nativos e convencê-los a abandonar um território cheio do minério mais valioso do universo para que possamos explorá-lo. É claro que isso não vai acontecer tão pacificamente.
Uma das principais idéias passadas pelo filme é que os humanos são intrusões e gananciosos (pelo menos a maioria deles) e que os Na´vi são aliens que só querem ficar na deles e bem bonzinhos quando você os conhece. Lógico que você passa a torcer por eles sem esforço algum.
Cameron aposta em personagens clássicos (arquetípicos até), como o herói sem nada a perder, o mentor relutante, o aliado que vira inimigo e por aí vai.
E apesar do bom rendimento dos atores não há na história muita preocupação em se aprofundar nas motivações dos personagens.
Apesar disso, é um filme extremamente inovador nas técnicas utilizadas para misturar elementos reais com computadorizados e, diferente de muitos outros filmes do tipo, você quase não consegue saber o que foi realmente montado e o que foi criado em computador.
O mundo criado por Cameron e sua equipe está excelente no aspecto gráfico e visual por conseguir passar com perfeição a idéia de um ambiente alienígena que poderia existir. É onde você vê onde foi bem gasto todo o dinheiro da produção.
Outro aspecto positivo do filme é o subtexto ecológico, afinal os alienígenas Na´Vi vivem em equilíbrio com Pandora e conseguem se conectar a praticamente toda criatura viva do planeta através de sua trança que na verdade é uma terminação neural.
Uma grande mensagem para os dias de hoje, já que estamos quase que “comendo” o planeta do qual fazemos parte, segundo uma revista semanal de grande circulação destacou recentemente. Um momento de reflexão é necessário em todas as faixas da sociedade para podermos solucionar esse problema afinal, se não cuidarmos da Terra, quem cuidará de nós?
Um filme bastante atraente e verdadeiro divisor de águas no aspecto gráfico e visual, que peca um pouco pela história meio batida, é que o esperar dessa obra (a primeira em 14 anos) do diretor James Cameron.
Vale muito a pena ver enquanto estiver no cinema e de preferência em 3D para aproveitar todo o visual.
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Quadrinhos: O Eternauta
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Uma das coisas boas da globalização (entre tantas outras) é conhecer melhor
a cultura de outros países. É a essência da expressão “aldeia
global”, ...
Os Crimes de Snowtown
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*Diário do Festival / Rio, 2011*
"Os Crimes de Snowtown", (apenas Snowtown, no original), de 2010, é o
primeiro longa do australiano Justin Kurzel e já co...
Dicas do Duda Participando do Prêmio TopBlog 2010
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Ei! Dicas do Duda foi indicado para o prêmio TopBlog 2010.
Não deixe de votar:
http://www.topblog.com.br/2010/index.php?pg=busca&c_b=11105062
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